População: Estrutura demográfica

Estrutura demográfica é a classificação da população em grupos determinados e segundo certos critérios, tais como etnia (estrutura étnica), idade e sexo (estrutura etária) e ocupação profissional (população ativa e inativa). Cabe citar que hoje em dia emprega-se muito mais o termo etnia do que raça, uma vez que a primeira não expressa só a cor, mas, sobretudo, a cultura de um determinado grupo étnico. Quando analisada em termos de idade e sexo, a composição da população costuma ser representada através de gráficos que são conhecidos como pirâmides etárias.
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ESTRUTURA POPULACIONAL POR FAIXA ETÁRIA

A população de um país pode ser dividida, de acordo com a idade, em três grupos principais: jovens (0 a 19 anos), adultos (20 a 59 anos) e idosos (acima de 60 anos). Em países subdesenvolvidos, as taxas de natalidade e fecundidade costumam ser altas. Por isso, esses são países onde a proporção de jovens é muito grande em relação à população total. Ao mesmo tempo, por serem países pobres e repletos de problemas socioeconômicos, nesses locais as pessoas não costumam ter uma elevada expectativa de vida. Logo, a porcentagem de idosos é pequena em relação ao todo. Nos países desenvolvidos, por sua vez, a situação é oposta: são locais onde o número de jovens é muito pequeno (e tem se tornado cada vez menor), enquanto a população de idosos aumenta rapidamente. Portanto, a estrutura etária é bem diferente quando se compara países com situações socioeconômicas distintas, como pode ser visto na tabela abaixo.

De modo geral, quando mais atrasado no processo de transição demográfica, mais jovem é a população de um país; quanto mais avançado na transição demográfica, mais envelhecida é a população. Isso faz com que as pirâmides etárias sejam muito diferentes de acordo com as condições socioeconômicas de cada país. É importante saber que um gráfico desse tipo se divide em três partes:

Base (parte inferior, representando a população jovem);

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Corpo (parte intermediária, representando a população adulta);

Cume, topo ou ápice (parte superior, representando a população idosa).

A base da pirâmide permite analisar indicadores demográficos como a natalidade, a fecundidade e a mortalidade infantil. O corpo da pirâmide serve para avaliar a taxa de mortalidade, além de servir para que identifiquemos o tamanho da população em idade para trabalhar. Por fim, o topo de um gráfico desse tipo nos permite analisar a longevidade média da população.

As pirâmides de “países jovens” apresentam uma base larga (pois há elevada proporção de jovens) e o cume estreito (demonstrando baixo número de idosos). Este formato de pirâmide caracteriza a estrutura da população da maior parte dos países subdesenvolvidos. Por sua vez, os chamados “países velhos” são aqueles cuja estrutura etária cria uma pirâmide de base mais estreita (indicando a baixa porcentagem de jovens) e cume mais largo (tendo em vista a grande proporção de idosos).

Com o passar dos anos e em virtude da transição demográfica, o formato da pirâmide etária sofre modificações estruturais. Ou seja, à medida que ocorre uma melhora nas condições sociais e econômicas, ocorre também uma queda na natalidade e um aumento na expectativa de vida – e isso faz com que o formato da pirâmide mude visivelmente. Notadamente, quando ocorre o desenvolvimento do país há um gradativo estreitamento da base da pirâmide e um alargamento tanto do corpo quanto do ápice – justamente em razão da redução da taxa de natalidade e do aumento da expectativa de vida da população. Portanto, com o passar dos anos há uma tendência de inversão da pirâmide, como pode ser visto na transformação que já ocorreu nas últimas décadas e é prevista para prosseguir acontecendo na população japonesa.

ESTRUTURA POPULACIONAL POR GÊNERO 

Em termos de sexo, na pirâmide etária, os homens são representados à esquerda e as mulheres à direita. O eixo vertical representa as idades e o eixo horizontal pode representar o número de habitantes.

Normalmente, a diferença entre homens e mulheres é muito pequena nas faixas etárias mais jovens. Porém, quando se observa os adultos e, principalmente, os idosos, quase sempre há um número bem maior de mulheres. Isso ocorre porque a expectativa de vida feminina costuma ser mais elevada. Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) divulgados em 2016, apontam que a expectativa de vida dos homens, no mundo, é de 69,1 anos, enquanto a das mulheres é de 73,8 anos. No Brasil, de acordo com o IBGE, as mulheres vivem, em média, quase sete anos a mais que os homens.

Antigamente acreditava-se que isso acontecia, pois, ao sair para trabalhar, o homem sofria mais desgaste do corpo e da mente: cumprimento de horários, alimentação inadequada, disputas no trabalho e discussões geravam um alto grau de estresse. Só que com a entrada da mulher no mercado de trabalho, elas ainda continuam vivendo mais, mesmo fazendo a chamada dupla jornada que é chegar em casa depois do expediente para cuidar dos filhos e da casa.

Pesquisadores acreditam que uma das explicações para a maior longevidade feminina, é que elas se cuidam mais: de modo geral, elas fazem visitas mais frequentes ao médico, se submetem a mais exames e consultas de rotina, fumam menos e bebem menos. Outra hipótese é a diferença entre os hormônios femininos e masculinos. O estrógeno e a progesterona, hormônios femininos, podem manter o sistema imunológico da mulher mais forte. Eles podem funcionar no corpo da mulher como um antioxidante, protegendo-o dos radicais livres e neutralizando as substâncias tóxicas que estressam as células.

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Nos homens, a testosterona ter um efeito imunossupressor, o que significa que diminui o poder imunológico do organismo do homem. E mais: segundo pesquisadores da University College de Londres, este hormônio pode aumentar a produção de fluido seminal, mas, a longo prazo, pode promover o câncer de próstata e levar à hipertensão e aterosclerose. Além disso, dados do Ministério da Saúde mostram que os homens morrem mais por causas externas como a violência, acidentes de trabalho e de trânsito.

Dessa forma, as mulheres são numericamente mais expressivas que os homens entre o grupo dos idosos. Contudo, há exceções. Em países onde a cultura patriarcal é muito forte e o filho homem é extremamente mais valorizado, as mulheres costumam ter uma vida mais precária, e isso promove mortalidade mais precoce. Além disso, os locais que foram povoados através de processos de migração relativamente recentes ainda costumam apresentar um número de homens bem maior que o de mulheres – como é o caso da região Centro-Oeste no Brasil, que recebeu muitos migrantes do sexo masculino a partir da metade do século XX e, por isso mesmo, hoje tem uma pirâmide etária cujo lado masculino se destaca frente ao feminino.

ESTRUTURA POPULACIONAL POR OCUPAÇÃO PROFISSIONAL 

O levantamento da estrutura da população, neste aspecto, inicialmente classifica o indivíduo em dois grupos, levando em consideração sua situação em termos de ocupação profissional e, também, de idade (no que se refere aos menores de idade). Vale ressaltar aqui que o termo ocupação subentende-se em atividade no mercado de trabalho formal (com carteira assinada e todos os direitos trabalhistas assegurados) como o informal (sem registro e direitos trabalhistas). Sendo assim, a população pode ser classificada em:

População Economicamente Ativa (PEA): é considerada deste grupo toda e qualquer pessoa adulta que esteja empregada ou à procura de emprego. A idade base considerada para o cálculo da PEA, nos países desenvolvidos, é a de 15 anos. No caso do Brasil, a idade é de 16 anos, tendo em vista que a Constituição Brasileira estabelece esta faixa etária como idade mínima para o ingresso no mercado de trabalho.

População Economicamente Inativa (PEI): fazem parte deste grupo os indivíduos que não estão empregados, como os aposentados, as donas de casa que não exercem atividade econômica remunerada, as crianças e adolescentes que ainda não atingiram a idade mínima para ingressar no mercado e os estudantes.

É importante frisar a importância direta e indireta da População Economicamente Ativa sobre a População Economicamente Inativa, pois a mesma é que contribui e assegura condições para a viabilização de investimento sociais, tanto na área de educação, saúde e segurança pública, bem como à aposentadoria.

As pessoas que compõem a PEA podem, por sua vez, trabalharem em três setores da economia: o primário (agropecuária e extrativismo), o secundário (indústria) e o terciário (comércio e serviços). É importante saber que, com a mecanização da agropecuária e a robotização da indústria, houve uma diminuição do número de vagas de emprego nesses dois setores. Logo, muitas pessoas se viram obrigadas a buscar emprego em atividades do comércio ou através da prestação de serviços. Isso fez com que o setor terciário da economia passasse a ter um peso cada vez maior na geração de empregos e se tornasse, em boa parte dos países, o mais importante pilar da economia. Esse é um processo conhecido como terciarização – ou seja, aumento do número de pessoas empregadas no setor terciário. É importante não confundir esse termo com outro muito parecido: a terceirização – que é o nome usada para expressar uma forma de contratação indireta de profissionais, também muito comum na atualidade.

RAZÃO DE DEPENDÊNCIA E BÔNUSDEMOGRÁFICO 

A taxa de dependência total é obtida pela divisão do total de jovens (menores de 15 anos) e idosos (com 60 anos ao mais) pela quantidade de pessoas entre 15 e 59 anos. A ideia é dar uma dimensão da proporção entre pessoas economicamente dependentes e aquelas em idade de provê-las. Obviamente, muitos homens e mulheres com mais de 60 anos podem estar no auge de sua produtiva, assim como ainda existem casos de crianças e adolescentes que trabalham. Da mesma forma, um jovem adulto na casa dos 30 e poucos anos pode, muito bem, ser sustentado pelos pais. O objetivo do dado, no entanto, é oferecer uma base estatística para comparação desse referencial ao longo do tempo e com outros países.

Logo, a taxa de dependência total é a proporção de jovens e idosos em relação ao total de indivíduos em idade ativa. Como consequência da transição demográfica no Brasil, o que se verificou foi uma redução da taxa de dependência de 60,3% para 54,6% entre 2001 e 2011. O porcentual foi puxado pela significativa diminuição da porcentagem de jovens – de 45,8% para 36%. A fatia de idosos, por sua vez, subiu de 14,5% para 18,6% – uma decorrência do envelhecimento populacional.

Com isso, hoje há proporcionalmente mais gente na faixa etária adulta (e em condições de trabalhar) do que aqueles potencialmente dependentes deste mesmo grupo. Ou seja: a diminuição do número de jovens foi tão grande que, mesmo com o aumento do número de idosos, a proporção de dependentes (jovens e idosos somados) diminuiu.

A queda na taxa de dependência ocorre em função de um fenômeno que os especialistas chamam de “bônus demográfico”, isto é, o período em que a população ativa é mais numerosa, o que configura um facilitador para o crescimento econômico, já que passa a haver mais mão-de-obra disponível e capaz de gerar riquezas – e proporcionalmente caem as despesas somadas com jovens e idosos.

Sendo assim, os dados recentes comprovam que a elevada taxa de dependência do país, uma realidade no passado em que haviam muitas crianças, ficou para trás. Na pirâmide etária das décadas de 1970 e 1980, por exemplo, os números eram expressivos porque a maior parcela da população tinha entre zero e 20 anos. Por outro lado, uma comparação com dados de outras grandes economias do planeta deve servir de alerta. Japão, Alemanha e França têm suas “taxas de dependência” majoradas pela expressividade não do número de jovens, mas sim de idosos – proporção de, respectivamente, 67,8%, 52,3% e 49,5%. E em função da transição demográfica, o país caminha nesta mesma direção. Ou seja: a continuidade da transição demográfica fará com que a fase do bônus demográfico passe, e a partir daí o Brasil experimentará um rápido envelhecimento populacional, o que fará com que a razão de dependência aumente novamente. 

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