GEOPOLÍTICA E A NOVA ORDEM MUNDIAL

O equilíbrio da Guerra Fria começou a se desfazer na passagem dos anos 1970 para a década de 1980, quando a URSS entrou em crise e deixou de ter condições econômicas para garantir o controle de seus territórios e a ajuda financeira aos seus aliados.
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O FIM DA GUERRA FRIA E O INÍCIO DE UM MUNDO MULTIPOLAR (OU UNIPOLAR?)

Com o advento de uma Nova Ordem Mundial, a geopolítica internacional sofreu profundas transformações no início da década de 1990. Isso porque, com o fim da oposição “capitalismo x socialismo”, o mundo se defrontou com uma realidade marcada pela existência de um único sistema político-econômico, o capitalismo. Exceto por Cuba, China e Coreia do Norte, que ainda apresentam suas economias fundamentadas parcialmente no socialismo, o capitalismo é o sistema em vigor no mundo desde o início da década de 90.

À fragmentação do socialismo somaram-se as profundas transformações que já vinham afetando as principais economias capitalistas desde a segunda metade do séc. XX, resultando na chamada Nova Ordem Mundial. As origens dessa nova ordem estão no período imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial, no momento em que os Estados Unidos assumiram a supremacia do sistema capitalista. Essa supremacia dos EUA fundamentava-se no domínio de armas nucleares, no uso do dólar como padrão monetário internacional, na capacidade de financiar a reconstrução dos países destruídos com a guerra e na ampliação dos investimentos das empresas transnacionais nos países subdesenvolvidos.

Durante a Segunda Guerra, os EUA atravessaram um período de crescimento econômico acelerado. Assim, quando o conflito terminou, sua economia estava forte e dinamizada, e esse país assumia o papel de maior credor do mundo capitalista. Além disso, a Conferência de Bretton Woods, que em 1944 estabeleceu as regras da economia mundial, determinou que o dólar substituiria o ouro como padrão monetário internacional.

Os EUA também financiaram a reconstrução da economia japonesa, visando criar um polo capitalista desenvolvido na Ásia e, desse modo, também impedir o avançado socialismo no continente. A ascensão da economia japonesa foi acompanhada de uma expansão econômica e financeira do país em direção aos seus vizinhos da Ásia, originando uma região de forte dinamismo econômico.

Portanto, com o fim da Guerra Fria, o que se viu foi a emergência de um mundo capitalista liderado pelos Estados Unidos, mas com a presença de outros países muito fortes do ponto de vista econômico – com destaque para o Japão e a Alemanha. Daí, podemos apontar que, do ponto de vista da economia e do comércio internacional, o mundo se tornou multipolar. Contudo, do ponto de vista político e militar, a verdade é que com a queda da União Soviética, não havia mais nenhum país capaz de rivalizar com o enorme poder estadunidense. Portanto, de acordo com esse aspecto, o mundo passou a ser unipolar.

ACELERAÇÃO ECONÔMICA E TECNOLÓGICA

A tecnologia desenvolvida durante a Segunda Guerra Mundial estabeleceu um novo padrão de desenvolvimento tecnológico, que levou à modernização e a posterior automatização da indústria. Com a robotização industrial, aceleraram-se os processos de fabricação, o que permitiu grande aumento e diversificação da produção.

O acelerado desenvolvimento tecnológico tornou o espaço cada vez mais artificializado, principalmente naqueles países onde o atrelamento da ciência à técnica era maior. A retração do meio natural e a expansão do meio técnico-científico mostraram-se como uma faceta do processo em curso, na medida que tal expansão foi assumida como modelo de desenvolvimento em praticamente todos os países.

Favorecidas pelo desenvolvimento tecnológico, particularmente a automatização da indústria, a informatização dos escritórios e a rapidez nos transportes e comunicações, as relações econômicas também se aceleraram, de modo que o capitalismo ingressou numa fase de grande desenvolvimento. A competição por mercados consumidores, por sua vez, estimulou ainda mais o avanço da tecnologia e o aumento da produção industrial, principalmente nos Estados Unidos, no Japão, nos países da União Europeia e nos novos países industrializados (NPI’s) originários do “mundo subdesenvolvido” da Ásia.

A INTERNACIONALIZAÇÃO DO CAPITAL

Desde que surgiu, e devido à sua essência — produzir para o mercado, objetivando o lucro e, consequentemente, a acumulação da riqueza — o capitalismo sempre tendeu à internacionalização, ou seja, à incorporação do maior número possível de povos ou nações ao espaço sob o seu domínio. No princípio, a Divisão Internacional do Trabalho funcionava através do chamado pacto colonial, segundo o qual a atividade industrial era privilégio das metrópoles que vendiam seus produtos às colônias.

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Agora, para escapar dos encargos sociais e do pagamento dos salários conquistados pelos trabalhadores de seus países, as grandes empresas industriais dos países desenvolvidos optaram pela estratégia de, em vez de apenas continuarem exportando seus produtos, também os produz nos países subdesenvolvidos, até então apenas importadores de bens industrializados que consumiam. Dessa maneira, barateando custos, graças ao emprego de mão-de-obra bem mais barata, menos encargos sociais, incentivos fiscais etc., e, assim, mantendo, ou até aumentando lucros, puderam praticar altas taxas de investimento e acumulação.

Grandes empresas de países desenvolvidos, também conhecidas como corporações, instalaram filiais em países subdesenvolvidos, onde passaram a produzir um elenco cada vez maior de produtos. Por produzirem seus diferentes produtos em muitos países, tais empresas ficaram conhecidas como multinacionais ou transnacionais. Ou seja, a Nova Ordem Mundial aprofundou a complexificação da Divisão Internacional do Trabalho, já que muitos países deixam de ser apenas fornecedores de alimentos e matérias-primas para o mercado internacional e se tornam produtores e até exportadores de produtos industrializados – como é o caso do Brasil.


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OS POLOS DE PODER NA ECONOMIA GLOBALIZADA 

Na nova ordem mundial, a bipolaridade representada por Estados Unidos e União Soviética foi substituída pela multipolaridade. Os polos de poder econômico de maior destaque na atualidade são: Estados Unidos, União Europeia, Japão, China e determinados países emergentes.

Apesar de a economia globalizada ser definida como multipolar, os principais dados referentes ao desempenho econômico internacional demonstram que existem três grandes polos que lideram a economia do mundo: o bloco americano, o asiático e o europeu, que controlam mais de 80% dos investimentos mundiais.

RESUMO

A derrubada do muro de Berlim, em 1989, e a posterior dissolução da URSS, em 1991, fizeram como que a antiga ordem mundial deixasse de existir. Nesse momento, acaba o mundo bipolar, e surgia uma Nova Ordem Mundial, marcada pelo domínio hegemônico dos EUA como principal potência política e militar. Podemos destacar a expansão do processo de globalização como uma das principais características da nova ordem mundial, levando ao aumento dos fluxos mundiais de pessoas, mercadoria, capitais e informações. Assim, se expandiram transações econômicas, surgiram novos blocos econômicos e despontaram, no campo da economia, países como Alemanha e Japão. Portanto, pode-se afirmar que a nova ordem mundial, iniciada a partir dos anos 1990, é marcada por uma unipolaridade no campo militar e político, e por uma multipolaridade no campo da economia.

Contudo, mesmo com a supremacia militar norte-americana, a globalização e as relações econômicas deixaram os países (inclusive os EUA) mais dependentes entre si. Uma guerra de grandes proporções é sempre evitada. Pode-se dizer que a geopolítica atual é marcada por grandes incertezas, uma vez que diversos atores estão surgindo a todo instante, sejam eles econômicos, como os BRICS, ou terroristas, como o Estado Islâmico, relativizando e criando novos cenários geopolíticos.

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