ESTADOS UNIDOS E AMÉRICA ANGLO-SAXÔNICA

Maior potência econômica e militar do planeta, os Estados Unidos da América (EUA) possuem o quarto território mais extenso do mundo, banhado pelos oceanos Atlântico e Pacífico. A costa leste, região das 13 colônias que deram origem à nação, é a mais populosa e industrializada, enquanto na planície central está a maior área agrícola. Os recursos naturais e as possibilidades econômicas dos EUA atraíram milhões de imigrantes nos séculos XIX e XX que ajudaram a construir a identidade nacional.
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Ainda hoje, o país se destaca como o principal polo de imigração internacional. Sua cultura e estilo de vida têm grande influência global por meio do cinema, da literatura, da música e da TV. A luta pela independência, no século XVIII, é um marco de afirmação da república e da democracia no mundo moderno. No entanto, os EUA têm uma história de extermínio dos povos indígenas e de discriminação racial, em especial contra negros e hispânicos de origem latino-americana comunidade que mais cresceu no país na década de 90.

Após o término da Guerra Fria, os EUA consolidam sua hegemonia no cenário mundial, atuando em vários conflitos. O maior atentado da história, ocorrido em 11 de setembro em Nova York e Washington, coloca a nação diante de um novo adversário: o terrorismo. Em retaliação ao ataque, atribuído a extremistas islâmicos abrigados no Afeganistão, os EUA lançam em outubro a ofensiva militar contra esse país, em parceria com o Reino Unido. Para compreender melhor esse país, é preciso entender quais as razões histórico-geográficas que o levaram a se diferenciar dos seus vizinhos no continente americano.

FORMAÇÃO TERRITORIAL E A INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS

Entre 1607 e 1733, nas costas orientais da América do Norte, os ingleses fundaram treze colônias. Cada uma delas, politicamente, dispunha de liberdades limitadas, sendo governadas por ingleses nomeados pelo rei da Inglaterra. Sob o aspecto econômico, as colônias submetiam-se, teoricamente, ao regime de exclusividade comercial: só podiam comercializar com a metrópole. No norte se destacava a pequena propriedade, predominando a agricultura, o comércio e a pesca, para consumo local. No sul predominavam as plantações de tabaco e algodão para exportação, cultivadas por escravos negros explorados pelos aristocratas.

Não só os ingleses haviam se interessado pelas terras norte-americanas. Os franceses também se fixaram em algumas regiões importantes, porém, entre 1756 e 1763, na Guerra dos Sete Anos, foram derrotados pelos ingleses, que então se tornaram os donos da América do Norte. A Inglaterra logo passou a exigir dos colonos uma contribuição para o pagamento das dívidas causadas pela guerra. O Parlamento inglês decretou a Lei do Açúcar, que impôs novos direitos alfandegários a uma grande quantidade de produtos estrangeiros, entre eles o melaço. Mais tarde estabeleceu a Lei do Selo, que taxou os documentos legais, os produtos comerciais e as publicações periódicas.

Em 1773, para auxiliar a Companhia das Índias Orientais a escoar seus estoques de chá, o Parlamento autorizou-a a vender seus produtos diretamente na América, fazendo com que o preço do chá se tornasse muito mais barato nas colônias, o que prejudicava os comerciantes americanos. Estes ainda perderam o transporte e a revenda do chá inglês na América. A partir daí, várias manifestações revoltosas das colônias se desencadearam. Em dezembro de 1773, jovens de Boston disfarçados de índios lançaram ao mar a carga de chá de três navios ingleses. Esse episódio ficou conhecido como Tea Party (Festa do chá). A Inglaterra reagiu e enviou tropas repressoras, fechando o porto de Boston, obrigando a cidade a pagar uma grande indenização e ordenando a deportação dos rebeldes.

O general britânico fora informado de que os colonos estavam armazenando munições em Concord. Ordenou então o confisco desse material por um destacamento militar, em abril de 1775. Porém, quando os ingleses chegaram, na manhã seguinte foram emboscados por um bando de colonos patriotas, causando 8 mortes. Mais tarde foram novamente surpreendidos pelos americanos, com um saldo de dezenas de mortos e feridos.

Em 4 de julho de 1776 as treze colônias americanas se declararam unidas, livres e independentes. A guerra continuou com a vitória dos americanos em Saratoga, em 1777, e em 1783 foi assinada a paz em Versalhes, pela qual os ingleses reconheceram a independência dos Estados Unidos, cujo primeiro presidente foi George Washington.

Após conquistar sua independência, que serviu de modelo e inspiração para as outras colônias Americanas, os Estados Unidos viram-se diante de uma árdua tarefa: organizam sua política interna de maneira a conciliar os interesses das antigas treze colônias. Como já vimos, a forma de colonização implantada na América do Norte favoreceu a formação de diferentes regiões. Em cada uma delas, as ideias a respeito do novo governo eram tão diferentes quanto às atividades econômicas que desenvolviam.

Assim, uma corrente defendia a organização de um forte governo central e a adoção de tarifas protecionistas que incentivassem o desenvolvimento industrial. A outra corrente, vinculada aos produtores escravistas do sul, defendia uma política livre-cambista, que garantia o escoamento de suas matérias-primas, principalmente o algodão, em troca de produtos industrializados europeus.

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Diante dessas duas forças, ficou difícil ao governo definir um único rumo para o país, pois a Constituição americana assumiu um caráter bastante genérico, facultando a cada estado a definição de suas próprias leis, desde que estas não entrassem em conflito com a orientação da União.

Somente com a eleição de Andrew Jackson em 1829 delinearam-se mais claramente as tendências democráticas na sociedade norte-americana. Para isso contribuiu principalmente a adoção do sufrágio universal.


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A MARCHA PARA O OESTE

A Marcha para o Oeste foi a incorporação de territórios interioranos pelos colonos pioneiros e desbravadores, que faziam a fronteira mover-se sempre um passo além. Uma série de fatores motivaram e favoreceram esta expansão:

A escassez de terras na faixa atlântica;

A possibilidade de as famílias de colonos tornarem-se proprietárias, o que também atraiu imigrantes europeus;

A necessidade do Norte, em fase de industrialização, de conseguir matérias-primas e alimentos;

A corrida do ouro;

A conquista de áreas de pastagens para os rebanhos;

A construção de ferrovias, que permitia a aplicação lucrativa de capitais e integrava os mercados, assegurando o comércio para a produção agrícola.

Na primeira metade do século XIX, os Estados Unidos adquiriram uma série de regiões importantes, através de compras e atacados. Com essas aquisições, o território norte-americano passou a ter 7.700.000 quilômetros quadrados. A ocupação das novas áreas foi disciplinada pelo governo americano através do Edito do Noroeste (1787), que definia a formação de novos Estados em três etapas:

Primeira etapa: a área ficaria sob controle do governo federal, até que sua população atingisse 5000 eleitores;

Segunda etapa: ao atingir 5.000 eleitores, o território adquiria autogoverno;

Terceira etapa: ao atingir 60.000 habitantes, o território era adquirido como Estado da União, com os mesmos direitos dos Estados mais antigos.

Dessa forma o governo visava impedir que as novas áreas fossem dominadas pelos Estados já existentes. Com a Marcha para o Oeste continuaram as divergências entre o Norte e o Sul. O problema maior surgiu com relação ao regime de propriedade e o tipo de mão de obra a ser empregado nos novos territórios. O Norte pretendia que se instalassem pequenas propriedades com mão de obra livre e assalariada, enquanto o Sul defendia a ampliação dos latifúndios escravistas. Esse antagonismo era determinado não somente por interesse econômico, mas também por interesse político. Temia-se que a inclusão de novos representantes no legislativo viesse a romper o equilíbrio, até então existente, entre os Estados abolicionistas e os Estados escravistas.

Para manter a estabilidade, firmou-se em 1820 o Compromisso do Missouri. Esse acordo delimitava, pelo paralelo 36°30’, os territórios escravistas e os territórios livres, regulamentando a criação dos novos membros da União. Porém a solicitação da Califórnia, em 1850, para fazer parte da União como Estados não escravocrata desencadeou uma grave crise, pois desobedecia ao Compromisso do Missouri. Utah e Novo México também pediam sua anexação à União como Estados neutros, ao mesmo tempo que crescia a campanha abolicionista nos Estados Unidos.

Com essas questões o Compromisso perdeu o sentido e em 1854 o Congresso aprovou a entrada de novos Estados, com o direito de decidirem sobre a escravidão em seus territórios. A tensão entre escravocratas e abolicionistas aumentou, culminando no confronto armado entre Norte e Sul conhecido como Guerra de Secessão.

A GUERRA SECESSÃO (1861-1865)

As diferenças de interesses existentes entre as elites do sul agrário e as do norte industrial foram as causas da guerra civil norte-americana. A burguesia industrial nortista, em ascensão, estava ansiosa por garantir para si os novos mercados que estavam se formando com aumento da imigração e com as altas taxas de natalidade. Contudo, dois empecilhos impossibilitavam seus planos expansionistas: a escravidão e a resistência sulista às tarifas protecionistas. Os nortistas eram fracamente contrários à escravidão porque ela impossibilitava o crescimento do mercado interno. Já os sulistas defendiam a manutenção de seus privilégios aristocráticos. Acreditavam que, sem a escravidão, as suas bases econômicas desmoronariam. Após as eleições presidenciais de 1860, que escolheram o candidato apoiado pelo Norte, Abraham Lincoln, os Estados escravistas do Sul resolveram se separar da União; formando uma confederação. Apesar da flagrante inferioridade em número de homens, em recursos e armas, os Estados Confederados atacaram o Norte, em 1861, dando início a guerra civil. Além de contar com a ajuda do Oeste, o Norte utilizou a Marinha para bloquear o apoio da Europa, principalmente da Inglaterra, aos Estados sulistas, dos quais esse país importa o algodão para alimentar suas indústrias.

O Sul conseguiu algumas vitórias. No entanto, após a Batalha de Gettysburg em 1863, o Norte tomou a ofensiva, derrotando as tropas sulistas e arrasando completamente os Estados Confederados. A tomada da capital da Confederação, Richmond, na Virgínia, em 1865 selou o fim da guerra, com a rendição completa do Sul. Nesse mesmo ano o presidente Abraham Lincoln foi assassinado por um fanático sulista. A abolição da escravatura foi decretada por Lincoln em janeiro de 1865. Porém, não foi acompanhada de nenhum programa que possibilitasse a integração de negro liberto na sociedade americana. Essa situação de desvantagem social tendeu a se perpetuar, principalmente devido ao aparecimento de sociedades secretas racistas no Sul, como o Ku Klux Klan, que através de segregacionismo e intimidações frequentemente violentadas impediam os ex-escravos a assumirem plenamente sua cidadania.

O CAPITALISMO ESTADUNIDENSE E O INÍCIO DA HEGEMONIA

Com o fim da guerra de secessão e com a abolição da escravatura, o governo pôde se dedicar à organização e a exploração econômica das terras conquistadas no Oeste. Isso principalmente porque grandes áreas na costa do Pacífico haviam sido rapidamente povoadas, com a descoberta de ouro na Califórnia, por volta de 1848.

A mineração atraíra milhares de pessoas para o Oeste, incentivadas pela possibilidade de fácil enriquecimento. Mesmo com o esgotamento dos filões, áreas desconhecidas foram desbravadas, abrindo caminho para a posterior ocupação através da agropecuária.

Durante a guerra, para que a zona industrializada se empenhasse mais na produção bélica – industriais metalúrgica e siderúrgica -, o Congresso promulgou uma lei (Lei Homestead,1868) oferecendo no Oeste terras gratuitas aos colonos imigrantes. O objetivo dessa lei era aumentar os suprimentos agrícolas.

A integração entre as duas áreas (Leste e Oeste) deu-se com o desenvolvimento das ferrovias, que, à medida que foram sendo construídas, possibilitaram a ocupação do território. Isto se deu com grande rapidez. A construção de ferrovias precedeu o povoamento e forçou a tomada de terras indígenas, principalmente pelo extermínio de inúmeras tribos. As estradas de ferro uniram o Leste com o Pacífico e asseguraram o escoamento dos produtos no mercado interno, que agora assumia dimensões continentais.

Ao contrário da época de ocupação colonial, quando os colonos produziam para sua subsistência, nesta fase os pioneiros foram obrigados a se especializarem para atender a demanda crescente das áreas mais desenvolvidas. Muito embora a mão de obra fosse escassa, a produtividade aumentou graças à mecanização da produção agrícola e aos progressos técnicos alcançados nesse período. Alguns colonos, entretanto, ao hipotecarem suas terras para a compra de máquinas e insumos (matéria-prima, adubo, energia etc.), acabaram arruinados, perdendo suas propriedades para grandes grupos financeiros.

Foi justamente no período do pós-guerra que se deu a consolidação dos grandes grupos financeiros. Estes aumentaram seu patrimônio explorando a agricultura com a cobrança de juros exorbitantes e canalizando esses ganhos para investimentos nas industrias concentradas no nordeste dos Estados Unidos. Além de submetida aos banqueiros, a agricultura também estava sujeita a outros tipos de exploração:

As indústrias cobravam altos preços pelas máquinas agrícolas;

Os comerciantes, por possuírem armazéns, compravam a produção a baixos preços ou cobravam pela estocagem dos produtos;

As companhias ferroviárias cobravam elevados preços pelos fretes, diminuindo o lucro dos fazendeiros.

A inauguração de um novo processo de fabricação industrial (linha de montagem e produção em massa) implicou num amplo desenvolvimento técnico e no avanço da organização empresarial. Altas tarifas protecionistas contra a concorrência estrangeira beneficiaram esse processo. A industrialização foi, portanto, a consequência mais importante da guerra da secessão, colocando a nação americana na liderança do avanço capitalista. Para tanto muito contribuíram:

A criação de um novo tipo de companhia – o truste monopolista;

Novos inventos, como o processo Bessemer do aço;

Novas fontes de energia (o vapor e a eletricidade), que, aplicadas à produção reduziam os custos.

Assim, desenvolvendo de maneira integrada todos os setores de produção, os Estados Unidos puderam, em fins do século XIX, concorrer em pé de igualdade com as grandes potências europeias na etapa avançada do desenvolvimento capitalista: o imperialismo.

OS ESTADOS UNIDOS NO SÉCULO XX

New Deal

Pressionado pelos conservadores, o Congresso aprova, em 1920, a emenda constitucional que proíbe fabricar e vender bebidas alcoólicas (Lei Seca). Isso fortalece o contrabando e o crime organizado. A prosperidade econômica do país é interrompida em 1929, quando a quebra da Bolsa de Nova York mergulha a economia mundial na depressão. O democrata Franklin Delano Roosevelt assume a Presidência em 1933 e, durante quatro mandatos consecutivos, até sua morte, em 1945, implanta uma política de desenvolvimento baseada em investimentos estatais para estimular a recuperação econômica. Conhecida como New Deal, essa diretriz ganha impulso com a entrada do país na Segunda Guerra Mundial, depois do ataque japonês à base de Pearl Harbor, no Havaí, em 1941. Em 1945, em tese para apressar a rendição do Japão, o governo do presidente Harry Truman joga bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. Os EUA se tornam a maior potência econômica do pós-guerra.

Guerra Fria

A divisão do mundo em esferas de influência dos EUA e da União Soviética (URSS) recebe o nome de Guerra Fria e promove o fortalecimento militar das duas nações. O primeiro embate se dá em 1950, com o envio de tropas dos EUA à Coreia para conter a expansão comunista na Ásia. Internamente, o país   é varrido pelo macarthismo, uma onda de intolerância contra intelectuais e artistas acusados de serem comunistas pelo senador Joseph McCarthy, responsável pelas subcomissões de investigação do Senado. Com a eleição do democrata John Kennedy em 1960, aumentam os gastos com a defesa e a preocupação com os direitos civis. O governo reforça sua posição contra a influência soviética em Cuba e envia os primeiros assessores militares ao Vietnã. Kennedy é assassinado em 1963, e seu sucessor, Lyndon Johnson, aprova leis contra discriminação aos negros. Em 1969, astronautas norte-americanos pousam na Lua, vencendo a corrida espacial entre EUA e URSS. Em 1962 começa a fracassada intervenção militar no Vietnã, que provoca conflitos internos nos EUA. Sua retirada da guerra vietnamita só ocorre em 1973, no governo do republicano Richard Nixon, derrubado pelo escândalo de Watergate, em 1974.

Os acordos para a limitação de armas nucleares em 1976 e 1979 marcam a política de distensão com a URSS. Entre 1977 e 1980, com o presidente democrata Jimmy Carter, aumentam a inflação, o desemprego e os impasses com o Irã sob o poder dos aiatolás. Os republicanos voltam ao poder em 1980 com Ronald Reagan, que corta gastos públicos e endurece relações com a URSS e regimes de esquerda. Em 1986 estoura o escândalo Irã-Contras, envolvendo assessores diretos de Reagan na venda ilegal de armas ao Irã com repasse do dinheiro aos Contras, guerrilheiros direitistas em luta contra o governo sandinista (de esquerda) da Nicarágua.

A reeleição de Reagan em 1984 coincide com a ascensão de Mikhail Gorbatchev ao governo soviético. Em 1987, Reagan e Gorbatchev assinam o primeiro acordo para a destruição de armas nucleares de médio alcance. O vice de Reagan, George Bush, eleito presidente em 1988, continua a política de reaproximação com a URSS até a dissolução do bloco soviético, em 1991. Bush organiza uma coalizão militar de cerca de 30 países que expulsa as tropas iraquianas do Kuwait, na Guerra do Golfo.

O GOVERNO BARACK OBAMA (2009-2016)

Barack Hussein Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos em 20 de janeiro de 2009 cercado de expectativas. Membro do Partido Democrata e primeiro negro a presidir a nação mais poderosa do planeta, Obama herdou de seu antecessor, o republicano George W. Bush, um país marcado pelas controversas ações militares no Oriente Médio e mergulhado na mais grave crise econômica desde a grande depressão de 1929. E foi assim, transitando entre importantes conquistas e decepcionantes frustrações que Obama chegou ao final de seu segundo mandato.

Pode-se dizer que Obama foi bem sucedido no combate à recessão e ao desemprego. A crise econômica mundial deixou os EUA oficialmente em recessão por 18 meses, entre dezembro de 2007 e junho de 2009. Durante o período, o desemprego aumentou e, em seu auge, ficou em quase 10%. A política econômica de Obama conseguiu recuperar o crescimento econômico, fechando 2015 com um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,4%, e combater o desemprego, que voltou a ficar abaixo de 5%.

Outra conquista de Obama está na reforma da saúde. Isso porque, historicamente, os EUA não possuem um sistema público universal de saúde. Com a aprovação da lei que reforma o sistema de saúde, em março de 2010, cerca de 32 milhões de pessoas (quase 10% da população) que não tinham cobertura médica passarão a tê-la até 2019. Com a nova lei, todos os cidadãos são obrigados a contratar um plano de saúde – o governo deve fornecer subsídios para as famílias mais pobres. Obama também promoveu uma medida de impacto quando, em junho de 2015, a Suprema Corte declarou que casais formados por pessoas do mesmo sexo têm o direito garantido pela Constituição de se casar em todo o país – até então, cada estado tinha autonomia para legislar sobre o tema. A decisão é uma vitória pessoal de Obama, que sempre apoiou a legalização, e representa uma das mais relevantes conquistas no campo dos direitos civis da história norte-americana.

No campo da geopolítica, destaca-se a aproximação com Cuba: após mais de cinco décadas de rompimento, EUA e Cuba retomaram as relações diplomáticas oficialmente em 20 de julho de 2015, com a reabertura das embaixadas em Havana e Washington. Apesar das divergências ainda persistentes, os dois países começam timidamente a reatar alguns laços comerciais. No entanto, o fim do embargo econômico, apoiado por Obama, depende da aprovação do Congresso norte-americano. A aposta na diplomacia em vez do confronto também obteve resultados importantes na negociação do acordo nuclear do Irã, no qual os EUA desempenharam papel decisivo. O pacto assinado em julho de 2015 estabelece limites à atividade nuclear do Irã, em troca do fim das penalidades às quais o país persa estava submetido. Espera-se que, o Irã possa gradualmente retomar as relações com os EUA. Contudo, outros aspectos de seu mandato deixaram a desejar.

Apesar de recuperar o crescimento econômico e o nível de emprego, a política econômica falhou em resgatar o rendimento médio das famílias norte-americanas. Se antes da crise de 2008, a renda média anual era de 57,3 mil dólares, em 2014 o valor atingiu 53,7 mil dólares. O fato gera grande insatisfação na classe média norte-americana, que passa a duvidar das perspectivas de ascensão social. Por ser o primeiro presidente negro dos EUA, Obama assumiu com a expectativa de promover avanços em questões como igualdade racial e combate ao racismo. No entanto, em sua gestão, o país enfrentou os mais sérios confrontos raciais em duas décadas. Diversos casos de mortes de cidadãos negros desarmados por policiais desencadearam violentos protestos – os mais graves ocorreram em Ferguson (Missouri), em 2014, e em Charlote (Carolina do Norte), em 2016.

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