Absolutismo Monárquico

Um pouco sobre o absolutismo e como isso influencia o ENEM

Percepções sobre como tão poucos concentraram tanto poder

Jardins de Versailles – França

Palácios majestosos, jardins megalomaníacos, bailes e banquetes grandiosos. Cortesãos pavonados, bobos da Corte e perucas sobre as cabeças. Tais visões tendem a vir ao nosso imaginário todas as vezes em que pensamos a respeito do tal Absolutismo. Ainda que, neste caso, o senso comum não nos iluda tanto, é pertinente que averiguemos um pouco mais a fundo as características deste fenômeno político tão marcante da Era Moderna, assim como as distintas maneiras como ele se apresentou em diferentes tempos e regiões do continente europeu. Busquemos entender de que maneira este conteúdo costuma ser cobrado pelo ENEM e tentemos esclarecê-lo. Vamos em frente. Sobre a formação das monarquias absolutistas

Para que compreendamos melhor o fenômeno político que foi o absolutismo monárquico, precisamos, primeiro, lançar os olhos sobre um pouco do que foi o processo de formação dos Estados Nacionais Modernos europeus – tais como Portugal, Espanha, França, Inglaterra etc –Foi durante este processo, iniciado ainda na Baixa Idade Média, que determinadas dinastias reais concentraram, através de vários métodos, cada vez mais poderes em suas mãos. Para exemplificar o que está sendo dito, remetamos ao século XIV.

Portugal, desde o século XI, já se formava enquanto Estado Nacional em meio ao contexto da chamada Guerra de Reconquista, que tinha como objetivo a expulsão definitiva dos mouros, muçulmanos invasores da Península Ibérica que lá se encontravam desde o século VIII. No século XIV, já com suas fronteiras formadas, Portugal passava por uma grande crise dinástica. A dinastia da Casa de Borgonha – primeira da história lusitana – via seu último rei falecer sem herdeiros. Iniciou-se uma guerra civil no reino que contou, inclusive, com a participação das vizinhas França e Inglaterra – também em processo de formação –. Apoiado pela burguesia, um suposto irmão bastardo do falecido rei assumia o Trono. Tinha início a Dinastia de Avis. Esta aliança entre rei e burguesia surge como uma das características mais recorrentes em meio a estes processos de consolidação do absolutismo monárquico na Europa. Analisemos, neste próximo parágrafo, um pouco acerca da comunhão de interesses entre os reis e as burguesias ao longo deste período:

Contrariamente aos antigos senhores feudais, os burgueses, em ascensão desde o chamado Renascimento Comercial e Urbano, não contavam com vassalos protetores. A formação de Exércitos Nacionais sob a tutela das monarquias em processo de consolidação era de fundamental importância para a classe burguesa, que, através do pagamento de impostos, fornecia aos reis as riquezas necessárias para a composição destas forças. Além do militarismo, a instituição de leis e tributos, além da criação de sistemas de medidas e moedas nacionais colaboravam para o empoderamento dos monarcas. Parte dessas medidas contemplava também os interesses da classe burguesa, atrelada às atividades comerciais. Sendo assim, o absolutismo combina o crescente poder militar do monarca a uma complexa burocracia centralizadora, muitas vezes interessante para a recém-surgida burguesia.

Se já entendemos a posição da burguesia em meio ao processo de consolidação do absolutismo, é importante nos atermos também ao processo de transferência de poder das antigas classes dominantes medievais para os reis absolutistas. Ora, se na Idade Média houve uma acentuada descentralização do poder devido ao processo de feudalização, onde as nobrezas feudais fragmentavam-no entre si, podemos concordar que, para que as monarquias absolutistas da Era Moderna se consolidassem, antes, primeiro, deveria haver um desgaste por parte dos senhores feudais. Isto se deu por conta, principalmente, da chamada Crise do século XIV. A Peste Negra, a fome, as rebeliões camponesas e as terríveis guerras do período abalavam a estrutura feudal europeia.

Utilizando o exemplo da formação da Inglaterra e da França, percebemos a existência de um longo e sangrento conflito apelidado de Guerra dos Cem Anos, ocorrido entre 1337 e 1453. Durante este confronto, também ocasionado devido a uma crise sucessória, desta vez relacionada ao Trono da França, diversos reis ingleses e franceses engajaram-se em campanhas militares buscando a consolidação de suas monarquias ante a ameaça inimiga. A França, vitoriosa ao fim da guerra, encontrava-se bastante centralizada. A Inglaterra ainda viveria mais trinta anos de guerra civil – a conhecida Guerra das Duas Rosas, findada somente em 1485 –. Neste contexto, diversas famílias nobres inglesas disputaram a Coroa, tendo como resultado final um grande enfraquecimento da nobreza ante a concentração de poder nas mãos da nova linhagem de monarcas que surgia ao final do conflito, a Dinastia Tudor.

Pintura triunfal de Luís XIV durante a conquista de Maastricht

Outra instituição de grande poder e prestígio ao longo da Idade Média foi a Igreja. Tal como as nobrezas feudais, a Igreja Católica também passava por um processo de enfraquecimento durante a transição da Idade Média para a Era Moderna. Isto deveu-se ao contexto da Reforma Protestante, vivida pela Europa durante o século XVI. Ao passo que diversas novas religiões cristãs não católicas surgiam, o catolicismo perdia sua hegemonia. No caso da Inglaterra, por exemplo, a Dinastia Tudor aplicou um duro golpe à Igreja quando o monarca Henrique VIII, através do chamado Ato de Supremacia 1534, instituiu o anglicanismo, religião de Estado da Inglaterra, na qual a liderança religiosa passava para as mãos do rei, excluindo-se, assim a influência papal.

Saiba mais sobre Absolutismo

Uma das maneiras encontradas pela Igreja para manter seus privilégios em meio à perda de poder foi oferecer embasamento teórico para a sustentação das monarquias absolutistas. Um dos casos mais simbólicos talvez se encontre na França. Lá, o Bispo Jacques-Bénigne Bossuet, muito próximo de Luís XIV – o famoso “Rei Sol”, considerado por muitos o mais absolutista dos reis europeus –. escreveu acerca da chamada Teoria do Direito Divino dos Reis, que definia o monarca como um vigário de Deus na terra, tendo assim, sua autoridade inquestionável. Outros famosos teóricos que serviram de pilar para as monarquias absolutistas foram Thomas Hobbes, com sua famosa obra “O Leviatã” e Nicolau Maquiavel, com o famigerado “O Príncipe”.

Luis XIV – Retrato de Hyacinthe Rigaud , 1701

Veja como o assunto já foi cobrado no ENEM

Enem (2010)
“O príncipe, portanto, não deve se incomodar com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o povo unido e legal. De fato, com uns poucos exemplos duros poderá ser mais clemente do que outros que, por muita piedade, permitem os distúrbios que levam ao assassínio e ao roubo”
MAQUIAVEL, N. O Príncipe, São Paulo: Martin Claret, 2009.

No século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe, reflexão sobre a Monarquia e a função do governante. A manutenção da ordem social, segundo esse autor, baseava-se na:

a) inércia do julgamento de crimes polêmicos.
b) bondade em relação ao comportamento dos mercenários.
c) compaixão quanto à condenação de transgressões religiosas.
d) neutralidade diante da condenação dos servos.
e) conveniência entre o poder tirânico e a moral do príncipe.

Para Maquiavel, o pragmatismo marca a moral política do governante (por ele referido como o “Príncipe”). De acordo com o filósofo, o intuito primeiro de um governante deve ser a manutenção da ordem social, independentemente dos meios que para este fim forem empregados. Daí a famosa frase “os fins justificam os meios”. Em seu livro, espécie de manual, Maquiavel considera a tirania um importante instrumento para se obter o respeito e a ordem. Por estes motivos, a obra de Maquiavel tem enorme importância como base para os governos absolutistas.

Perceba a interdisciplinaridade presente na questão trazida acima, que mescla aspectos da História e da Filosofia política. Aproveite para assistir à aula do professor Leandro Vieira sobre o pensamento maquiavélico e excelente exposição do professor Otto Barreto acerca do fenômeno histórico do absolutismo monárquico. Não deixe de conferir nossos outros artigos para mandar absolutamente bem no ENEM!

Por Leandro Torres (BIro)

Tudo o que você precisa saber sobre a Guerra na Síria

Entendendo a Guerra da Síria para mandar bem no ENEM

Olá, caro aluno! Você com toda certeza já se deparou com muitas notícias, vídeos e até questões de vestibular falando sobre o conflito na Síria e o caos que este país do Oriente Médio tem vivido nos últimos sete anos, e deve se sentir perdido no meio de tantas informações. Para ajudá-lo a compreender as causas dessa guerra, o PROENEM preparou este post com tudo o que você precisa saber.

Mapa da Síria e região

Fatos importantes sobre a Síria

A Síria fica localizada numa região do continente asiático famosa pela riqueza de petróleo e constantes guerras: o Oriente Médio. Este pequeno país faz fronteira com a Turquia, Iraque, Líbano, Israel e Jordânia, com saída para o mar Mediterrâneo. A população do país está dividida em islâmicos sunitas (70%), xiitas (13%) e cristãos (10%), além destes grupos existe também os curdos, uma etnia que está espalhada por alguns países da região e desejam ter um território próprio.

Bashar Al-Assad é presidente da Síria desde os anos 2000, entrou no comando após a morte de seu pai Hafez Al-Assad, que governou o país por 29 anos, ou seja, o país é governado há 47 anos pela mesma família. Os Assad têm orientação alauita, um grupo do islã que descende dos xiitas. Podemos dizer que, apesar de islâmicos a constituição síria é laica, a posição da família e as leis que regem a Síria são mais brandas de que seus países vizinhos. Um fato muito importante sobre a ascensão dos Assad é que nenhum, nem Hafez e nem Bashar, chegaram ao poder por vias democráticas.

O que a Primavera Árabe tem a ver com a Guerra na Síria?

Os ditadores que foram caindo um após outro devido aos acontecimentos da primavera árabe
Os ditadores que foram caindo um após outro devido aos acontecimentos da primavera árabe

A Primavera Árabe tem início na Tunisia em 2011, a partir do suicídio de um jovem após sofrer repressão policial, este fato provocou uma onda de manifestações populares nas ruas das cidades tunisianas. Estes protestos se espalham por diversos países do mundo árabe: Egito, Líbia, Iêmen, Bahrein, Argélia, Jordânia e Síria. Na Líbia e na Síria os protestos geraram reações mais violentas do governo e tiveram intervenções de outros países.

O porquê das manifestações

A população destes países saiu às ruas para pedir democracia e melhorias sociais. Nos oito países que passaram por este movimento havia governos ditatoriais e longos bem como governantes que chegaram ao poder por vias autoritárias. Muitos destes ditadores conservavam estruturas corruptas e não promoviam melhorias nas condições de vida dos cidadãos, mas estes são aspectos gerais. Cada país, além desta pauta – democracia e liberdade –, apresentou razões próprias.

Destruição da Síria

Vejamos como as coisas na Síria se complicaram tanto…

Vimos anteriormente que a Síria é “rachada” em termos populacionais, o que, inicialmente, não havia muita importância, as pessoas saíam às ruas e ocupavam as principais praças do país de maneira pacífica. As coisas tomaram um caminho mais violento a partir das reações do governo sírio em março de 2011, para conter os protestos, Al-Assad enviou tropas militares para conter a população, o que não surtia efeito, as pessoas continuavam ocupando as cidades e eram reprimidas com mais violência. Mortos e desaparecidos se tornaram comuns. Imagine que um dia um amigo seu, insatisfeito com os rumos do país, sai para protestar e não volta para casa. Agora imagine isso acontecendo em proporções maiores e mais amigos desaparecendo. Difícil, né?

A violência do governo sírio gerou reações igualmente violentas da população, a mídia passou a chamá-los de “rebeldes”, mas este é um termo genérico e você precisa saber quem são estes grupos para entender tudo sobre a guerra na Síria.

Quem são os rebeldes?

A população pegou em armas e se organizou contra o governo. Chegaram também grupos jihadistas (extremistas islâmicos) para o conflito, os curdos e aqueles que apoiam o governo de Assad. Temos que lembrar também que alguns países são favoráveis e outros contrários a manutenção de Al-Assad no poder.
Os xiitas são favoráveis ao governo (lembra que a família governante é de uma corrente descendente dos xiitas), os sunitas estão divididos entre o Exército Livre da Síria (civis “moderados”), Al-NUSRA (grupo que teve origem da Al-QAEDA de Osama Bin Laden) e ISIS – Estado Islâmico do Iraque e da Síria –, estes dois últimos são grupos extremistas, os jihadistas e há também os curdos que, além de serem contrários ao governos, lutam contra os Estado Islâmico. Cada um destes grupos ocupa áreas diferentes dentro do território sírio.

Mapa da Guerra Civil Síria

A guerra na Síria já tem mais de 400 mil mortos e é responsável pela maior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial: quase cinco milhões de sírios vivem em situação de refúgio. O caótico cenário da guerra síria é discutido na ONU e este ano gerou uma instabilidade entre as nações do Conselho de Segurança: EUA, França e Reino Unido se manifestaram favoráveis a uma intervenção militar contra as bases de Al-Assad, Rússia (uma nação amiga da Síria desde a Guerra Fria) e China se opuseram. Contrariando a decisão do Conselho, EUA e seus aliados, em abril deste ano, bombardearam as bases do governo, em resposta a um suposto ataque químico contra os rebeldes, e logo depois atacaram áreas dominadas pelo Estado Islâmico.

A guerra na Síria já dura sete anos e infelizmente não há um fim previsto para toda esta instabilidade.

Quer se aprofundar ainda mais neste assunto? Não deixe de assistir às nossas videoaulas e se preparar de forma dinâmica e efetiva para vestibulares, concursos e ENEM.

Trovadorismo

Um pequeno apanhado sobre o trovadorismo

N­­­­­a Idade Média, entre os séculos XI e XII, ao lado do período de formação de Portugal, ocorrem também as primeiras manifestações literárias por meio das poesias musicadas, chamadas de cantigas. Essa composição trovadoresca era escrita em galego-português, idioma falado nesse período tanto em Portugal como na Galícia.

O cenário político-econômico era o Feudalismo, organizado a partir de uma estrutura rígida entre o senhor feudal (dono de terras), chamado de suserano, e seus vassalos, que, em troca de proteção, eram responsáveis por cuidar desse pedaço territorial chamada feudo.

Outra força social fundamental era a igreja, forte pilar de uma sociedade teocêntrica, responsável por divulgar os valores morais cristãos e consequentemente de determinar os textos a serem divulgados. Além disso, a igreja também era ideologicamente responsável pelas Cruzadas, expedições cujo principal objetivo era a libertação dos lugares considerados santos na Palestina.

Todas essas relações políticas, econômicas e religiosas se refletem também nas manifestações culturais do trovadorismo, conforme veremos a seguir.

Controle da igreja com relação à educação na Idade Média
Imagem que representa o controle da igreja com relação à educação na Idade Média

O contexto cultural: Trovadorismo

Em Portugal, o poeta era chamado de trovador; assim como na região da Provença o poeta era o troubador e no norte da França era identificado como trouvèrenomes que simbolizam aquele que acha seu cantar, sua arte, sua cantiga. Todos esses termos darão origem a Trovadorismo. E o poeta será o trovador, aquele que faz as trovas, ou seja, produz versos, além de compor as melodias de suas cantigas. Existiam diversos tipos de trovadores, como menestrel, jogral, segrel, diferenciados em especial pela posição econômico-social que ocupavam.

O Trovadorismo será, então, a primeira escola literária portuguesa e trará nos seus temas e na sua organização os reflexos das questões políticas, econômicas e religiosas do Feudalismo.

Originária da tradição oral, essas poesias trovadorescas ficaram conhecidas como cantigas, pois foram escritas para serem acompanhadas tanto por instrumentos musicais como pela dança. Seus registros foram preservados porque, embora tardiamente, as cantigas foram copiadas em coletâneas, como o Cancioneiro da Ajuda, Cancioneiro da Vaticana e o Cancioneiro da Biblioteca nacional.

Neste último, o primeiro texto é um artigo intitulado “Arte de trovar”, que apresenta didaticamente os princípios e as regras da poesia trovadoresca, bem como define os diferentes tipos de cantigas, divididas em duas espécies: lírico-amorosas e satíricas.

Cantigas lírico-amorosas

Divididas em cantigas de amor e cantigas de amigo, ambas apresentam como tema central o amor.

O trovador, nas cantigas de amor, reproduz as relações feudais, em que o eu poético, representado por uma voz masculina, sofre pela mulher amada (dama), mostrando-se totalmente subordinado, ou seja, um verdadeiro vassalo diante da sua suserana. É interessante ressaltar que, na prática social, a mulher não era tratada a partir dessa posição de superioridade, mas, ao contrário, de forma subordinada. No entanto, nas trovas ocorre o oposto e o eu poético, diante de uma contemplação platônica, suplica pelo amor inatingível da sua senhora, vivendo um eterno sofrimento amoroso.

Canção de amor (trecho)
Diniz

Ca mia senhor nunca Deus pôs mal,
mais pôs i prez e beldad’e loor
e falar mui bem, e riir melhor
que outra molher; desi é leal
muit’, e por esto nom sei oj’eu quem
possa compridamente no seu bem
falar, ca nom á, tra-lo seu bem, al.

Tradução:

Porque em minha senhora nunca Deus pôs mal,
mas pôs nela honra e beleza e mérito
e capacidade de falar bem, e de rir melhor
que outra mulher também é muito leal
e por isto não sei hoje quem
possa cabalmente falar no seu próprio bem
pois não há outro bem, para além do seu.

No exemplo anterior, é possível notar a superioridade da sua senhora, comprovada a partir de uma série de comparações e da conclusão de que não há outra igual a ela.

Já as cantigas de amigo, embora tratem também de relações amorosas, apresentam diversas particularidades. Em primeiro lugar, embora a poesia seja escrita por um trovador, a voz do eu poético é feminina. Sobre essa questão, o escritor Massaud Móises, em seu livro A literatura portuguesa, afirma: “essa capacidade de projetar-se na interlocutora do episódio e exprimir-lhe o sentimento (…) não existia antes do trovadorismo”.

Sobre o enredo, a história centra-se em uma mulher simples (e não mais uma representante da nobreza, como na cantiga de amor) que foi abandonada por seu amigo, que vai lutar na guerra ou troca de amante. Amigo, nessas poesias, é entendido como namorado e amante (Seria uma amizade colorida?). Sofrendo, essa voz feminina desabafa com sua mãe, com suas amigas, ou mesmo com as forças da natureza, em geral relacionadas às águas, fonte de fertilidade. Assim, na cantiga a seguir, a mulher dialoga com “as ondas do mar de Vigo”.

Martim Codax
Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo?
e ai Deus, se verrá cedo?

Ondas do mar levado,
se vistes meu amado?
e ai Deus, se verrá cedo?

Se vistes meu amigo,
o por que eu sospiro?
e ai Deus, se verrá cedo?

Se vistes meu amado,
o por que hei gram coidado?
e ai Deus, se verrá cedo?

Tradução
Ondas do mar de Vigo
acaso vistes meu Amigo ?
Queira Deus que ele venha cedo!

Ondas do mar agitado,
acaso vistes meu amado?
Queira Deus que ele venha cedo!

Acaso vistes meu amigo,
aquele por quem suspiro?
Queira Deus que ele venha cedo!

Acaso vistes meu amado,
por quem tenho grande cuidado ?
Queira Deus que ele venha cedo!

Como é possível observar, trata-se de um autor que de fato dá voz a uma personagem feminina e seus anseios à espera do amante. Essa mulher simples passeia junto ao mar, com quem dialoga, suplicando insistentemente a Deus para que seu amante retorne cedo.

Cantigas satíricas

Seu  objetivo principal é produzir uma crítica a partir de acontecimentos do dia a dia daquela época. Se a crítica era feita de forma indireta, por meio de ironia e, em especial, de ambiguidades de sentido, trata-se de uma cantiga de escárnio.

Exemplo de cantiga satírica
Exemplo de cantiga satírica

 

Joao Garcia Guilharde
Ai, dona fea! Foste-vos queixar
que vos nunca louv’en meu trobar;
mas ora quero fazer um cantar
en que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!

Ai, dona fea! Se Deus me pardon!
pois avedes [a] tan gran coraçon
que vos eu loe, en esta razon
vos quero já loar toda via;
e vedes qual será a loaçon:
dona fea, velha e sandia!

Dona fea, nunca vos eu loei
en meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já un bon cantar farei,
en que vos loarei toda via;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!

Tradução
Ai, senhora feia, foste-vos queixar
porque nunca vos louvo em minhas cantigas
mas agora quero fazer um cantar
em que vos louvarei, todavia;
e vede como vos quero louvar:
senhora feia, velha e louca.!

Senhora feia, assim Deus me perdoe,
pois tendes tão bom coração
que eu vos louvo, e por esta razão
eu vos quero louvar, todavia;
e vede qual será a louvação:
senhora feia, velha e louca!

Senhora feia, eu nunca vos louvei
em meu trovar, mas muito já trovei;
entretanto, farei agora um bom cantar
em que eu todavia vos louvarei:
e vos direi como louvarei:
senhora feia, velha e louca!

Nesse exemplo, o eu poético ocupa o espaço do trovador a quem uma mulher pediu uma poesia em sua homenagem, provavelmente uma cantiga de amor. No entanto, esse pedido é compreendido pelo artista como um abuso, por isso, em vez do sofrimento amoroso, o poeta escreve uma cantiga de escárnio, depreciando a mulher, apontando que, para ela, a única poesia possível é aquela que expõe como ela é feia e até maluca, por se achar merecedora de um texto de amor.

Se você achou que a cantiga anterior pegou pesado, espere até ler uma cantiga de maldizer, que baseia sua crítica em uma sátira direta, agressiva, que pode apresentar até mesmo palavras de baixo calão. Se a cantiga de escárnio não aponta o nome da vítima do autor, a de maldizer, em alguns exemplos, escreve mesmo o nome da pessoa a quem se refere. Seria como se hoje você publicasse uma direta nas redes sociais e ainda marcasse o alvo da sua crítica na publicação.

Isto acontece na cantiga de maldizer de Fernão Velho, pois o trovador revela o nome do alvo de sua crítica. Trata-se de Maria Balteira, que havia sido dona de mosteiro e era conhecida por dançar enquanto os jograis cantavam suas trovas.

Maria Pérez se maenfestou
noutro dia, ca por [mui] pecador
se sentiu, e log’a Nostro Senhor
pormeteu, polo mal em que andou,
que tevess’um clérig’a seu poder,
polos pecados que lhi faz fazer
o Demo, com que x’ela sempr’andou.

Tradução
Maria Peres se confessou
noutro dia, pois pecadora
se sentiu, e log’ a Nosso Senhor
prometeu, pelo mal em que andou,
pois tinha um clérigo em seu poder
pelos pecados que lhe faz fazer
o demônio, com quem sempre andou

Novela de cavalaria

O Trovadorismo não se reduz às cantigas, mas também é representado pela prosa épica através dos romances de cavalaria. Esse tipo de narrativa não se limita ao período trovadoresco, pois sua produção continua até o século XVI. As novelas de cavalaria representam os ideais da Idade Média, estabelecendo uma ponte entre os valores do Feudalismo e o misticismo religioso. Assim, os personagens centrais são cavaleiros que, cultuando a honra e a moral acima de tudo, buscam o reconhecimento social através de sua coragem para enfrentar a morte, de proteger os fracos, de seguir os padrões do amor cortês e respeitoso, além de serem pilares da espiritualidade. A principal obra de Amadis de Gaula.

Os estudos atuais

Há alguns anos já se observa a tentativa de recuperar a característica musical das cantigas trovadorescas. Uma das principais pesquisas, com impressionante acervo de canções, imagens de folhas originais dos cancioneiros e reproduções musicais de diversas cantigas é o site português “Cantigas Medievais Galego-Portuguesas”. Nele você tem acesso a diferentes versões de melodias para uma mesma cantiga. Do instrumental ao musicado, você é convidado a uma verdadeira viagem no tempo.

http://cantigas.fcsh.unl.pt/index.asp

A literatura de cordel: um elo com o Trovadorismo

No período da colonização, nossa relação com a Europa é mediada através de Portugal. Assim, os colonizadores trazem nas caravelas a tradição de cantar histórias, apresentando tanto as cantigas como os contos orais portugueses. Por toda a Europa, ampliadas pela imaginação popular e registradas em folhas soltas, as cantigas medievais, pouco a pouco, deixam herança para uma nova manifestação poética. Na França, era Littèrature de Colportage; na Espanha, Pliegos Sueltos; em Portugal, de Folhas Volantes e, no Brasil, a Literatura de Cordel.

Em nosso país, diversas narrativas europeias, em especial portuguesas – como as aventuras de João Grilo – adaptam-se a nossa cor local. Os folhetos, pendurados em uma corda e vendidos em feiras, tornam-se uma importante manifestação nacional, que até hoje cresce, em especial estimulada pelo interesse de turistas no Nordeste do Brasil, região em que o Cordel é mais popular.

Proezas de João Grilo
Proezas de João Grilo
 

O trovadorismo no Vestibular

QUESTÃO: (EsPCEx – 2013)

É correto afirmar sobre o Trovadorismo que

  • os poemas são produzidos para ser encenados.
  • as cantigas de escárnio e maldizer têm temáticas amorosas.
  • nas cantigas de amigo, o eu lírico é sempre feminino.
  • as cantigas de amigo têm estrutura poética complicada.
  • as cantigas de amor são de origem nitidamente popular.

Resposta comentada
No Trovadorismo, os poemas eram chamados de cantigas, ou seja, eram poesias musicadas, e não encenadas. As trovas eram acompanhadas de instrumentos musicais e, ao redor, as mulheres dançavam. As cantigas amorosas eram chamadas de cantiga de amor e de amigo; enquanto as de escárnio e maldizer são críticas muitas vezes cruéis e com palavrões. Nenhuma cantiga apresentada estrutura complicada porque se tratava de manifestações populares, de formas poéticas que facilitavam a memorização, em especial por meio do refrão. Além disso, os trovadores eram de origem nobre, bem como a amada da cantiga de amor. Já as cantigas de amigo apresentavam a voz de uma mulher simples. A resposta correta é, portanto, a letra C.

Bianca Karam
Doutora em Literatura Comparada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Professora da Fundação Osório

Pronomes de tratamento

 

Pronomes de tratamento
Pronomes de tratamento

(Fonte: https://amigopai.wordpress.com/2015/08/10/pronomes-de-tratamento/)

Formas de tratamento

Faça o que fizer, viva como viver, haverá sempre na vida aqueles contextos em que somos obrigados a nos comportar de maneira mais formal. Com a língua não é diferente, nesse sentido, os pronomes de tratamento (inseridos nas chamadas Formas de tratamento) são pronomes pessoais mais formais. Você vai utilizá-lo para se referir ou se dirigir, de modo mais reverente e formal, a alguma pessoa ou autoridade de posição social superior à sua. Veja na tabela alguns deles e em que momento se pode usá-los:

Pronome Abreviatura Quando usar
Vós não existe De uso restrito à linguagem litúrgica, ultraformal e/ou literária
Vossa Alteza V.A. Com príncipes e duques
Vossa Eminência V.Em.ª Com cardeais
Vossa Excelência V.Ex.ª Com autoridades de Estado (Presidente, senadores, ministros, etc.), magistrados (juízes, membros de tribunais, etc.), chefes do Executivo, autoridades militares (almirantes, generais, majores, etc.).
Vossa Magnificência V. Mag.ª Com reitores de universidades
Vossa Majestade V.M. Com reis e rainhas
Vossa Onipotência V. O. Quando se refere a Deus
Vossa Paternidade V.P. Com superiores de ordens religiosas
Vossa Reverendíssima V. Rev.ma Com religiosos em geral
Vossa Santidade V.S. Com o Papa
Vossa Senhoria V.Sª Em situações cerimoniosas e comunicações formais com autoridades em geral

Vamos só ver esses exemplos:

  • Vossa Excelência estará presente na solenidade?
  • Vossa Reverendíssima dará um sermão mais tarde.
  • O discurso da cerimônia de formatura será proferido por Vossa Magnificência.
  • Vossa Majestade cumpriu o protocolo esperado na missa.

Pronomes de tratamento x Pronomes pessoais

É importante não confundir os pronomes de tratamento com o pronome pessoal reto “vós”, que, muitas vezes, também é empregado estilisticamente para denotar respeito, destaque. Como exemplo de uso do pronome vós, vamos destacar o poema ‘A D. Joana’, de Castro Alves, poeta brasileiro autor de ‘Espumas Flutuantes’.

(No dia do seu aniversário)

Senhora, eu vos dou versos, porque apanho
Das flores d’alma um ramalhete agreste
E são versos a flora perfumada,
Que de meu seio a solidão reveste.

E vós que amais a parasita ardente,
Que abre como um suspiro em pleno maio,
E o aroma que anima o cálix rubro
— Talvez de uma alma perfumoso ensaio,

E esse vago tremer de níveas pétalas,
Que faz das flores meias borboletas,
O escarlate das malvas presumidas,
A modéstia infantil das violetas,

E essa linguagem transparente e meiga
Que a natureza fala nas campinas
Pelas vozes das brisas suspirosas,
Pela boca rosada das boninas…

Hoje, na vossa festa, em vosso dia,
Em meio aos vossos íntimos amores…
Juntai aos ramalhetes estes versos,
Pois versos de afeição… Também são flores!

(Fonte: http://www.jornaldepoesia.jor.br/calves14.html)

Regras de concordância

Ah! E tome cuidado com as regras de concordância que se aplicam aos pronomes de tratamento. Seja qual for o tratamento, o verbo deve se flexionar como se estivéssemos diante da palavra “você”; não de “vós”.

Você saiu. Logo, Vossa Magnificência saiu. Vossa Majestade saiu. Nada de “saíste” ou “saístes”, pois não tem nada a ver com “vós”!

Há ainda pronomes de tratamento menos formais, mais usuais na conversação diária:

Pronome Abreviatura Quando usar
Você V. Em situações mais íntimas, familiares e informais em geral
Senhor/Senhora Sr./Srª. Com pessoas com quem tenhamos um relacionamento distante, mas com quem tenhamos respeito
Senhorita Srta. Para nos referirmos, de maneira cordial, a uma mulher solteira

Convém lembrar que em algumas regiões do Brasil e em Portugal prefere-se o pronome pessoal tu ao você. Como a Língua é rica não é mesmo? Nos cursos ProEnem e ProMilitares, as aulas sobre formas de tratamentos são sempre uma das mais requisitadas.

Há ainda uma extensa lista de pronomes que devem ser usados em cerimoniais nobres e reais. Esses, incomuns no dia a dia e nas conversas informais, também são de uso restrito. Você poderá encontrar alguns deles, a título de curiosidade, na tabela abaixo:

Pronome Abreviatura Quando é ou foi usado
Sua Majestade S. M. Com reis e rainhas
Sua Majestade Imperial e Real S. M. I. R. Quando a pessoa é ao mesmo tempo rei e imperador – não é mais utilizado atualmente
Sua Majestade Imperial e Fidelíssima S. M. I & F. Usado pelos reis de Portugal que também eram imperadores do Brasil
Sua Majestade Imperial S. M. I. Com imperadores e imperatrizes
Sua Alteza Imperial S. A. I Usado por príncipes ou princesas de uma família real
Ilustríssimo Il.mo Com membros da nobreza brasileira

Você sabia? O pronome você atual tem suas raízes na forma vossa mercê, muito usada para se referir a pessoas com quem não poderíamos usar a forma tu. Através da evolução da língua portuguesa, a expressão se transformou, virando o que hoje conhecemos. Na imagem a seguir, você poderá conhecer cada passo dessa evolução:

Metamorfose do pronome de tratamento “você”
Metamorfose do pronome de tratamento “você”

(Fonte: http://www.portugueselegal.com.br/2015/11/)

Para finalizar nossa conversa sobre pronomes de tratamento, uma nota! Nessas formas de tratamento, também pode se usar ‘Sua’. Usamos ‘Vossa’ quando falamos com a pessoa, não sobre ela. Exemplo:

  • Espero que Vossa Excelência, Michel Temer, compareça ao encontro no Museu Nacional.

Por outro lado, usamos o ‘sua’ quando falamos sobre a pessoa. Exemplo:

  • Todos os membros presentes afirmaram que Sua Magnificência, o Professor Reitor da Universidade, tem agido com sabedoria para lidar com situações adversas.

Entendido, senhores?

 

Autor:

Juan Rodrigues é graduado em Letras-Português/Inglês (UVA) e especialista em Língua portuguesa (CELLP). É membro da comissão corretora de redações da plataforma ProENEM.

Alfabeto grego

Hoje, vou falar com vocês sobre o alfabeto grego e a sua importância para o ENEM! Afinal, o que é o alfabeto grego?

Comparativo do alfabeto grego com os outros alfabetos

Comparativo do alfabeto grego com os outros alfabetos

(Fonte: https://www.quora.com/What-is-the-evolutionary-history-of-English-letters)

Chama-se alfabeto grego o conjunto de 24 letras usado para escrever na língua grega. Estudiosos, baseados em inscrições deixadas em artefatos antigos encontrados, estimam que ele tenha surgido entre os séculos VIII e IX A.C., sendo uma evolução do antigo alfabeto fenício. Você pode notar isso, ao comparar o atual alfabeto grego com o fenício, quando se percebe que as formas das letras são bastante parecidas. Além disso, os alfabetos latino (o sistema de escrita mais utilizado no mundo) e cirílico (utilizado principalmente em partes da Europa e na Ásia – empregado também no russo, por exemplo) surgiram do grego, como você viu na imagem anterior.

As letras gregas na ciência

As letras gregas na ciência
As letras gregas na ciência

(Fonte: http://www.matematicamania.com.br/2015/o-eterno-pi/)

E não é por aí que termina a importância do alfabeto grego. Atualmente, algumas de suas letras são utilizadas em outros campos do conhecimento como na matemática e na química. Vamos ver alguns exemplos?Na matemática, o uso mais clássico de uma letra grega é o pi (Ππ), principalmente nas fórmulas A = πr2 e A = π(d/2)2 (que são usadas para determinar a área do círculo) e C = 2πr e C = πd (usadas para determinar o perímetro do círculo). Atribui-se à constante o valor aproximado de 3,14, embora estudos já tenham proposto que esse valor atinja milhões de casas decimais (conforme a imagem acima). Também usamos o delta (Δδ) para indicar os determinantes de matrizes e em equações do segundo grau (através da fórmula de Bhaskara). Por último, podemos destacar que as raízes de equações quadráticas se chamam alfa e beta e podem ser indicadas pelas letras correspondentes (α / β). Esses são somente alguns dos usos do alfabeto grego nessa área do conhecimento.Já na química, usamos as letras alfa (α), beta (β) e gama (γ) para nos referirmos a tipos de partículas, em estudos sobre radiação e decaimento radioativo.Na física, também se emprega o delta maiúsculo (Δ) para representar a diferença entre duas variáveis. Exemplos disso são as expressões: ΔS (deslocamento, variação de espaço entre um ponto inicial e outro final) e ΔT (variação de tempo entre um instante inicial e um instante final). Além disso, a fórmula para determinar a velocidade média de um corpo móvel, VM = ΔS/ΔT, usa ambas as determinantes citadas. O ômega maiúsculo (Ω) é usado como símbolo do ohm, unidade de medida usada para se referir a resistências elétricas. Por último, podemos destacar o uso do tau ( τ) para indicarmos o torque, grandeza física associada ao movimento de rotação de um corpo.

Quais eram as letras gregas?

O alfabeto grego contemporâneo é formado por um conjunto de 24 letras, de alfa a ômega. Como acontecia nos sistemas latino e cirílico, o grego também possuía uma única forma para letras, não havendo diferenciação entre maiúsculas e minúsculas. O caso minúsculo surgiu durante a era moderna, possivelmente no início do século XVI, em paralelo com o latim. Na tabela a seguir, você consegue perceber a correspondência entre as letras e as latinas.

Letra Nome
Α α Alfa
Β β Beta
Γ γ Gama
Δ δ Delta
Ε ε Épsilon
Ϝ ϝ Digama
Ζ ζ Zeta
Η η Eta
Θ θ ϑ Teta
Ι ι Iota
Κ κ Κapa
Λ λ Lambda
Μ μ Mi
Ν ν Ni
Ξ ξ Csi
Ο ο Ômicron
Π π Pi
Ϻ ϻ San
Ϙ ϙ Qoppa
Ρ ρ
Σ σ,ς Sigma
Τ τ Tau
Υ υ Upsilon
Φ φ Fi
Χ χ Chi
Ψ ψ Psi
Ω ω Omega
Ϡ ϡ Sampi

Diferente, não é mesmo? E havia algumas mais diferentonas ainda. É o caso das letras Ϝ ϝ, Ϙ ϙ e Ϡ ϡ, que caíram em desuso rapidamente e não são usadas no alfabeto grego contemporâneo.

Conhecer a língua grega nos ajuda a conhecer ainda mais nossa própria língua portuguesa e, mais do que isso, nossa própria cultura. Bons estudos!

Quer saber mais?

‘Alfabeto Grego e Pronúncia’, com pronúncia de cada letra.

Alfabeto Grego cantado

O que cai no ENEM em História?

A pergunta é relevante o pode ser respondida na forma de outro questionamento: para que estudamos História? Pode-se até iniciar a resposta com a clássica frase, típica do ensino primário: “Estudamos a História para conhecer o passado, entender o presente e melhorar o futuro!”. Contudo, precisamos ir além desta “fórmula” linear e idealizada.

A compreensão do passado, de fato, nos ajuda a entender o presente, o que nos situa no mundo,; no meio social em que vivemos, tornando-nos indivíduos críticos, analistas da realidade, com vistas a transformá-la – ou não! Este é o sentido do estudo da disciplina, e representa também o primeiro passo para dominar o que cai no ENEM em História.

Assim, o mais cobrado não é um apanhado de fatos importantes, processos pormenorizados, datas e afins, que o aluno deve apenas decorar e reproduzir – o tão famoso factual. Não que ele não apareça, vez ou outra, mas não se destaca como característica predominante na prova. O ENEM busca que o candidato tenha pensamento crítico. Assim, o citado factual surge como contexto para a reflexão; o pano de fundo para o protagonista da História (o aluno; ser social) desenvolver sua atuação (refletir; pensar criticamente).

Para demonstrar melhor o que cai no ENEM em História, exemplificamos, com questões do mais recente exame, a característica principal da prova e uma questão centrada no factual, nesta ordem:

Questão 79 – caderno azul do ENEM 2017,

TEXTO I

Sólon é o primeiro nome grego que nos vem à mente quando terra e dívida são mencionadas juntas. Logo depois de 600 a.C., ele foi designado “legislador” em Atenas, com poderes sem precedentes, porque a exigência de redistribuição de terras e o cancelamento das dívidas não podiam continuar bloqueados pela oligarquia dos proprietários de terra por meio da força ou de pequenas concessões.

FINLEY, M. Economia e sociedade na Grécia antiga. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013 (adaptado).

TEXTO II

A “Lei das Doze Tábuas” se tornou um dos textos fundamentais do direito romano, uma das principais heranças romanas que chegaram até nós. A publicação dessas leis, por volta de 450 a.C., foi importante, pois o conhecimento das “regras do jogo” da vida em sociedade é um instrumento favorável ao homem comum e potencialmente limitador da hegemonia e arbítrio dos poderosos.

FUNARI, P. P. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2011 (adaptado).

O ponto de convergência entre as realidades sociopolíticas indicadas nos textos consiste na ideia de que a

  1. discussão de preceitos formais estabeleceu a democracia.
  2. invenção de códigos jurídicos desarticulou as aristocracias.
  3. formulação de regulamentos oficiais instituiu as sociedades.
  4. definição de princípios morais encerrou os conflitos de interesses.
  5. criação de normas coletivas diminuiu as desigualdades de tratamento.

Questão 81 – caderno azul do ENEM 2017,

Estão aí, como se sabe, dois candidatos à presidência, os senhores Eduardo Gomes e Eurico Dutra, e um terceiro, o senhor Getúlio Vargas, que deve ser candidato de algum grupo político oculto, mas é também o candidato popular. Porque há dois “queremos”: o “queremos” dos que querem ver se continuam nas posições e o “queremos” popular… Afinal, o que é que o senhor Getúlio Vargas é? É fascista? É comunista? É ateu? É cristão? Quer sair? Quer ficar? O povo, entretanto, parece que gosta dele por isso mesmo, porque ele é “à moda da casa”.

A Democracia. 16 set. 1945, apud GOMES, A. C.; D’ARAÚJO, M. C. Getulismo e trabalhismo. São Paulo: Ática, 1989.

O movimento político mencionado no texto caracterizou-se por

  1. reclamar a participação das agremiações partidárias.
  2. apoiar a permanência da ditadura estadonovista.
  3. demandar a confirmação dos direitos trabalhistas.
  4. reivindicar a transição constitucional sob influência do governante.
  5. resgatar a representatividade dos sindicatos sob controle social.

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Com o foco da prova esclarecido, pode-se dar uma resposta técnica à pergunta inicial, e mostrar o que cai no ENEM em História, com os conteúdos mais cobrados divididos por frente, com alguns gráficos bem legais elaborados pelo Proenem, a partir de pesquisa feita pela equipe de História. Você pode conferir os vídeos do raio-x do ENEM, feitos em 2017 e disponíveis em nosso canal do youtube. As informações ali contidas foram atualizadas neste artigo, mas a prova se manteve quase “milimetricamente” no mesmo padrão.

História do Brasil é, de longe, o que mais cai no ENEM em História. A prova propõe uma reflexão sobre a sociedade em que está inserido o candidato, sobre sua formação.

Quais os assuntos mais relevantes para o Exame?

Lógico é que tenha foco no Brasil, nas relações culturais, movimentos sociais, relações governamentais e institucionais referentes ao país. Desde que chamado “Novo Enem” estreou, em 2009, já foram 174 questões de História do Brasil, o que corresponde a 57% do total de questões de História.

As questões de História geral totalizaram 108 até a prova de 2017, correspondendo a 36%. Há, ainda, 21 questões que rotulamos como outros, referentes à Pré-História (1 questão), Teoria da História (5 questões) e Memória (15 questões), correspondendo a 7% do total. É notável que uma temática recente que tem ganhado espaço nas universidades e centros de pesquisa, também tem aparecido com frequência no ENEM, associada aos conteúdos que elencamos: a História Pública e os estudos sobre Patrimônio. Observe o gráfico:

Conhecer o período mais longo da História do Brasil também é relevante para dominar o que cai no ENEM em História. O período colonial (1500-1922), base da formação brasileira – é, disparado, o mais abordado, tratando-se de temáticas como escravidão e resistência negra, relações culturais, relações sociais, processo de formação econômica e organização política. Segue-se à colônia, o período imperial (1822-1889), em que também é abordada a questão da escravidão e da resistência negras, bem como o processo de construção da nacionalidade e do Estado.

O período republicano é bem amplo…, vamos dividi-lo. A Primeira República, ou República Velha (1889-1930) é a campeã deste bloco, com grande foco nas relações e nos movimentos sociais do período. A ditadura militar (1964-1985) é outra partição do período republicano que recebe destaque, abordando seu caráter repressivo e antidemocrático ou relacionando-o ao período democrático posterior (o atual, pós-1985).

A Era Vargas (1930-1945) é tão constante no rolê quanto a ditadura, nesse sentido, recebe grande atenção não só o chamado Trabalhismo como a relação do governo com os trabalhadores e movimentos sociais. Vargas aparece também, junto a outros personagens políticos, na abordagem dada à República Liberal ou Populista (1945-64), em que os projetos e as relações político-econômicos e a sociedade são trazidos aos holofotes. Um pouco desfocada está a chamada Nova República (1985-atualmente), cuja organização política e social é  destacada, como você percebe no gráfico abaixo:.

E o que cai no ENEM em História Geral?

A Idade Contemporânea lidera o ranking e, tem – como um dos principais tópicos abordados – o contexto da Segunda Guerra Mundial, em que o Período Entreguerras bem como a ascensão dos fascismos oue ideologias correlatas recebem grande atenção. Guerra Fria também é um conteúdo de destaque, especialmente no que se refere à descolonização. O fenômeno do Imperialismo, associado aos Estados Unidos no século XIX, figuram como conteúdo também cobrado com frequência razoável. As atualidades, ou mundo contemporâneo, também são frequentes, geralmente em associação à geografia, mesmo atentando-se para o fato de que “a História está, no ENEM, muito mais próxima da sociologia do que da geografia”, como destaca o professor Otto Barreto no Raio-x do ENEM.

A Modernidade recebe muito destaque., Podemos incluir no período –, além de temas clássicos como Reforma Protestante, Absolutismo, Renascimento e Formação do Estado Nacional –, a colonização da América, e a África no período, e as Revoluções Burguesas.

Destas últimas, destaca-se a Revolução Industrial. O tema é, junto com Memória e Patrimônio, o conteúdo que mais cai no ENEM em História. A dica, para você que quer mandar bem, é dedicar especial atenção às consequências sociais deste processo – tanto da Primeira (século XVIII) quanto da Segunda (século XIX) fases.

Antiguidade Clássica é, com perdão do trocadilho, um conteúdo clássico do ENEM., São questões sobre cidadania, democracia, república, lutas sociais, civilização e outras cruciais para se entender a construção do mundo atual. O período Medieval aparece com média [;)] frequência, o que já não ocorre com Antiguidade Oriental, Estados Unidos no século XIX e mundo árabe, que aparecem muito pouco. Não esqueçamos, também, das questões envolvendo memória, teoria da História e Pré-História, com pouca incidência. Vejamos o gráfico abaixo:

Os conteúdos que fazem a diferença para sua aprovação estão organizados com resumos, vídeos e questões na Plataforma do ProEnem. Agora que você já está por dentro de tudo o que cai no ENEM em história, é hora de arregaçar as mangas e embarcar nessa viagem de preparação rumo à universidade dos seus sonhos.

O que cai no ENEM em Geografia

Como estudar geografia para o ENEM?

Se você quer mandar bem em geografia no ENEM, o primeiro passo é ficar por dentro do que esta ciência estuda, ou seja, qual seu objeto de estudo. Desse modo, a geografia tem como objetivo compreender as interações entre a sociedade e a natureza, em outras palavras, como o homem se relaciona com o espaço em que vive.

Sim! De fato o conteúdo visto em geografia é muito vasto e horizontal. Qualquer interação do ser humano com a natureza (e são muitas!) pode ser analisada pelo olhar de um geógrafo. Além disso, por ser uma ciência horizontal, ela tange outras disciplinas, como história, sociologia, biologia, química… Mas isso não quer dizer que você, vestibulando do ENEM, precise ser um geógrafo nato para lacrar no exame, tampouco conhecer timtim por timtim de cada fenômeno, de cada canto da Terra para conseguir aquela vaga na universidade dos sonhos.

A interdisciplinaridade, então, é muito importante para estudar o que cai no enem em Geografia. Saber relacionar os fenômenos e contextos com as outras disciplinas cobradas na prova é essencial. Por exemplo, quando se estuda cartografia é preciso entender a escala ou defini-la. Nesse caso, utilizamos a matemática como base. Já quando se estuda industrialização brasileira, entende-se automaticamente que o processo de industrialização desenha-se em paralelo com o contexto histórico.

Além da percepção desse caráter interdisciplinar, é necessário perceber que a prova do ENEM é também bastante atual. Dessa forma, os temas abordados envolvem os conteúdos de geografia aplicados a questões de atualidades. Você, portanto, precia estar antenado nos acontecimentos, nos noticiários… enfim, no que rola no mundo!

Principais conteúdos que caem no ENEM

Globalização

A globalização é a atual fase de expansão do capitalismo informacional. É notável pelo aumento da internacionalização das relações econômicas e sociais. Economia mais integrada e conectada 24h por dia e a formação de uma cultura global, por exemplo, podem ser percebidos como efeitos da globalização.

Teorias Demográficas

Um dica importante é conhecer, logo de cara, as três principais teorias (Malthusiana, Reformista e Neomalthusiana) e saber confrontar cada uma destas. Nesse sentido, é interessante associar o contexto histórico das teorias, compreender suas definições, previsões e possíveis mitigações.

Relevo

É essencial compreender os processos de formação de relevo, sobretudo, no Brasil. Ou seja, entender porque não possuímos dobramentos modernos e, por consequência, porque temos um relevo mais rebaixado. Assim, também é importante assimilar na formação do relevo os agentes externos que também moldam o mesmo.

Solos e Rochas

Você deve entender a formação dos solos (pedogênese) é relevante para assimilar tipos de atividades realizadas no território brasileiro. Também é interessante conhecer os principais tipos de solos, como a terra roxa, massapé, latossolo.

Terceira Revolução Industrial

A Terceira Revolução Industrial – também conhecida como Revolução Técnico-Científico-Informacional – é a revolução que estimula a expansão da globalização por meio da informatização e do aumento de interação entre os fluxos (financeiros, informacionais, etc.). Assim, é importante compreender a quebra de paradigma da Terceira R.I. com as demais anteriores, ou seja, entender as relações de trabalho e produção.

Migrações Internacionais e Novos Fluxos Migratórios

Ter noção dos principais fluxos históricos migratórios é outro passo importante! Você deve conhecer, por exemplo, o período das colonizações das Américas que provocou a migração compulsória de negros escravos africanos e as vindas de europeus para o continente americano. Porém, não tire os olhos das problemáticas atuais, que também estimulam grandes fluxos migratórios, principalmente pela crise dos refugiados.

Questões Ambientais

Estude os principais impactos ambientais: como podem afetar o cotidiano dos seres humanos, sobretudo, em grandes cidades. É importante conhecer medidas de prevenção ou mitigação de tais impactos.

Clima

É importante conhecer fatores, elementos do clima, e como a combinação deles constituem um clima. Esteja atento aos climas do Brasil e aos fenômenos a que o território nacional está sujeito, como por exemplo o El Niño e La Niña.

Projeções Cartográficas

A noção de que a cartografia não é fiel à realidade é muito importante. Não é possível retratar uma realidade tridimensional em um planisfério, portanto, vão existir informações ressaltadas em detrimento de outras. A cartografia é um instrumento político-ideológico, assim é necessário entender as principais projeções e suas características.

Fontes de Energia

Fique ligado! Além de compreender as características das principais fontes energéticas é necessário relacionar essas fontes ao meio geográfico, ou seja, entender quais são as mais adequadas para serem exploradas em determinados lugares e para quais atividades. Nesse sentido, é importante entender os pontos positivos e negativos tanto de implementação, quanto de operacionalização das fontes de energia.

O que fazer então?

Percebemos, assim, que ao analisar os principais temas que mais caem na prova, entendemos, de fato, que, para estudar esta área com foco no ENEM, é necessário compreender as interações do homem com o espaço em que ele vive. Vemos nos principais temas que saber relacionar os conteúdos facilita no processo de estudo, principalmente contextualizando com questões atuais.

Assim, fica então mais uma dica. Um mesmo tema pode ter diferentes abordagens, por exemplo, a geográfica, a biológica e a química, entre outras.  Portanto, sob diferentes vieses e explicações, procure entender todos os lados. Praticar uma visão integrada daquilo que se estuda e entender a relevância do conteúdo para o seu cotidiano é uma forma de tornar o estudo mais leve e consequentemente mais proveitoso. #ficaadica

Agora, que você já está por dentro dos conteúdos mais cobrados, partiu estudar?