A evolução do capitalismo e a DIT

A DIT corresponde a uma especialização das atividades econômicas em caráter de produção, comercialização, exportação e importação entre distintos países do mundo. A DIT é tende a aprofundar as diferenças entre os países pobres que vendem produtos baratos e os países ricos desenvolvidos, que ganham dinheiro exportando produtos industriais de alto valor agregado e tecnologia. O surgimento da DIT veio no período do Capitalismo Comercial, período marcado pelo Colonialismo e o Mercantilismo.
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A Divisão Internacional do Trabalho

A DIT (Divisão Internacional do Trabalho) é o nome dado para a divisão produtiva em âmbito internacional. A Divisão Internacional do Trabalho direciona uma especialização produtiva global, já que cada país fica designado a produzir um determinado produto ou partes do mesmo, dependendo dos incentivos oferecidos em cada país. Esse processo se expandiu na mesma proporção que o capitalismo. Nesse sentido, um exemplo que pode ser usado é a montagem de um automóvel realizada na Argentina, porém com componentes oriundos de diferentes países, como parte elétrica e eletrônica de Taiwan, borrachas da Indonésia e assim por diante. Isso ocorre porque cada país oferece certos atrativos. Desta forma, o custo do produto final será menor, aumentando os lucros das empresas.

Os países emergentes ou em desenvolvimento que obtiveram uma industrialização tardia e que possuem economias ainda frágeis e passíveis de crises econômicas oferecem aos países industrializados um leque de benefícios e incentivos para a instalação de indústrias, tais como a isenção parcial ou total de impostos, mão-de-obra abundante, entre outros. Por conta disso, a Divisão Internacional do Trabalho provoca desigualdades. Os países emergentes ou em desenvolvimento, como México, Argentina, Brasil e outros, adquirem tecnologias a preços altos, enquanto que a maior parte dos produtos exportados pelos países citados não atingem preços satisfatórios, favorecendo os países ricos.

Num primeiro momento, entre os séculos XVI e XVIII, a DIT tradicional era composta por dois grupos de países: o das metrópoles e o das colônias. Com isso, a lógica de comércio era bem simples (e desigual): as colônias vendiam matéria-prima por um preço baixo para as metrópoles, que os transformavam em produtos de maior valor agregado e os revendiam, acumulando mais capital.  Tal panorama durou um longo período, mesmo com a independência de muitas colônias.

Até a década de 50, os bens manufaturados eram oriundos restritamente dos países industrializados, como Estados Unidos, Canadá, Japão e nações europeias. Os países já industrializados tinham suas respectivas produções primeiramente destinadas ao abastecimento do mercado interno, e depois, o restante direcionado ao fornecimento de mercadorias industrializadas aos países subdesenvolvidos que ainda não haviam ingressado efetivamente no processo de industrialização.

Até aquela época, os países subdesenvolvidos tinham a incumbência de gerar matéria-prima com a finalidade de fornecê-la aos países industrializados. Após a Segunda Guerra Mundial, muitas empresas, sobretudo norte-americanas, começaram a instalar filiais em diferentes países do mundo. Isso foi intensificado com o processo da globalização, que transformou muitos países subdesenvolvidos, que no passado eram meros produtores primários, em exportadores também de produtos industrializados, alterando as relações comerciais que predominavam até então. Ou seja, surgiu uma Nova DIT, mais complexa do que a anterior.

Apesar da modificação apresentada na configuração econômica, os países da América Latina, Ásia e África, ainda ocupam destaque na produção de produtos primários. O que os mantêm como produtores primários é principalmente o modo como os países subdesenvolvidos foram industrializados. Grande parte das empresas e indústrias existentes em países pobres é de nações desenvolvidas e ricas. Diante desse fato, uma das características da Nova DIT é a remessa de capitais: a maioria dos lucros adquiridos durante o ano não permanecem no território no qual a empresa se encontra, e sim, migram para o país de origem da mesma. Em outras palavras, as empresas transnacionais normalmente buscam os interesses próprios sem considerar as causas sociais, econômicas e ambientais de onde suas empresas estão instaladas.

O processo de desenvolvimento do capitalismo

Na história da humanidade é possível observar distintos modelos de organização dos meios sociais, econômicos e políticos, que exerceram grande influência no modo de viver das sociedades e na organização do espaço geográfico. Dentre esses sistemas, aquele que mais realizou transformações no espaço e nas sociedades foi o capitalismo, a partir de um paulatino processo de desenvolvimento, sendo na atualidade o sistema hegemônico mundial, apesar de ter sofrido algumas transformações ao longo do tempo. De qualquer modo, o capitalismo possui um conjunto de características que o definem de modo geral. A mais importante delas está correlacionada ao maior objetivo do sistema, que é o lucro, ou seja, a reprodução do capital, que vai justificar todas as outras características. Outra marca importante é a estrutura de propriedade baseada na propriedade privada, na qual os meios de produção (terras, equipamentos, matérias-primas etc.) pertencem aos agentes econômicos, podendo ser privados ou estatais. Além disso, existe um predomínio do trabalho assalariado e de uma sociedade dividida em classes, de acordo com a concentração de renda. Considerando seu processo de desenvolvimento, costuma-se dividir o capitalismo em quatro fases: Comercial, Industrial, Financeiro-Monopolista e Informacional.

Fim do século XV até a primeira metade do século XVIII: Capitalismo Comercial (1ª fase)

Substituindo o Feudalismo, a primeira etapa do capitalismo foi marcada pela expansão marítima das potências da Europa Ocidental da época (Grandes Navegações), em busca de novas rotas de comércio, sobretudo para as Índias. O objetivo dessas nações era acabar com o monopólio das cidades italianas (como Veneza e Gênova) no comércio com o Oriente pelo Mediterrâneo. Esse processo resultou no descobrimento de novas terras e na apropriação de vastos territórios (colonialismo), além da escravização e genocídio de milhões de nativos da América e da África. O principal eixo econômico migra do Mar Mediterrâneo para o Oceano Atlântico. Forma-se um comércio triangular entre América, África e Europa. Expandiram-se os mercados consumidores e abastecedores, além da descoberta de novas jazidas minerais. São criadas companhias de comércio, como a Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC).

A produção de mercadorias era essencialmente artesanal, em oficinas (o mestre artesão e os artesãos auxiliares eram produtores e donos dos meios de produção). O que realmente interessava era o comércio de especiarias, açúcar, tabaco, escravos, tapetes, sedas, perfumes, entre outros, com altíssimas margens de lucro. É verdade naquele tempo já havia manufaturas rudimentares, onde o empresário era o proprietário dos meios de produção (fábrica e instrumentos) e ele pagava um salário em troca da força de trabalho do empregado. Porém, a força motriz era humana e manual.

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A acumulação primitiva de capitais pela burguesia (que se capitalizou) era resultado da troca de mercadorias, ou seja, do comércio – e por isso o termo capitalismo comercial para designar o período. Esse acúmulo de capitais era fundamentado na política colonial conhecida como mercantilismo (caracterizado por três pilares: metalismo, balança comercial favorável e protecionismo).

A sociedade da época estava dividida em uma classe de proprietários de terras (clero e nobreza), uma classe de trabalhadores (servos, camponeses livres, assalariados, enfim, a massa popular) e uma classe burguesa (mercantil e manufatureira). Essa burguesia queria espaço social, político e ideológico, o que se tornou possível principalmente a partir do século XVIII.

Quadro-resumo: Capitalismo Comercial ou Pré-capitalismo

A Inglaterra foi pioneira no processo de Revolução Industrial. Cinco fatores podem explicar esse fato. Em primeiro lugar está a mão de obra abundante e barata proveniente a zona rural, devido aos cercamentos das terras que expulsaram milhares de camponeses das terras comunais. Formou-se, como diria Marx, um exército industrial de reserva: sempre existiam multidões às portas das fábricas, dispostas a trabalhar, não se importando com as condições. O segundo fator é a acumulação primitiva de capital proveniente das colônias inglesas e do comércio com o Oriente. O terceiro fator relaciona-se com a Revolução Gloriosa, que sepultou o absolutismo ao estabelecer a supremacia do Parlamento e inaugurou o Estado liberal inglês, pré-requisito para a plenitude capitalista burguesa. O quarto fator está ligado à existência de amplos mercados consumidores nas colônias, inglesas ou não, da América, África e Ásia. Por fim, o quinto fator refere-se à abundância de matérias-primas, especialmente de ferro, carvão e algodão.

Foi uma era de invenções, primeiramente relacionadas com a indústria têxtil: máquina de fiar, tear hidráulico e tear mecânico. Todos esses inventos ganharam maior capacidade quando passaram a ser acoplados à máquina a vapor. Após o setor têxtil, a mecanização alcançou o setor metalúrgico. A descoberta do vapor como força motriz, além de impulsionar a produção industrial, atingiu também os transportes: foram criados o barco a vapor e a locomotiva a vapor. As redes de transporte terrestre e marítimo cresceram exponencialmente.

O comércio não era mais a essência do sistema. Nessa nova fase, o lucro provinha basicamente da produção industrial de mercadorias. O proprietário dos meios de produção não é o produtor direto. A relação de trabalho que agora vigora é o regime assalariado, uma vez que o trabalhador assalariado apresenta maior produtividade que o escravo e tem renda disponível para o consumo.

O uso de máquinas aumentou a produção e a produtividade enormemente. Acelerou-se o processo de urbanização: os operários viviam em cortiços imundos, sem saneamento, onde bactérias, ratazanas e surtos epidêmicos ceifavam muitas vidas. Aprofundaram-se as desigualdades entre ricos e pobres. As jornadas de trabalho chegavam a 16 horas, as fábricas eram insalubres, disciplina e hierarquia eram extremamente rígidas, os salários eram baixíssimos, era explorado o trabalho infantil e feminino, a expectativa de vida dos trabalhadores das fábricas e das minas muito dificilmente ultrapassava os cinquenta anos, os acidentes de trabalho multiplicavam-se e a assistência médica e hospitalar aos trabalhadores praticamente inexistia. A miséria trazia em seu bojo uma série de males: o alcoolismo, o infanticídio, a prostituição, o suicídio, a loucura, a criminalidade e até o fanatismo religioso.

Ao contrário do período mercantilista, o Estado não mais intervinha na economia, que passou a funcionar segundo a lógica do mercado, guiado pela livre concorrência. Por pressão dos burgueses, consolidava-se, assim, uma nova doutrina econômica: o liberalismo, defendida pelos economistas britânicos Adam Smith e David Ricardo.

Quadro-resumo: Capitalismo Industrial

Fim do século XIX até o final da década de 1960: Capitalismo Financeiro Monopolista (3ª fase)

Se a primeira fase da revolução industrial prevalecia o tripé carvão-ferro-vapor, a segunda revolução industrial (surgida por volta de 1860) incorpora a eletricidade, o aço e o petróleo como fontes de energia. O desenvolvimento do motor a combustão interna permitiu do surgimento do automóvel e do avião, expandindo e dinamizando os transportes. A indústria química também experimentou expressivo desenvolvimento de novos elementos e materiais. Evoluem os meios de comunicação, com a invenção do telégrafo e do telefone. A industrialização não mais se restringiria ao Reino Unido, mas se expandiria para outros países como a Bélgica, a França, e posteriormente a Itália, a Alemanha, a Rússia, os Estados Unidos e o Japão.

A especialização da produção aprofundou-se com o conceito de linha de montagem: esteiras rolantes levam peças e componentes padronizados. A fabricação do produto passou a ser dividida em etapas, onde as responsabilidades dos operários são bem específicas. Henry Ford foi pioneiro nesse modelo de produção, aplicando-o em sua fábrica de automóveis. O fordismo também defendia que a empresa deveria dedicar-se a apenas um produto, além de dominar as fontes de matérias-primas.

Também foi marcante o processo de concentração e centralização de capitais. Empresas foram criadas e cresceram rapidamente: indústrias, bancos, corretoras de seguros, casas comerciais etc. A acirrada concorrência favoreceu as grandes empresas, levando a fusões e incorporações que resultaram na formação de monopólios ou oligopólios em muitos setores da economia. Diversas associações capitalistas foram feitos, e com isso, surgiram Holdings, Trustes, Conglomerados e Cartéis. Grandes corporações da atualidade foram fundadas nessa época: British Petroleum (1909), Coca-Cola (1886), Exxon (1882), Fiat (1899), General Eletric (1892), General Motors (1916), IBM (1911), Mitsubishi Bank (1880), Nestlé (1866), Siemens (1847).

Se na primeira revolução industrial os avanços tecnológicos eram resultantes de pesquisas espontâneas e autônomas, agora a ciência era apropriada pelo capital, isto é, estava a serviço da produção. As grandes corporações transnacionais (que atuam em vários países) formaram os primeiros laboratórios de pesquisa, que visavam desenvolver novas técnicas de produção.

Era cada vez maior a necessidade de garantir novos mercados consumidores, novas fontes de matérias-primas e novas áreas para investimentos lucrativos. Foi nesse contexto do capitalismo, de acirrada concorrência entre as novas potências industriais, que ocorreu a expansão imperialista europeia na África. Na Conferência de Berlim (1884-1885) as potências Europa retalharam o continente Africano, partilhando-o entre eles (porém as divergências entre os países não cessaram, levando a uma corrida armamentista que culminou na Primeira Guerra Mundial). Esse fato consolidou a divisão internacional do trabalho, pela qual as colônias se especializavam em fornecer matérias-primas baratas para os países que então se industrializavam. Em contrapartida, esses países desenvolvidos vendiam sua crescente produção industrial. Essa divisão, inicialmente delineada no capitalismo comercial, consolidou-se na fase do capitalismo industrial. Diferentemente do colonialismo do século XVI, as empresas burguesas e não o Estado eram o principal agente e beneficiário. No final do século XIX também surgia uma potência industrial fora da Europa: os Estados Unidos da América, que exerceu seu imperialismo na América Latina baseado no controle político e militar.

Torna-se cada vez mais difícil distinguir o capital industrial (também o agrícola, comercial e de serviços) do capital bancário. Uma melhor denominação passa a ser, então, capital financeiro. Os bancos assumem um papel mais importante como financiadores da produção. Afinal, bancos incorporam indústrias, que, por sua vez, incorporam ou criam bancos para lhes da suporte financeiro. Ao mesmo tempo vai se consolidando, particularmente nos Estados Unidos, um vigoroso mercado de capitais. As empresas vão deixando de ser familiares e se transformam em sociedades anônimas de capital aberto, ou seja, empresas que negociam suas ações em bolsas de valores. Isso permitiu a formação das corporações da atualidade, cujas ações estão, em toda parte, distribuídas entre milhares de acionistas. Em geral, essas grandes empresas têm um acionista majoritário, que pode ser uma pessoa, uma família, uma fundação, um banco ou uma holding, ao passo que o restante (muitas vezes milhões de ações) está nas mãos de pequenos investidores.

O liberalismo permanece apenas como ideologia capitalista, pois o mercado passa a ser dominado por grandes corporações em substituição à livre concorrência e ao livre mercado, característicos da fase industrial, na qual predominavam empresas menores. O Estado, por sua vez, intervém na economia (principalmente a partir da crise de 1929). sobretudo como agente planejador, coordenador, produtor ou empresário.

Nesse momento do capitalismo, em cada setor da economia – petrolífero, elétrico, siderúrgico, têxtil, naval, ferroviário etc. – passaram a predominar alguns grandes grupos. São os trustes verticais, que controlam as etapas da produção, desde a retirada da matéria-prima da natureza e a transformação em produtos até a distribuição das mercadorias. Quando os trustes, ou empresas de menor porte, fazem acordos entre si estabelecendo um preço comum, dividindo os mercados potenciais e, portanto, inviabilizando a livre concorrência num determinado setor da economia, criam um cartel. Diferentemente do que acontece no truste, no cartel não há a perda de autonomia das empresas envolvidas. O truste é resultado de processos tipicamente capitalistas (concentração e centralização de capitais), que levam a fusões e incorporações de empresas de uma mesma cadeia produtiva em determinado setor de atividade. Já o Cartel é consequência de acordos entre grandes empresas com o intuito de compartilhar determinados mercados ou setores da economia.

Muitos trustes, constituídos no final do século XIX e início do século XX, transformaram-se em conglomerados. Resultantes de um amplo processo de concentração e centralização de capitais, de uma crescente ampliação e diversificação dos negócios, com o intuito de dominar a oferta de determinados produtos ou serviços no mercado, os conglomerados, também chamados grupos ou corporações, são o exemplo mais claro de empresas do capitalismo monopolista. Controlados por uma holding (conjunto de empresas dominadas por uma empresa central que detém a maioria ou parte significativa das ações de suas subsidiárias), eles atuam em diferentes setores da economia. O objetivo básico é a manutenção da estabilidade dos conglomerados, garantindo uma lucratividade média, já que há rentabilidades diferentes em cada setor.

Os maiores conglomerados são norte-americanos e japoneses. Por exemplo, a General Eletric, uma das maiores e mais internacionalizadas empresas do mundo, atua em diversos setores e fabrica uma grande variedade de produtos: lâmpadas, fogões, geladeiras, equipamentos médicos, motores de avião, turbinas para hidrelétricas etc. Há outros exemplos de conglomerados que atuam em diversos setores e têm interesses globais: General Motors (EUA), Sony (Japão), Fiat (Itália), Nestlé (Suíça), Unilever (Reino Unido/Países Baixos), Hyundai Motor (Coréia do Sul) etc. No Brasil também há conglomerados importantes como a Petrobras, a Companhia Vale do Rio Doce (Vale), a Votorantim, a AmBev, a Gerdau, a Brasil Foods, a JBS Friboi etc. Embora muitos grupos nacionais, como os citados, já tenham iniciado um processo de internacionalização, sobretudo na América Latina, ainda não se encontram no estágio de mundialização das corporações estrangeiras mencionadas.

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Quadro-resumo: Capitalismo Financeiro-Monopolista

Com o advento da Terceira Revolução Industrial, também conhecida como Revolução Técnico-Científica ou Revolução Informacional, o capitalismo atinge sua fase informacional-global. Isso ocorre no pós-Segunda Guerra, sobretudo a partir dos anos 1970, quando, gradativamente, disseminam-se empresas, instituições e diversas tecnologias responsáveis pelo crescente aumento da produtividade econômica e pela aceleração dos fluxos de capitais, de mercadorias, de informações – robôs, computadores, satélites, aviões a jato, cabos de fibras ópticas, telefones digitais, Internet etc. – e de pessoas.

Nessa etapa de seu desenvolvimento, o capitalismo continua industrial e financeiro. Industrial porque novas tecnologias empregadas no processo produtivo, a exemplo da robótica, permitiram grande aumento de produtividade e diversificação dos produtos; e financeiro por causa da desmaterialização do dinheiro, que, em vez de circular fisicamente, cada vez mais se transforma em bits de computador, circulando rapidamente pelo sistema financeiro globalizado. Por isso mesmo, diversas questões de vestibular continuam a chamar a fase atual do capitalismo de financeiro-monopolista. Porém, é inegável que a característica fundamental da etapa atual do desenvolvimento capitalista é a crescente importância do conhecimento, do capital humano, isto é, o conhecimento e as habilidades que as pessoas acumulam por meio de educação, treinamento e experiência profissional. Por isso mesmo, diversos autores, textos e questões se referem ao momento presente como capitalismo informacional. Se as revoluções industriais anteriores foram movidas a energia (a primeira a carvão e a segunda, a petróleo e eletricidade), a revolução ora em curso é movida pelo conhecimento. Não por acaso as primeiras indústrias, da era das chaminés, desenvolveram-se em torno das bacias carboníferas e atualmente as instituições típicas da revolução informacional, as chamadas indústrias limpas, estão próximas a universidades e centros de pesquisa, onde se desenvolvem tecnopolos. Nesses centros industriais, típicos da Terceira Revolução Industrial, há grande concentração de indústrias de alta tecnologia: informática, telecomunicações, robótica e biotecnologia, entre outras. O tecnopolo do Vale do Silício, nos Estados Unidos, em torno da Universidade de Stanford, foi o primeiro a se formar; com o tempo outros foram criados: em Cambridge, perto da universidade de mesmo nome, no Reino Unido; na região metropolitana de Campinas, estado de São Paulo, próximo da Universidade de Campinas (Unicamp); no Japão (tecnopolo Tsukuba); em Munique, na Alemanha; em Paris (tecnopolo Axe-Sud), na França; entre muitos outros.

Pode-se afirmar que a globalização (o atual momento da expansão capitalista) está para o capitalismo informacional assim como o colonialismo esteve para sua etapa comercial ou o imperialismo esteve para o final da fase industrial e início da financeira. Trata-se de uma expansão que visa aumentar os mercados e, portanto, o lucro, que de fato move os capitais, tanto produtivos quanto especulativos, no mercado mundial. A incipiente opinião pública mundial, manifestada através de movimentos antiglobalização, movimentos pacifistas e ONGs, também é resultado da revolução informacional e da globalização.

Na era da globalização a expansão capitalista é silenciosa, sutil e eficaz. Trata-se de uma “invasão” de mercadorias, capitais, serviços, informações e pessoas. As novas “armas” são a agilidade e a eficiência das comunicações, dos transportes e do processamento de informações, graças aos satélites de comunicação, à Internet, à informática, aos telefones fixos e celulares, aos enormes e rápidos aviões, aos supernavios petroleiros e graneleiros e aos trens de alta velocidade. A “guerra” acontece nas bolsas de valores, de mercadorias e de futuros em todos os mercados do mundo e em todos os setores imagináveis. As estratégias e táticas são traçadas nas sedes das grandes corporações transnacionais, dos grandes bancos, das corretoras de valores e de outras instituições e influenciam quase todos os países.

No capitalismo informacional destaca-se também a questão do desemprego, como decorrência da Terceira Revolução Industrial e do uso de altas tecnologias produtivas (robótica, informatização), ou como resultado da reformulação e otimização produtiva empresarial, incluindo-se o remanejamento e demissão de funcionários e o enxugamento estatal.

Resumo

Com o passar do tempo e com o surgimento da indústria, a produção de mercadorias e a exploração da mais valia se tornaram as principais estratégias para acumulação de lucro, fazendo com que o capitalismo se tornasse industrial e o Estado passasse a ser liberal. Mais a frente, com o surgimento de grandes corporações e transnacionais, a economia passou a ser dominada por trustes, conglomerados e cartéis, prejudicando a livre concorrência e promovendo a formação de monopólios e oligopólios. Nos anos 1970, com o desenvolvimento da robótica e da informática, o aumento da circulação de informações deu ao capitalismo uma nova face, em que o conhecimento se tornou fundamental para o sucesso de empresas e a obtenção do lucro. Nesse cenário, as empresas ganharam mais autonomia e passaram a pressionar o Estado para obter benefícios como incentivos fiscais. Sendo assim, o cenário atual é marcado pelo capitalismo informacional e por Estados neoliberais, que muitas vezes atuam de acordo com os interesses das empresas privadas e reduzem gastos públicos e serviços estatais.

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