Malala, 20 anos, é uma adolescente do Vale Swat, no Paquistão, na fronteira nordeste do Afeganistão, um lugar marcado por grandes guerras e conflitos sangrentos. Aos 12 anos, Malala já se tornava uma ativista; ela escreveu um diário para a BBC, história esta que serve de inspiração para grande parte do mundo.

A menina que ousou desafiar o Talibã descreveu em seu diário as ações brutais do grupo extremista. Ela defendia a educação e oportunidades iguais. Já em 2011, aos 14 anos, foi indicada para o Prêmio Internacional da Paz Infantil e, em dezembro do mesmo ano, recebeu seu primeiro Prêmio Paquistanês Nacional Juvenil pela Paz em reconhecimento a seus esforços humanitários.

O Talibã, que não era, nem nunca foi, um movimento que permitisse que mulheres se expressassem, a ameaçou de morte diversas vezes. Malala era repetidamente advertida pelo grupo a se calar, a interromper as críticas públicas e parar de advogar em favor dos direitos do gênero obviamente inferior. Aos olhos do grupo, Malala e todas as mulheres deveriam se submeter a eles e aceitar o seu lugar na ordem das coisas. Contudo, Malala não ficou em silêncio.

Em 9 de outubro de 2012, enquanto Malala e outras alunas voltavam da escola para casa, homens armados pararam o veículo e atearam fogo a ele. Duas meninas ficaram seriamente feridas, enquanto Malala foi baleada na cabeça. Aos 15 anos, Malala cometeu o terrível crime de insistir que meninas tinham direito a uma educação para melhorarem a si mesmas, para quebrar todos os padrões culturais que as ‘‘aprisionavam’’.

O Talibã declarou guerra a uma pequena menina, porque, para eles, ela era ‘‘o símbolo dos infiéis e da obscenidade” . Diferente do esperado pelo Talibã, Malala não morreu, conseguiu escapar por pouco, e sua recuperação inspirou milhões de pessoas ao redor do mundo.

Foto: (AFP/VEJA)

Malala sobreviveu ao atentado, e sua história ganhou o mundo nos anos seguintes, tornando-se a mais jovem ganhadora de um Prêmio Nobel da Paz, aos 17 anos. Agora,  prestes a completar 21 anos na próxima quinta-feira (12), Malala vive na Inglaterra com a família e estuda filosofia, política e economia na universidade de Oxford. Além dos estudos, a jovem continua viajando o mundo e  defendendo a mesma pauta de sempre: o direito à educação. Malala agora encontra-se no Brasil, pois foi convidada pelo Itaú Unibanco a participar de um evento fechado.

Malala merece todos os aplausos por nos mostrar o quão poderosa uma única voz pode ser. Por fornecer um exemplo de coragem real, e por nos lembrar que a luta pelos direitos humanos não é responsabilidade de qualquer pessoa, mas, sim, de todos nós.

Parte do discurso de Malala na ONU:

Texto: Bárbara Christie

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