CONFLITOS MUNDIAIS: PRINCIPAIS CAUSAS E EXEMPLOS

Segundo a ONU, existem atualmente 30 regiões do mundo com a presença de conflitos armados. A maior parte destes conflitos envolve disputas por território e inclui, dentre as motivações, diferenças étnicas, religiosas e o controle de recursos naturais. Para além dos conflitos em andamento, existem ainda zonas de grande tensão geopolítica, como é o caso da Coreia do Norte e do Irã. Outros casos incluem a presença de movimentos separatistas de intensidade variável, mas que criam instabilidades políticas e econômicas regionais, como os casos do Quebec (Canadá), País Basco e Catalunha (Espanha) e Irlanda do Norte.
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A COREIA DO NORTE E A TENSÃO NUCLEAR

Os testes nucleares da Coreia do Norte, juntamente com a retórica belicosa dos Estados Unidos, deixam a ameaça de guerra na península coreana maior do que nunca na história recente. O sexto teste nuclear de Pyongyang em setembro de 2017 e o alcance crescente dos seus mísseis demonstram uma possível determinação em avançar o seu programa nuclear e poder de destruição intercontinental. O chefe de estado norte-coreano Kim Jung Un acredita que, se abrir mão de seu poder nuclear, corre o risco de ser deposto por forças externas. Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump faz discursos duros e afirma que a Coreia do Norte deve ser impedida a qualquer custo de avançar o seu programa nuclear, e principalmente de ser capaz de atingir a porção continental dos Estados Unidos com um míssil com poder nuclear.

Trump afirma que caso cruze esse limite, Kim Jong Un concluirá que ele pode impedir Washington de proteger os seus aliados e assim estabelecerá as suas exigências – de retirar restrições comerciais a expulsar tropas americanas, até a reunificação da Coreia nos seus próprios termos. Por conta disso, os Estados Unidos estão implementando uma “estratégia de pressão máxima”: cercar o Conselho de Segurança em seções mais sólidas, pressionar a China a tomar mais ações para sufocar a economia do seu vizinho, conduzir grandes simulações navais e das forças aéreas, e sinalizar diretamente ou por meio de aliados do Congresso que o país não teme um confronto militar. Até o momento, Trump está deixando claro que busca a total desnuclearização da Coreia do Norte, o que é algo muito improvável.

Tanto a China quanto a Coreia do Sul apoiam sanções mais rígidas e estão frustrados com Pyongyang na mesma proporção em que temem a possibilidade de uma ação militar dos EUA. O presidente chinês, Xi Jinping, teme o caos trazido pela possibilidade de guerra na península, um regime possivelmente alinhado com os EUA e tropas americanas na sua porta, ele também teme que pressionar Pyongyang possa precipitar uma agitação que poderia atingir a China.

Em maio de 2018, surpreendendo o mundo, Coreia do Norte e Coreia do Sul deram início a conversações de paz, num aceno diplomático incomum no histórico dos dois países rivais. No mesmo mês, os norte-coreanos destruíram algumas de suas áreas de testes nucleares, no que pode ser um sinal de melhora na situação diplomática na península coreana.


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A CRISE ROHINGYA: MYANMAR E BANGLADESH

A migração de cerca de 370 mil muçulmanos rohingyas de Mianmar para Bangladesh em meados de 2018 é mais um capítulo de uma história marcada por décadas de perseguições. Cerca de um milhão de pessoas dessa minoria, a maior comunidade no mundo, vivem em Mianmar, país predominantemente budista. A maioria mora de forma precária no Estado de Rakhine, onde tem ocorrido uma tentativa de limpeza étnica por parte do governo de Mianmar. 

A crise do povo rohingya é uma das mais longas do mundo e também uma das mais negligenciadas. Em Mianmar eles não tem direito à cidadania, pois são tratados pelo Estado como apátridas. No país, eles são proibidos de se casar ou de viajar sem a permissão das autoridades e não têm o direito de possuir terra ou propriedade. O povo representa cerca de 5% entre 60 milhões de habitantes de Mianmar, e sua origem ainda é amplamente debatida. Por sua parte, eles afirmam serem indígenas do Estado de Rakhine, anteriormente conhecido como Arakan, no oeste do país, mas outros apontam que são, na verdade, muçulmanos de origem bengali que migraram para Mianmar durante a ocupação britânica.

Desde 1948, quando o país se tornou independente, eles têm sido vítimas de tortura, negligência e repressão. Com as dramáticas mudanças políticas e sociais locais nos últimos anos, os ânimos das várias comunidades que habitam o país entraram em ebulição e uma onda de violência e discriminação voltou a emergir contra os rohingyas. Após ter sido governado por uma junta militar por mais de meio século, Mianmar vinha passando por uma transição para a democracia e por melhorias no campo social. Mas a situação não melhorou para os rohingyas. Em 2012, duas ondas de violência, uma em junho e a outra em outubro, orquestradas por grupos extremistas de maioria budista em Rakhine, deixaram cerca de 140 mortos, centenas de casas e edificações muçulmanas destruídas e 100 mil desabrigados. Autoridades e a polícia foram acusadas de não agir para defendê-los.

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Tanto as Nações Unidas quanto as organizações de defesa dos direitos humanos pedem que as autoridades de Mianmar revejam a Lei de Cidadania de 1982, de forma a garantir que os rohingyas não continuem sem pátria. Essa é a única maneira, dizem, para combater as raízes da longa discriminação contra essa etnia. Contudo, muitos budistas de Mianmar nem sequer reconhecem o termo rohingya e os chamam de “bengalis muçulmanos” – uma alusão à visão oficial de que os rohingyas são imigrantes de Bangladesh. Com isso, cerca de 800 mil rohingyas de Mianmar não possuem cidadania. E isso colaborou para incentivar os budistas a acreditarem que sua campanha de segregação e expulsão forçada é justificada.

O TALIBÃ E O LONGO CONFLITO NO AFEGANISTÃO

A Guerra do Afeganistão teve início em 1979, e depois de um primeiro período de embate entre soviéticos e afegãos, o conflito se expandiu e voltou a ganhar força a partir de 2001. Atualmente, a luta é travada entre os Estados Unidos e aliados contra o regime talibã.

Os atentados de 11 de setembro de 2001, nos EUA, deram início à Segunda Guerra do Afeganistão. Foram executados pela Al-Qaeda a mando de Osama bin Laden com o apoio do regime talibã. Um dos alvos do atentado foi justamente o símbolo do poder econômico do país – o edifício World Trade Center, conhecido como as torres gêmeas. Nessa altura, o presidente dos EUA era George W. Bush, que promoveu a “Guerra contra o Terror” a partir dali.

Os EUA iniciaram os ataques ao Afeganistão no dia 7 de outubro de 2001, com o apoio da OTAN, mas contrários à vontade da Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo era encontrar Osama bin Laden, seus apoiantes e acabar com o acampamento de formação de terrorista instalado no Afeganistão, bem como o regime talibã. Somente em 20 de dezembro do mesmo ano, o Conselho de Segurança da ONU autorizou, por unanimidade, uma missão militar no Afeganistão. Esta deveria durar apenas seis meses e proteger os civis dos ataques dos talibãs. Reino Unido, Canadá, França, Austrália e Alemanha declararam o seu apoio aos EUA. Em maio de 2011, Osama bin Laden foi morto por soldados americanos, num ponto marcante do conflito repleto de batalhas, bombardeios, destruição e milhares de mortos.

Em 2018, a nova estratégia dos Estados Unidos para o Afeganistão acelera o ritmo das operações contra uma revolta do Talibã, com mais forças dos EUA, ataques aéreos americanos mais poderosos e ofensivas terrestres mais agressivas por forças afegãs. O objetivo, segundo oficiais de alto escalão, é impedir o impulso do Talibã e, eventualmente, forçá-lo a um acordo político. Por enquanto, porém, a estratégia é quase exclusivamente militar. Contudo, é importante frisar que atualmente o Talibã controla ou contesta mais territórios do que nunca desde 2001; está mais bem equipado e, entre 2009 e 2012, resistiu a mais de 100 mil soldados dos EUA. 

O CONFLITO NO IÊMEN

O Iêmen, um dos países mais pobres do mundo árabe, tem sido devastado por uma guerra civil que opõe duas potências do Oriente Médio: de um lado, estão as forças oficiais do governo de Abd-Rabbu Mansour Hadi, apoiadas por uma coalizão sunita liderada pela Arábia Saudita. Do outro, está a milícia rebelde huti, de xiitas, apoiada pelo Irã. Desde março de 2015, mais de 8,6 mil pessoas foram mortas e 49 mil ficaram feridas, muitas em ataques aéreos liderados pela coalizão árabe.

Em meio à guerra, o país sofre com bloqueios comerciais impostos pelos sunitas. Em decorrência disso, estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas não tenham conseguido receber a ajuda humanitária enviada via portos e aeroportos e criou a maior situação de insegurança alimentar da história recente.

A ONU classifica a situação no Iêmen como uma grave crise humanitária – pois além da guerra civil, há 8 milhões de pessoas em situação de fome e uma epidemia de cólera em curso, com 1 milhão de casos declarados, além dos 3 milhões de deslocados internos em virtude do conflito.

A GUERRA CIVIL SÍRIA

A guerra civil na Síria já vitimou ao menos 400 mil pessoas, além de forçar mais de 5 milhões a saírem do país como refugiados e outros 11 milhões foram obrigados a se deslocar dentro da Síria. Com a economia em frangalhos, quase 80% dos sírios que permaneceram agora vivem abaixo da linha de pobreza.

Em março de 2011, um grupo de crianças e jovens foi preso em Daraa, no sul da Síria, por picharem frases com críticas ao governo. Inconformadas, centenas de pessoas saem às ruas da cidade para protestar contra as restrições à liberdade promovidas pelo governo do presidente Bashar Al-Assad. Num primeiro momento, simpatizantes dos que se rebelaram contra o governo começaram a pegar em armas – primeiro para se defender e depois para expulsar as forças de segurança de suas regiões. Esse levante de pessoas nas ruas, lutando por democracia, fez parte de um movimento chamado Primavera Árabe e culminou no início da guerra civil na Síria.

Após a represália do governo de Assad contra os jovens que estavam se rebelando contra o regime, alguns grupos foram formados a fim de combater, de fato, as forças governamentais e tomar o controle de cidades e vilas. A batalha chegou à capital, Damasco, e depois a Aleppo em 2012. Mas desde que começou, a guerra civil na Síria mudou muito.

O grupo terrorista Estado Islâmico aproveitou o vácuo de representação por parte do governo, a revolta da sociedade civil e a guerra brutal que acontece Síria para fazer seu espaço. Foi conquistando territórios tão abrangentes, tanto na Síria como no Iraque, que proclamou seu ‘califado’ em 2014. Para isso, tiveram de lutar contra todos: rebeldes, governistas, outros grupos terroristas – como se tivessem feito uma guerra dentro da guerra.

Há evidências de que todas as partes cometeram crimes de guerra – como assassinato, tortura, estupro e desaparecimentos forçados. Também foram acusadas de causar sofrimento civil, em bloqueios que impedem fluxo de alimentos e serviços de saúde, como tática de confronto.

Pelo avanço do Estado Islâmico no ganho de territórios, os Estados Unidos fizeram ataques aéreos na Síria em tentativa de enfraquecê-lo, evitando ataques que pudessem beneficiar as forças de Assad – isso em 2014, mas que se repetiu em 2018. Em 2015, a Rússia fez o mesmo contra terroristas na Síria, mas ativistas da oposição dizem que os ataques têm matado civis e rebeldes apoiados pelo Ocidente.

O resumo da obra em termos de apoio é esse: a Rússia e os Estados Unidos querem o fim do Estado Islâmico. Porém, os Estados Unidos querem a queda do governo de Bashar Al-Assad – por considerarem que seu regime não-democrático é prejudicial à Síria – e, por isso apoia os rebeldes; por outro lado, a Rússia acredita na força de Assad e está apoiando seu regime. A Síria, então, é o território do fogo cruzado dessa guerra fria.

A CRISE HUMANITÁRIA NA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

Segundo os dados da ONU, 1,7 milhões de residentes do Congo foram forçados a fugir de suas casas em 2017 — 5,5 mil pessoas por dia. No total, o número de pessoas deslocadas atinge 4,21 milhões, com outros 7 milhões correndo o risco de fome. Isso porque o Congo foi palco da Grande Guerra Africana, o mais sangrento conflito armado desde a Segunda Guerra Mundial. Desde então, a situação no Congo tem permanecido instável.

A guerra durou cinco anos entre 1998 e 2003, matando 5,4 milhões de pessoas, segundo estimativas. É o holocausto africano. Mas pouco se ouve falar sobre ele porque ocorre na floresta densa de um continente esquecido, a África, não mata brancos e não ameaça o Ocidente. É uma guerra travestida de conflito étnico, mas que esconde interesses mundanos: os trilhões de dólares enterrados no solo vermelho do leste do Congo.

O maior país da África subsaariana é também o mais rico em recursos naturais, confiscados desde a colonização belga. Hoje, essa riqueza financia as milícias sem que a população civil seja beneficiada. Ao contrário disso, são explorados no trabalho pesado das minas. Ouro, diamantes, coltan – minério que contém tântalo, usado em aparelhos de celular e tablets – são contrabandeados para países vizinhos como Ruanda, Uganda e Burundi. Calcula-se que apenas 10% das minas do Congo sejam exploradas legalmente.

O SEPARATISMO NA UCRÂNIA

Uma ex-república soviética, a Ucrânia está dividida entre grupos que querem mais proximidade com a União Europeia e outros que têm mais afinidade com a Rússia.

Em novembro de 2013, o então presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, se recusou a assinar um acordo com a UE e fez pacto com a Rússia por um pacote de ajuda de US$ 15 bilhões de Moscou e pela redução do preço do gás russo. Milhares de pessoas foram às ruas para protestar e derrubaram o presidente. Moradores da fronteira alinhados com Putin então se rebelaram com o que chamam de golpe de Estado.

BASCOS, CATALÃES E O SEPARATISMO NA ESPANHA

A Espanha, assim como inúmeros outros Estados atualmente constituídos, é um território multinacional, ou seja, é formada por várias nações ou por diversos grupos étnicos regionais com identidade nacional diferenciada àquela do país ao qual pertencem. Nesse sentido, esse território é um dos principais locais do mundo em que há movimentos separatistas, com um forte clamor pela independência local em busca da constituição de um novo país.

A existência de movimentos separatistas na Espanha e também em outros lugares do mundo chama a atenção para a inconsistência da ideia de unicidade do Estado moderno, em que o estabelecimento de suas fronteiras obedece mais a relações históricas de poder do que propriamente ao sentimento de pertencimento de suas populações. Esse é o caso dos catalães, que, assim como outros grupos étnicos espanhóis (tais como os Bascos e os Navarros, outros povos da Espanha), possuem um forte sentimento separatista, que é alimentado pelo nacionalismo arraigado que esse grupo regional possui.

Os catalães, além de uma identidade própria, possuem o seu idioma específico: o Catalão, uma língua evoluída a partir do latim e que possui poucas semelhanças com o espanhol. Além disso, eles agregam-se na região da Catalunha, uma província autônoma da Espanha localizada ao sul da França, que possui até mesmo um parlamento próprio, tem 7,5 milhões de habitantes e representa 19% do PIB espanhol.

Os registros mais antigos sobre a presença desse povo na região são do século XII. Durante muitos anos, a Catalunha também integrou o reino de Aragão, em conjunção com o domínio de Barcelona, mas foi com a Guerra de Sucessão Espanhola (1702-1714) que o seu território passou a se tornar, de fato, parte do Estado Espanhol.

Após esse período, a Catalunha começou a se diferenciar economicamente do restante do território espanhol – assim como aconteceu com os Bascos –, tornando-se um dos primeiros locais da Europa a seguir o processo inglês de industrialização. Foi uma região pioneira na Primeira e na Segunda Revoluções Industriais, urbanizando-se de forma intensa e constituindo cidades verdadeiramente desenvolvidas, com destaque para a capital Barcelona.

Atualmente, a região da Catalunha possui uma economia comparável à de Portugal, abrigando muitas grandes empresas e sendo um dos principais centros comerciais e turísticos da Espanha. Essa conjuntura, somada ao fato de a Espanha ter sido uma das principais afetadas pela crise recente da União Europeia, vem contribuindo ainda mais para o acirramento das relações entre o governo local e a administração nacional.

Em termos culturais, os catalães são muito diferentes do restante do país. O governo da Catalunha, inclusive, faz questão de manter essas diferenças, haja vista que o idioma oficial adotado é o catalão, que é ensinado nas escolas como a única língua nacional, tendo o espanhol apenas como um dialeto estrangeiro. Em 2010, um referendo na Catalunha estipulou a proibição sobre as Touradas, uma tradição espanhola não comungada pela população catalã.

Apesar de todas essas rusgas e diferenças, além das constantes pressões pela independência, é importante considerar que não há nenhum tipo de conflito armado nessa questão. Trata-se de um movimento político pacífico, em que eventuais ações de violência costumam ser fortemente repudiadas pela população. Já protestos e manifestações são comuns, mesmo sem um consenso entre os habitantes sobre essa questão, já que nem todos são favoráveis os catalães são favoráveis à independência da Catalunha.

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