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Olá, candidato ENEM! Hoje falaremos sobre um assunto muito importante, que sempre causa dúvidas: qual é a melhor forma de iniciarmos nossos textos? Existe algum modelo de introdução perfeito? Como iniciamos nosso texto de modo que o leitor goste dele? É claro, convém dizer, que uma boa introdução de seu texto não garante que ele será bom ou ruim, pois isso dependerá da maneira que você desenvolve sua argumentação e de outros fatores, como o domínio da norma padrão da língua e das referências a outras áreas do conhecimento, por exemplo. Leia nossas dicas com atenção para saber o que fazer e não fazer em suas redações e garantir uma boa nota.

Logicamente, a introdução é o primeiro parágrafo de qualquer dissertação. Portanto, pense, ao escrever, que na introdução você está ‘abrindo as portas’ do tema para seu leitor. Ache que ele não tenha opinião formada sobre o assunto, mudando isso a partir da leitura de seu texto. Desta forma, é importante que iniciemos nossas redações de uma maneira boa, para que conquistemos nosso leitor e façamos com que ele adira aos nossos pontos de vista. Logo, imagine que a introdução é uma espécie de ‘convite’.

Para escrever uma boa introdução, é necessário que você se entregue ao tema. Tente se concentrar o máximo que você puder, desligar-se do mundo exterior. Esse exercício mental contribui para que você encontre nas suas ‘gavetas mentais’, onde as suas informações prévias estão armazenadas, um ponto de partida. Claro que algumas delas serão abandonadas, enquanto outras serão escolhidas: o importante é se fixar na ideia que possa fazer o texto fluir. Parecerá um clichê, mas é verdade: precisamos ler bastante para sabermos do que falar e termos cada vez mais informações para guardarmos na mente. Quanto mais leitura realizarmos, mais argumentos teremos para sustentar os nossos pontos de vista.

A forma como a introdução é redigida, convém dizer, variará de acordo com o tema pedido. Caso este permita uma referência histórica ou se houver necessidade de promover uma contextualização sua no tempo e no espaço, é neste momento em que faremos isso. Destacamos como exemplo a proposta do ENEM em 2015: ‘A persistência da violência contra a mulher no Brasil’. A palavra ‘persistência’ faz o leitor acreditar que o problema se iniciou no tempo passado, perdurando até os dias de hoje. Assim, neste tema seria interessante propor uma contextualização na introdução. O mesmo pode ser dito sobre o tema de 2005: ‘O trabalho infantil na realidade brasileira’. Aqui, o candidato poderia expor o fato e situá-lo no Brasil contemporâneo. Lembre que cada palavra do tema serve como palavra-chave para o seu texto: se o tema contém palavras como ‘permanência’, ‘persistência’, ‘continuação’, entre outras, uma contextualização seria boa.

Bons exemplos

Veja os dois exemplos, tirados do ENEM: da aluna Amanda Carvalho Maia Castro e do aluno Marcus Vinícius Monteiro de Oliveira. Eles atingiram nota máxima em 2015 e 2017, respectivamente.

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Trecho da redação da estudante Amanda Castro (adaptado) — Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução.

(Fonte: https://g1.globo.com/educacao/noticia/leia-redacoes-do-enem-2015-que-tiraram-nota-maxima.ghtml)

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Trecho da redação do estudante Marcus Vinícius Monteiro de Oliveira (adaptado) — Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução.

(Fonte: https://g1.globo.com/educacao/noticia/leia-redacoes-nota-mil-do-enem-2017.ghtml)

Boaventura (1993) nos propõe quatro características que uma introdução deve ter para ser considerada boa:

  1. Fornecer a ideia geral do tema a ser transmitido;
  2. Situá-lo na história, na teoria, no espaço e no tempo, quando possível;
  3. Motivar o assunto para prender a atenção;
  4. Dar as ideias diretrizes e anunciar o projeto de texto.

Na redação da candidata, notamos o cumprimento de todos esses pontos. Ela mostra como a situação-problema se desenvolve: mortes causadas pela violência contra a mulher aumentaram mais de 200% entre 1980 e 2010. Essa exemplificação, bem sustentada e fundamentada, já chama a atenção do leitor devido à notoriedade do fato e os absurdos índices de sua ocorrência. Também há a indicação da direção que ela seguirá ao longo de seu texto, ao mencionar que a violência contra a mulher pode ser analisada por vieses históricos e ideológicos, sendo essas as ideias que direcionarão o texto e serão apresentadas ao leitor. Por último, a primeira frase do texto, ‘A violência contra a mulher no Brasil tem apresentado aumentos significativos nas últimas décadas’ ajuda a prender a atenção do leitor, uma vez que mostra que a situação é atual.

Já no texto de Marcus, também notamos uma certa contextualização, uma vez que ele remonta aos tempos do Brasil Império para situar o início da educação formal de surdos. Ele também prende nossa atenção por mencionar questões como o ‘apartheid educacional’, a estereotipamento por parte da sociedade e uma possível posição de passividade por parte dos agentes governamentais. Ao mencionar, por fim, que a educação aos deficientes auditivos será efetiva a partir da resolução dos entraves mencionados anteriormente, ele mostra ao leitor a que veio, revelando assim as suas intenções e a forma em que o texto será construído.

Tendo isso em consideração, agora pergunto a você, aluno PROENEM: lendo a introdução, você se sentiu instigado a ler os textos de Amanda e Marcus?

Dificuldades para fazer uma boa introdução

Há sempre uma dúvida quando redigimos nossa introdução: é melhor sugerir o tema da discussão ou despertar o interesse do nosso leitor? A resposta é: os dois são igualmente importantes. Como nossa preocupação é que você tenha um bom desempenho em provas e concursos, como o ENEM, não é recomendável priorizar um sobre o outro. Aqui vamos mostrar como você, aluno PROENEM, pode reunir essas duas metas num único texto, nos baseando em Martins (2004).

O professor nos mostra duas dificuldades na redação de uma boa introdução. Em primeiro lugar, não podemos achar que começamos uma redação adequadamente se não dominarmos o plano da redação, como o texto pode se desenvolver. Além disso, é muito importante mencionar que embora muitos alunos comecem seus textos por esse trecho, essa prática não é recomendável: como vamos mostrar as ideias que direcionaram nossa argumentação (vamos nos lembrar das características de Boaventura) se ainda não as explicitamos?

No que diz respeito à questão da atenção ao texto por parte da banca, deixe-me te perguntar uma coisa. Quantas vezes você deixou de ler algum livro só por não ter gostado do título ou da forma como ele começou? E com quantas pessoas você deixou de se relacionar porque teve uma primeira impressão negativa delas? Pode parecer bobo, mas com sua introdução, funciona da mesma forma! Se ela não conquistar, o seu leitor pode ter uma ideia negativa do seu texto, o que pode prejudicar a sua nota.

Para concluir, dicas para mandar bem na sua redação!

Seu texto deverá ser construído em torno do que você menciona na introdução, por isso sugerimos que você não comece seu texto por ela. É bom que você, após ter elencado seus argumentos ao longo do desenvolvimento de seu texto, os retome e os mencione. Leia os textos de Amanda e Marcus na íntegra e note que a introdução dá pistas, como dizemos nas nossas aulas, sobre o que será discutido.

Precisamos também ter atenção no que se refere ao tamanho da introdução. Lembre que seus parágrafos devem ser consistentes, então, nada de introduções de oito linhas e parágrafos de desenvolvimento de cinco! Claro que isso dependerá do tamanho da sua letra, mas uma introdução de cinco linhas, em média, é recomendável.

Considere, além disso, que você não deve, jamais, escrever na folha oficial de prova tudo que vier à sua cabeça. Posso dar um conselho? Antes de começar até mesmo a escrever seu texto, mesmo que seja o rascunho, releia o tema atenciosamente, para que você consiga entender o que está sendo pedido. Dele, destaque as palavras que você julgar mais importantes, mas lembre que as palavras do tema devem aparecer pelo menos uma vez em seu texto. Se perguntar coisas como ‘O quê? ‘Como?’ e ‘Por quê?’ também pode auxiliar você na construção textual – além de ajudar você na hora de iniciar a sua redação. Sabemos que o relógio corre na hora da prova e a preocupação cresce, mas fazermos tudo na correria também pode ser prejudicial!

Seja direto e evite rodeios! Caso tangenciamos ao tema, nossa nota é muito prejudicada! Para a banca, é fácil perceber se o aluno se manterá ou não ao tema em discussão – e já na introdução somos capazes disso. Isso também diz respeito às palavras do tema. Por exemplo tomamos o tema de 2006 do ENEM, ‘O poder de transformação da leitura’. Se você só mencionar a importância da leitura, você tange ao tema. Mas, se você disser que a leitura é capaz de transformar vidas e ampliar horizontes, você não se distancia, e conquista seu leitor. Aqui você não mostra, ainda, seu ponto de vista, apenas afirma que a leitura tem certo poder transformador – a ideia será desenvolvida ao longo do seu texto.

Sabemos que frases como ‘Desde os primórdios’ e ‘Desde que os humanos existem’ são convidativas, mas elas devem ser evitadas a qualquer custo! Elas não têm valor argumentativo algum e, por já terem sido repetidas à exaustão, perdem qualquer valor expressivo. Use construções como ‘Muito se debate atualmente sobre (…)’ ou ‘É inegável que (…) contribui para a formação de uma sociedade mais ativa criticamente’ para iniciar seu texto – lembre-se das contextualizações sociohistóricas!

Evite mostrar os argumentos que você discutirá na introdução! Deixe nela, como mencionamos antes, apenas pistas sobre o que você abordará. Por exemplo, sobre ‘Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil’, tema ENEM 2013, se você já na introdução mencionar que a Lei Seca ajudou a diminuir o índice de acidentes automobilísticos, você entrega ao leitor o seu argumento, fazendo com que ele não se prenda. Uma forma de evitar isso, por exemplo, seria escrever ‘A Lei Seca foi instituída a nível nacional em 2010 pelo Governo Federal. Ela determina ações para coibir o consumo de bebidas alcóolicas em determinadas situações, como a direção de veículos. Dada a importância do assunto contemporaneamente, discutiremos aqui os efeitos que tal medida proporciona no corpo social brasileiro’. O que você acha disso?

Viu? Não há um manual ou modelo padrão a ser seguido quando você estiver iniciando uma redação. Porém, acreditamos que seguindo as dicas e as informações que listamos aqui, você será capaz de escrever uma introdução boa, que cative seu leitor e não seja nem vaga nem vazia. Agora, é só praticar! Envie seus textos na plataforma, participe das aulas online, assista os nossos vídeos no YouTube! Bons estudos!

 

Para se aprofundar, você pode consultar:

 

Para escrever esse artigo, consultamos as seguintes obras:

  • BOAVENTURA, Edivaldo. Como ordenar as ideias. 3ª ed. São Paulo: Ática, 1993. (Coleção Princípios).
  • MARTINS, Ozanir Roberti. Manual de redação específico para concursos. Rio de Janeiro: edição do autor, 2004.

 

Autor:

Juan Rodrigues é graduado em Letras-Português/Inglês (UVA) e especialista em Língua portuguesa (CELLP). É membro da comissão corretora de redações da plataforma ProENEM.