O que cai no ENEM em Português?

Veja o que cai em Português no ENEM

Olá! Existe um mito de que para o ENEM a gramática não é importante. Cuidado: a gramática é importante, sim, não só para as questões objetivas quanto para pontuar na Competência 1 de sua redação. São 200 pontos de 1000 só para seus conhecimentos gramaticais.

Português representa, na verdade, um dos temas compreendidos na prova de linguagem que distribui entre as questões a cobrança sobre Literatura, interpretação textual, gêneros textuais, educação física e arte, tecnologia da informação e Língua Portuguesa.

A verdade é que cada tópico desses merece muita atenção, mas em se tratando do conteúdo voltado para língua, podemos destacar alguns temas como principais:

Variação linguística

Toda língua viva é necessariamente dinâmica. Ou seja, sofre alterações diversas ao longo de seu uso. Sendo assim, podemos entender a variação linguística como as diferentes formas que determinada língua assume durante a utilização dos falantes.

Ora, as pessoas apresentam comportamentos diferentes a partir de sua idade, escolaridade, sexo, naturalidade, classe social, situação de uso, etc. Por isso, essas mesmas situações influenciam diretamente na maneira como a língua é usada por esse falante. Daí nascem as variações linguísticas.

Diferenças vocabulares, entoação, sotaques regionais, variações históricas e de situação são alguns fatores que podem provocar a variação linguística.

Exemplo de variação regional

Semântica

Semântica representa a parte do Português que diz respeito à significação que as palavras apresentam dentro de um determinado contexto, em determinados usos. A semântica ocupa-se do estudo da sinonímia, antonímia, paronímia, homonímia, polissemia, denotação, conotação, entre outras, e das significações que as palavras assumem durante uma comunicação.

Nessa imagem, o termo “rede social” é polissêmico, pois pode ser entendido como a rede física, na qual todos os personagens estão, ou como uma das redes usadas para comunicação (Facebook, WhatsApp, Instagram, etc). A semântica explora justamente os sentidos e significados possíveis das palavras ou expressões.

Nessa imagem, o termo “rede social” é polissêmico, pois pode ser entendido como a rede física, na qual todos os personagens estão, ou como uma das redes usadas para comunicação (Facebook, WhatsApp, Instagram, etc). A semântica explora justamente os sentidos e significados possíveis das palavras ou expressões

Concordância

Concordância é a harmonia que os termos da oração apresentam entre si. Assim, algumas palavras, expressões ou mesmo orações, quando estabelecem uma relação de dependência entre si, devem demonstrar com quais elementos estão ligadas. E isso é evidenciado através das flexões: de número e gênero, para os nomes e de número e pessoa, para os verbos.

Assim, podemos dividir a concordância em duas: a concordância nominal, que trata da relação de dependência entre os substantivos e os termos a ele ligados (pronomes, artigos, adjetivos, numerais) e a concordância verbal, que regulamenta a forma como o verbo deve ser conjugado.

Acentuação gráfica

É o conjunto de normas que regulamentam o uso de acentos gráficos e que determinam a correta pronúncia das palavras, o que pode provocar alteração na significação também.

Para fazer a acentuação correta das palavras, é preciso saber identificar a sílaba tônica (mais forte) das palavras. Assim, as palavras podem ser classificadas como oxítonas (última sílaba mais forte), paroxítona (penúltima sílaba mais forte) ou proparoxítona (antipenúltima sílaba mais forte). Observe a seguir um quadro resumido com as regras de acentuação:

Crase

A crase é um fenômeno fonético ( ` ) que representa a junção da preposição “a” com o artigo feminino “a” e por isso só costuma ser usado junto a nomes femininos. Além disso, pode haver crase também na combinação da mesma preposição “a” com pronomes demonstrativos que se iniciem com a letra “a” (aquele e variantes, a qual e variantes, por exemplo). Crase é também um dos grandes terrores dos estudantes, mas não é nada impossível de ser aprendido.

Pontuação

Os sinais de pontuação são usados para estruturar as frases escritas de forma lógica e coerente, a fim de que elas tenham significado e sejam de fácil compreensão. A pontuação é tão importante na linguagem escrita quanto a entonação, os gestos, as pausas e até o tom de voz são na linguagem oral. Bem empregados, os sinais de pontuação são um grande recurso expressivo e são capazes de mudar a significação de um trecho ou de acrescentar outros significados. Olha só:

Ex.: Raquel não me respondeu. Quando a procurei, já era tarde.
Raquel não me respondeu quando a procurei. Já era tarde.

Nesse exemplo, a pontuação diferenciada mudou completamente a significação do trecho. Veja agora um modelo de questão que envolve pontuação no ENEM:

(ENEM, 2017) O homem disse, Está a chover, e depois, Quem é você, Não sou daqui, Anda à procura de comida, Sim, há quatro dias que não comemos, E como sabe que são quatro dias, É um cálculo, Está sozinha, Estou com o meu marido e uns companheiros, Quantos são, estamos de passagem, Donde vêm, Estivemos internados desde que a cegueira começou, Ah, sim, a quarentena, não serviu de nada, Por que diz isso, Deixaram-nos sair, Houve um incêndio e nesse momento percebemos que os soldados que nos vigiavam tinham desaparecido, E saíram, Sim, Os vossos soldados devem ter sido dos últimos a cegar, toda a gente está cega, Toda a gente, a cidade toda, o país
(Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.)

A cena retrata as experiências das personagens em um país atingido por uma epidemia. No diálogo, a violação de determinadas regras de pontuação

A – revela uma incompatibilidade entre o sistema de pontuação convencional e a produção do gênero romance.
B – provoca uma leitura equivocada das frases interrogativas e prejudica a verossimilhança.
C – singulariza o estilo do autor e auxilia na representação do ambiente caótico.
D – representa uma exceção às regras do sistema de pontuação canônica.
E – colabora para a construção da identidade do narrador pouco escolarizado.

Figuras de Linguagem

As figuras de linguagem são recursos de nosso idioma capazes de tornar as mensagens que emitimos mais expressivas e significativas. Esses recursos podem ampliar o significado de uma oração ou suprir lacunas de uma frase, acrescentando novos significados.

De maneira geral, as figuras de linguagem enriquecem o texto, ampliando sua significação. As figuras de linguagem se dividem em: Figuras de Palavras, Figuras de Pensamento e Figuras de Construção, mas todas elas contribuem para enriquecer o texto.

Desse modo, você percebe que a Língua Portuguesa é o Código utilizado para relacionar você a todas as áreas de conhecimento. Isso já representa a relevância do estudo da língua para sua prova. Não saber pontuação, por exemplo, pode atrapalhar sua interpretação desde as questões de Filosofia até às de Física. Nesse sentido, é necessário reforçar o estudo de Português, inclusive da modalidade padrão, da qual você dependerá tanto quando ingressar no nível superior.

Tipos de sujeito

Precisa de ajuda para identificar e classificar os tipos de sujeito de uma oração?

Como achar o sujeito em uma frase?

Antes de aprendermos a identificar os tipos de sujeito, é preciso aprender a encontrá-los dentro do período. Isso porque esse termo sintático pode aparecer no início (lugar mais comum), no meio ou ainda no final da oração.

Então como fazer para conseguir identificar esse termo? É fácil! Geralmente, basta que você destaque o verbo da oração e faça as perguntas “O quê?” ou “Quem?” + verbo. A resposta que você encontrar para essa pergunta costuma ser o sujeito da oração. Saca só como é fácil:

Ex. 1: “Você nunca mais vai trabalhar nesta cidade”. (EEAR, 2018)

Qual o sujeito do verbo TRABALHAR? Basta perguntarmos: “Quem nunca mais vai trabalhar nessa cidade:” A resposta a essa pergunta é: “Você”. Logo, o sujeito do verbo TRABALHAR é “você” tudo o que sobra na oração é predicado: “nunca mais vai trabalhar nessa cidade:”.

Ex. 2: “Chama atenção das pessoas atentas, cada vez mais, o quanto se forjam nos meios de comunicação modelos de comportamento ao sabor de modismos lançados pelas celebridades do momento.” (EXPCEX, 2013)

Qual o sujeito do verbo FORJAR? Basta perguntarmos “O que se forja nos meios de comunicação?” A resposta a essa pergunta é : “modelos de comportamento”. Logo, o sujeito do verbo FORJAR é “modelos de comportamento” e tudo o que sobra na oração é predicado: “o quanto se forjam nos meios de comunicação”.

Ex. 3: Ocorrem muitos acidentes nas Avenidas Federais.

Qual o sujeito do verbo OCORRER? Basta perguntarmos: “O que ocorre nas Avenidas Federais?” A resposta a essa pergunta é : “muitos acidentes”. Logo, o sujeito do verbo OCORRER é “muitos acidentes” e tudo o que sobra na oração é predicado: “ocorrem nas Avenidas Federais”.

E se liga em mais um detalhe: depois que você encontra o sujeito, tudo o que sobra na oração faz parte do predicado, inclusive o próprio verbo. E, se o sujeito não estiver expresso, escrito na oração, a frase toda será predicado. Lembrar disso vai te ajudar a classificar os tipos de predicado, quando você avançar mais um pouquinho nos estudos.

Pronto! Agora que você já aprendeu a destacar os sujeitos, vamos ver como podemos classificar os tipos de sujeito? Bora lá!

Quantos e quais são os tipos de sujeito possíveis?

Os sujeitos de uma oração se dividem em cinco tipos diferentes, que são classificados dependendo das informações que eles acrescentam à oração. Olha só como é fácil:

  1. Sujeito simples: o sujeito será classificado como simples quando ele apresentar um único núcleo, ou seja, falar de uma única coisa ou de um único grupo de coisas.

Ex.: “A organização dos concursos fez com que os urubus se sentissem importantes.”

Na frase: A organização dos concursos fez com que os urubus se sentissem importantes. O núcleo do sujeito de fez é:

A) urubus
B) concursos
C) dos concursos
D) organização
E) Nenhuma das respostas anteriores

Qual é o sujeito do verbo FAZER? Basta perguntarmos “Quem fez com que os urubus se sentissem importantes?” A resposta é “a organização dos concursos”. Como o núcleo desse sujeito é “organização”, o sujeito é simples.

  1. Sujeito composto: já o sujeito será classificado como composto quando apresentar dois ou mais núcleos, ou seja, falar de dois ou mais grupos de coisas.

Ex.: “Naus e navegação têm sido uma das mais poderosas imagens na mente dos poetas” (EFOMM, 2017)

Todas as opções apresentam sujeito inexistente, EXCETO:

A) E como faz calor, veja, os lagostins saem da toca.
B) Ou então vamos jogar bola-preta: do outro lado do jardim tem um pé de saboneteira.
C) Agora devem ser três horas da tarde, as galinhas lá fora estão cacarejando de sono, você gosta de fruta-pão assada com manteiga?
D) Mas não consigo imaginá-la assim; talvez se na praia ainda houver pitangueiras…
E) Linda como a areia que a onda ondeou. Saíra grande!

O sujeito dessa oração é “Naus e navegação”. Como esse sujeito se refere a duas coisas diferentes, apresenta dois núcleos, ele é um exemplo de sujeito composto.

  1. Sujeito oculto ou elíptico ou desinencial: tanto nome diferente para um sujeito que nem aparece escrito na frase. Ora, mas se esse sujeito não aparece escrito, como a gente consegue identificá-lo? É fácil. Basta olhar para a conjugação do verbo. É justamente a terminação verbal que vai denunciar qual é o sujeito.

“Exercia influência somente em pessoas menos atentas”. (EEAR, 2012)

Assinale a alternativa que apresenta a correta classificação do sujeito na frase.
a) Desconfiaram da idoneidade daquela empresa. (sujeito oculto)
b) Grandes contradições econômicas atingem nosso país. (sujeito composto)
c) Exercia influência somente em pessoas menos atentas. (sujeito indeterminado)
d) No mundo, existem várias organizações preocupadas com a preservação do meio ambiente. (sujeito simples)

Quem exercia influência sobre as pessoas desatentas? O sujeito ELE não está escrito na frase, mas pode ser recuperado pela terminação verbal. Logo, o sujeito da frase é oculto.

Mas se liga no seguinte: o sujeito só será classificado como oculto quando o verbo estiver conjugado em uma das cinco primeiras pessoas verbais (eu, tu, ele, nós e vós) e ele não puder ser recuperado pelo contexto, não estar expresso em outra parte do texto. Quando o verbo estiver conjugado na terceira pessoa do plural (eles), teremos outro tipo de sujeito. Olha só a diferença…

  1. Sujeito indeterminado: esse tipo de sujeito pode vir representado de duas diferentes maneiras. A primeira delas é bastante parecida com o sujeito oculto, porque o sujeito pode ser recuperado pela terminação do verbo, que deve estar conjugado na terceira pessoa do plural (eles). A diferença entre essa forma do sujeito indeterminado e o sujeito oculto se deve à diferença de significado. Mais ou menos assim: você usa o sujeito oculto quando fica com preguiça de escrever o sujeito, porque ele pode ser identificado com facilidade pela terminação do verbo. Já o sujeito indeterminado é usado quando você não sabe quem praticou a ação ou não quer identificar o autor. A diferença entre os dois é semântica (de significado, de intenção), apesar de a estrutura ser bem parecida. Moleza, NÉ?

Ex.: “Aniquilaram as fontes de resistência na zona de conflito no país. “(EEAR, 2018)

Todas as opções apresentam sujeito inexistente, EXCETO:
A) E como faz calor, veja, os lagostins saem da toca.
B) Ou então vamos jogar bola-preta: do outro lado do jardim tem um pé de saboneteira.
C) Agora devem ser três horas da tarde, as galinhas lá fora estão cacarejando de sono, você gosta de fruta-pão assada com manteiga?
D) Mas não consigo imaginá-la assim; talvez se na praia ainda houver pitangueiras…
E) Linda como a areia que a onda ondeou. Saíra grande!

Nesse exemplo não é possível saber quem foi o agente responsável pela aniquilação das fontes de resistência. O verbo está na terceira pessoa do plural e por isso o sujeito é classificado como indeterminado. Se a frase fosse: “Aniquilamos as fontes de resistência na zona de conflito do país”, o sujeito da frase seria oculto (nós), porque pode ser recuperado pela conjugação do verbo.

Já a outra maneira representar o sujeito oculto usa a partícula –SE, que recebe o nome de índice de indeterminação do sujeito. Essa partícula aparece bem pertinho do verbo, que precisa estar sempre conjugado na terceira pessoa do singular (ele) e que não aceita plural de jeito nenhum. Pra isso, o verbo da oração que você está analisando pode ser qualquer um, menos verbo transitivo direto. Se você não lembra o que é isso, dá uma olhadinha em transitividade verbal. Vai entender rapidinho e verá que é bem tranquilo perceber a diferença.

Ex.: “Trata-se de casos emblemáticos”. (EEAR, 2018)

Todas as opções apresentam sujeito inexistente, EXCETO:
A) E como faz calor, veja, os lagostins saem da toca.
B) Ou então vamos jogar bola-preta: do outro lado do jardim tem um pé de saboneteira.
C) Agora devem ser três horas da tarde, as galinhas lá fora estão cacarejando de sono, você gosta de fruta-pão assada com manteiga?
D) Mas não consigo imaginá-la assim; talvez se na praia ainda houver pitangueiras…
E) Linda como a areia que a onda ondeou. Saíra grande!

  1. Sujeito inexistente: o sujeito inexistente vai aparecer em orações que se referem a situações que acontecem simplesmente, situações que não dependem da ação de ninguém para acontecer. Daí, a gente pode encontrar o sujeito inexistente nesses casos:
  2. Data e hora: Quando a oração informa a data ou a hora, o sujeito é inexistente. Mas tem um detalhe: essas duas situações são as únicas nas quais o verbo pode ser usado no plural, apesar de o sujeito ser inexistente. Isso vai acontecer quando o numeral usado na frase for diferente de um.

Ex.: Hoje é dia primeiro de outubro. / Hoje são treze de outubro.

Agora é uma hora da tarde. / Agora são três horas da tarde.

  1. Fenômenos da natureza: Quando o verbo se referir a uma fenômeno da natureza, não há um agente para essa ação. Logo, o sujeito da oração é inexistente.

Ex.: Durante a tempestade choveu mais do que o previsto.

O sujeito do verbo CHOVER é inexistente, pois ele se refere a um fenômeno da natureza.

Mas, se o verbo estiver sendo usado no sentido figurado, a classificação muda. Lembra daquele filme “’Tá chovendo hambúrguer”? O verbo CHOVER não está sendo usado no seu sentido literal. Por isso, ele tem sujeito escrito: “hambúrguer”, que é um exemplo de sujeito simples. Maneiro, né?

III. Verbo FAZER: Quando o verbo FAZER se referir a um período de tempo no passado, ele será impessoal, ou seja, não aceita plural e apresenta sujeito inexistente. Essa impessoalidade vai acontecer em uma estrutura bem específica:

EX.: Faz muito tempo que não vemos tanta mobilização social.

Verbo FAZER + período de tempo + que + (…) Sempre que essa estrutura frasal se repetir, o sujeito do verbo FAZER é inexistente.

  1. Verbo HAVER: Quando o verbo HAVER tiver o mesmo sentido do verbo EXISTIR, o verbo “haver” será impessoal. E o que isso quer dizer? Quer dizer que esse verbo fica impessoal, ou seja, não aceita plural e apresenta sujeito inexistente. Já o verbo “existir” apresenta sujeito expresso posposto, ou seja, o sujeito aparece depois do verbo e pode ser simples ou composto, dependendo do caso.

Ex.: “Há livros que dão vontade de morar dentro deles.”

Considere as seguintes ocorrências do verbo haver e as afirmações que são feitas a seguir:
1. Há uma gama de conhecimentos (l.11).
2. Por isso, há leituras que quando terminam deixam saudade! (l. 21 e 22).
3. Há livros que dão vontade de morar dentro deles (l. 22).

I. Em todas as ocorrências, a substituição pelo verbo existir exige flexão no plural.
II. Nas três situações, o verbo haver é impessoal.
III. Em 1, a substituição do verbo haver pelo existir NÃO implica flexão de número.

Quais estão corretas?
A) Apenas I.
B) Apenas II.
C) Apenas I e II.
D) Apenas II e III.
E) I, II e III.

O verbo HAVER pode ser substituído pelo verbo EXISTIR, sem que haja alteração no significado da frase. Por isso, o sujeito do verbo HAVER é inexistente. Já o sujeito do verbo EXISTIR é “livros”.

Maravilha, agora que você já está por dentro de tudo sobre sujeito, o ideal é baixar o maior número possível de questões da sua banca para resolvê-las e fixar o que acabou de aprender aqui. Portanto, mãos à obra e até a próxima!

Como usar afim e a fim?

Afim ou a fim. Qual é a forma correta?

Aos mais curiosos, a resposta é: depende da situação de uso na escrita.

Na escrita? Sim. Saber usar afim e a fim diz respeito somente ao campo da escrita, já que ambas as formas possuem o mesmo som na oralidade, ou seja, pertencem ao grupo dos homônimos homófonos (pronúncia igual, porém grafias diferentes). Por isso, entender o contexto de realização é fundamental para diferenciar qual forma utilizar em sua produção escrita.

1) A expressão afim, que geralmente pertence à categoria dos adjetivos, é empregado quando se quer transmitir ideia de afinidade ou semelhança. Acompanhe os exemplos:

Eles têm pensamentos afins quando o assunto é viajar”.
O espanhol e o italiano são idiomas afins com o português”.

Também podemos escrever afim como substantivo para indicar a noção de “pertencentes ao mesmo grupo”. Observe alguns casos:

Para a festa, vamos convidar os parentes, amigos e afins”.

CONCLUINDO: Usamos, então, afim para comunicar ideia de proximidade ou semelhança, podendo ou não ser usada no plural.

2) A expressão a fim de é uma locução prepositiva (termos que têm função de preposição) que revela o sentido de finalidade, objetivo, propósito, meta, alvo. Geralmente, nesse caso, a expressão a fim de pode ser substituída pela preposição para. Acompanhe alguns exemplos:

O pai trabalha a fim de dar conforto a sua família”.
 “Celso estuda muito a fim de conquistar todos os seus sonhos”.

Observe, de forma geral, então, que o uso escrito de a fim de está associado à ideia de querer e ter o interesse de. Por isso, também, costumamos dizer que uma pessoa está a fim de outra quando há interesse amoroso, e não “afim“. Como não dizer que isso não é importante?!?! Rsrs.

Preparação para o ENEM – Passado e Futuro

No passado, a diferença entre o uso de afim e a fim de era abordada em concursos de forma extremante gramatical e acrítica. Atualmente, com base nas contribuições dos estudos da Linguística, vemos essa questão receber um tratamento bastante diferenciado, passando a considerar o conhecimento gramatical a serviço dos sentidos, dos contextos.

No passado, era assim…

01. Quais das alternativas possuem o uso correto dos termos afim e a fim de?

(a) Tínhamos ideias a fins. Viajei afim de reencontrá-lo.
(b) Tínhamos ideias afins. Viajei a fim de reencontrá-lo.
(c) Tínhamos ideias afins. Viajei afim de reencontrá-lo.
(d) Tínhamos ideias a fins. Viajei a fim de reencontrá-lo.

Resposta: Letra B.

Atualmente, é assim…

01. (FCC-2013 – Adaptada) “Reciclar os dejetos oriundos das criações e dos refugos das plantações deve ser encarado não como custo ou gasto “a mais”, mas sim como uma excelente oportunidade de gerar toda ou parte da energia necessária para executar as atividades econômicas (…)”.

O termo em negrito pode ser substituído, sem prejuízo do sentido e da correção, por:

(a) afim.
(b) a fim de.
(c) afins.
(d) a fins de.
(e) afim de.

Resposta: Letra B

E agora, já sabe a diferença entre afim e a fim de?

Saiba mais sobre Ortografia

Siga em frente em seus estudos!

Consultoria:
1001 Dúvidas de Português, José de Nicola e Ernani Terra, Editora Saraiva.
Pequena Gramática do Português Brasileiro, Ataliba de Castilho e Vanda M. Elias, Ed. Contexto.

Autor:
Bruno Humberto é graduado em Letras (UFRJ), pós-graduado em Língua Portuguesa (FEUC), mestrando em Letras Vernáculas (UFRJ) e professor, há 12 anos, da rede municipal do Rio de Janeiro.

Pronomes de tratamento

 

Pronomes de tratamento
Pronomes de tratamento

(Fonte: https://amigopai.wordpress.com/2015/08/10/pronomes-de-tratamento/)

Formas de tratamento

Faça o que fizer, viva como viver, haverá sempre na vida aqueles contextos em que somos obrigados a nos comportar de maneira mais formal. Com a língua não é diferente, nesse sentido, os pronomes de tratamento (inseridos nas chamadas Formas de tratamento) são pronomes pessoais mais formais. Você vai utilizá-lo para se referir ou se dirigir, de modo mais reverente e formal, a alguma pessoa ou autoridade de posição social superior à sua. Veja na tabela alguns deles e em que momento se pode usá-los:

Pronome Abreviatura Quando usar
Vós não existe De uso restrito à linguagem litúrgica, ultraformal e/ou literária
Vossa Alteza V.A. Com príncipes e duques
Vossa Eminência V.Em.ª Com cardeais
Vossa Excelência V.Ex.ª Com autoridades de Estado (Presidente, senadores, ministros, etc.), magistrados (juízes, membros de tribunais, etc.), chefes do Executivo, autoridades militares (almirantes, generais, majores, etc.).
Vossa Magnificência V. Mag.ª Com reitores de universidades
Vossa Majestade V.M. Com reis e rainhas
Vossa Onipotência V. O. Quando se refere a Deus
Vossa Paternidade V.P. Com superiores de ordens religiosas
Vossa Reverendíssima V. Rev.ma Com religiosos em geral
Vossa Santidade V.S. Com o Papa
Vossa Senhoria V.Sª Em situações cerimoniosas e comunicações formais com autoridades em geral

Vamos só ver esses exemplos:

  • Vossa Excelência estará presente na solenidade?
  • Vossa Reverendíssima dará um sermão mais tarde.
  • O discurso da cerimônia de formatura será proferido por Vossa Magnificência.
  • Vossa Majestade cumpriu o protocolo esperado na missa.

Pronomes de tratamento x Pronomes pessoais

É importante não confundir os pronomes de tratamento com o pronome pessoal reto “vós”, que, muitas vezes, também é empregado estilisticamente para denotar respeito, destaque. Como exemplo de uso do pronome vós, vamos destacar o poema ‘A D. Joana’, de Castro Alves, poeta brasileiro autor de ‘Espumas Flutuantes’.

(No dia do seu aniversário)

Senhora, eu vos dou versos, porque apanho
Das flores d’alma um ramalhete agreste
E são versos a flora perfumada,
Que de meu seio a solidão reveste.

E vós que amais a parasita ardente,
Que abre como um suspiro em pleno maio,
E o aroma que anima o cálix rubro
— Talvez de uma alma perfumoso ensaio,

E esse vago tremer de níveas pétalas,
Que faz das flores meias borboletas,
O escarlate das malvas presumidas,
A modéstia infantil das violetas,

E essa linguagem transparente e meiga
Que a natureza fala nas campinas
Pelas vozes das brisas suspirosas,
Pela boca rosada das boninas…

Hoje, na vossa festa, em vosso dia,
Em meio aos vossos íntimos amores…
Juntai aos ramalhetes estes versos,
Pois versos de afeição… Também são flores!

(Fonte: http://www.jornaldepoesia.jor.br/calves14.html)

Regras de concordância

Ah! E tome cuidado com as regras de concordância que se aplicam aos pronomes de tratamento. Seja qual for o tratamento, o verbo deve se flexionar como se estivéssemos diante da palavra “você”; não de “vós”.

Você saiu. Logo, Vossa Magnificência saiu. Vossa Majestade saiu. Nada de “saíste” ou “saístes”, pois não tem nada a ver com “vós”!

Há ainda pronomes de tratamento menos formais, mais usuais na conversação diária:

Pronome Abreviatura Quando usar
Você V. Em situações mais íntimas, familiares e informais em geral
Senhor/Senhora Sr./Srª. Com pessoas com quem tenhamos um relacionamento distante, mas com quem tenhamos respeito
Senhorita Srta. Para nos referirmos, de maneira cordial, a uma mulher solteira

Convém lembrar que em algumas regiões do Brasil e em Portugal prefere-se o pronome pessoal tu ao você. Como a Língua é rica não é mesmo? Nos cursos ProEnem e ProMilitares, as aulas sobre formas de tratamentos são sempre uma das mais requisitadas.

Há ainda uma extensa lista de pronomes que devem ser usados em cerimoniais nobres e reais. Esses, incomuns no dia a dia e nas conversas informais, também são de uso restrito. Você poderá encontrar alguns deles, a título de curiosidade, na tabela abaixo:

Pronome Abreviatura Quando é ou foi usado
Sua Majestade S. M. Com reis e rainhas
Sua Majestade Imperial e Real S. M. I. R. Quando a pessoa é ao mesmo tempo rei e imperador – não é mais utilizado atualmente
Sua Majestade Imperial e Fidelíssima S. M. I & F. Usado pelos reis de Portugal que também eram imperadores do Brasil
Sua Majestade Imperial S. M. I. Com imperadores e imperatrizes
Sua Alteza Imperial S. A. I Usado por príncipes ou princesas de uma família real
Ilustríssimo Il.mo Com membros da nobreza brasileira

Você sabia? O pronome você atual tem suas raízes na forma vossa mercê, muito usada para se referir a pessoas com quem não poderíamos usar a forma tu. Através da evolução da língua portuguesa, a expressão se transformou, virando o que hoje conhecemos. Na imagem a seguir, você poderá conhecer cada passo dessa evolução:

Metamorfose do pronome de tratamento “você”
Metamorfose do pronome de tratamento “você”

(Fonte: http://www.portugueselegal.com.br/2015/11/)

Para finalizar nossa conversa sobre pronomes de tratamento, uma nota! Nessas formas de tratamento, também pode se usar ‘Sua’. Usamos ‘Vossa’ quando falamos com a pessoa, não sobre ela. Exemplo:

  • Espero que Vossa Excelência, Michel Temer, compareça ao encontro no Museu Nacional.

Por outro lado, usamos o ‘sua’ quando falamos sobre a pessoa. Exemplo:

  • Todos os membros presentes afirmaram que Sua Magnificência, o Professor Reitor da Universidade, tem agido com sabedoria para lidar com situações adversas.

Entendido, senhores?

 

Autor:

Juan Rodrigues é graduado em Letras-Português/Inglês (UVA) e especialista em Língua portuguesa (CELLP). É membro da comissão corretora de redações da plataforma ProENEM.