População: Migrações mundiais

Migrações são fluxos de pessoas motivados por fatores de repulsão e fatores de atração. Normalmente, as pessoas fogem de locais em que haja muito desemprego, salários baixos, perseguições políticas ou religiosas, conflitos civis ou mesmo desastres naturais. Em geral, as pessoas buscam se deslocar para áreas que aparentem ter melhores oportunidades de vida. .
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Atualmente, a maior parte das pessoas migra por razões econômicas, ou seja, em busca de emprego, salários mais altos ou remuneração em moedas fortes, como o dólar e o euro. Esses migrantes econômicos podem se deslocar para outros países ou tentar a sorte em outros locais dentro do próprio território nacional. Por isso, as migrações podem ser classificadas como internas ou externas (internacionais). Tais migrações podem ter caráter definitivo ou temporário. Os fluxos de pessoas podem ser classificados também como espontâneos ou forçados.

Dentre os fluxos forçados, podemos citar o caso dos refugiados, que correspondem àqueles que se veem impossibilitados de continuarem em seu país por alguma razão, normalmente ligada a perseguições étnicas, religiosas ou a qualquer outro tipo de conflitos civis ou políticos. Nos últimos anos tem havido um grande aumento do número de refugiados, sobretudo de países como Afeganistão, Somália, Eritréia, Líbia e, principalmente, Síria. Ameaçados pela grave guerra civil e pelo terrorismo do grupo Estado Islâmico, muitos sírios (incluindo mulheres e crianças) tentam se deslocar para países vizinhos do Oriente Médio ou mesmo para a Europa, enfrentando uma longa e perigosa travessia pelo Mar Mediterrâneo em embarcações precárias.

Sendo assim, mesmo que a maior parte dos fluxos ocorra, historicamente, dentro dos próprios países, é verdade que nas últimas décadas tem crescido cada vez mais a migração internacional. Ao longo do século XX, dentre estes imigrantes internacionais, a maioria era do sexo masculino. Porém, uma outra tendência das migrações contemporâneas é o aumento do número de mulheres, chamada de feminização das migrações. Outra característica importante é a de que, ao contrário do que diz o senso comum, a maior parte das pessoas que migraram e passaram a viver em outros países estão em situação legal. Ainda assim, o número de imigrantes ilegais vivendo fora de seus países de origem é muito elevado.  

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O caso mais conhecido de migração internacional envolve os mexicanos e demais latinos que, geralmente de forma ilegal, tentam atravessar a fronteira México-EUA. Somente nos EUA, a população imigrante ilegal disparou de 3,5 milhões em 1990 para 12,2 milhões em 2007. Já entre 2007 e 2009, por conta da grave crise econômica americana, o número caiu e se estabeleceu entre 11,2 e 11,5 milhões em 2010 – índices que se mantém até hoje.

A partir da década de 1990, passaram a ser vistos, ao mesmo tempo, um aumento das migrações internacionais – legais e ilegais – e o crescimento das políticas anti-imigração, postas em prática principalmente nos países desenvolvidos. Tais políticas incluem o aumento do controle de fronteiras, a construção de muros, o aumento da burocracia e dos requisitos para concessão de vistos e mesmo a realização de mais deportações. No caso dos EUA, ocorreu a criação de um muro na zona de fronteira, houve o aumento do número de guardas, câmeras e sensores, além do incentivo à industrialização no México, como forma de desestimular a migração dos habitantes locais.

Além das políticas contra a imigração, tem havido também o crescimento da xenofobia, difundida em larga escala entre alguns segmentos de partidos políticos de extrema direita (também chamados de ultranacionalistas) e em grupos populares classificados como neofascistas e neonazistas. Em vários países da Europa a ascensão destes grupos políticos ao poder é considerada um sintoma do crescimento da xenofobia, ou seja, do preconceito e da aversão aos estrangeiros que, em busca de uma vida melhor, se tornam mais numerosos no continente. Muitas vezes tal sentimento é acompanhado de uma islamofobia, em virtude de muitos dos imigrantes serem muçulmanos. Em função da ocorrência de atos terroristas como os praticados pelo grupo radical Estado Islâmico, a islamofobia tende a crescer ainda mais.

Os estrangeiros são responsabilizados por muitos nativos como sendo os causadores do aumento do desemprego, da violência e de, ao trazerem seus costumes, hábitos e religiões, estarem provocando uma perda da identidade nacional – também chamada de desnacionalização. Contudo, é importante citar que na maior parte dos casos, os imigrantes ocupam funções de baixa remuneração e baixo status social, que normalmente não são de interesse da população nacional. Além disso, em diversos países desenvolvidos que são grandes receptores de imigrantes, a taxa de fecundidade é muito baixa, o que significa que os imigrantes são fundamentais para evitar uma diminuição da população total (implosão demográfica) e uma falta de mão de obra.

AS MIGRAÇÕES E AS DESIGUALDADES

Como informado anteriormente, as restrições à livre circulação de pessoas estão aumentando nos países industrializados, apesar da formação dos blocos econômicos. Os trabalhadores árabes, turcos e africanos, que nos últimos trinta anos acorreram à Europa para trabalhar na construção civil e nos empregos de menor qualificação, estão sendo cada vez mais discriminados pela legislação dos países europeus. Da mesma maneira, os Estados Unidos têm aumentado as dificuldades impostas à imigração de trabalhadores, principalmente, latino-americanos, que buscam emprego em seu território. Assim, a globalização é um processo de duas vias: de um lado aumenta a mobilidade do dinheiro, de outro restringe os deslocamentos de parte da população que busca trabalho.

A dinâmica de uma população envolve, além das taxas de natalidade e mortalidade, as diferentes modalidades de migração.  Os homens sempre se deslocaram em grupos ou individualmente. Esses deslocamentos influem na organização do espaço e na estrutura da população, tanto na região de saída quanto na região de chegada. As estatísticas sobre as migrações internacionais não apresentam muita precisão por causa do grande número de imigrantes clandestinos.

O desenvolvimento dos meios de transportes e o acesso à informação facilitaram o deslocamento de milhões de pessoas, que migraram nas últimas décadas. As migrações internacionais, na década de 1990, mantiveram uma média anual de cerca de 1,8 milhão de pessoas, que se dirigiram dos países pobres para os ricos. A maior parte saiu de países asiáticos e ingressou nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha e França.

Os movimentos migratórios são mais intensos nos países com mais desigualdades regionais, onde poucas áreas muito ricas dividem o espaço com outras muito pobres. Esse quadro é comumente encontrado em países subdesenvolvidos industrializados, que, dependendo do ponto de vista, são também chamados de países em desenvolvimento ou emergentes. Ocorrem também entre países que apresentam níveis de desenvolvimento muito díspares. Nem sempre eles são bem-vindos aos lugares de destino e muitas vezes enfrentam a xenofobia do povo local, a discriminação e a marginalização, constituindo um grande contingente de “cidadãos de segunda classe.”

Numa perspectiva sociológica estruturalista, as migrações são percebidas como uma das consequências da crise neoliberal contemporânea. No contexto do sistema econômico atual, verifica-se o crescimento econômico sem o aumento da oferta de emprego. O desemprego passa a ser uma característica estrutural do neoliberalismo, e as pessoas, então, migram em busca, fundamentalmente, de trabalho. E isto se verifica tanto no plano interno como no internacional.

AS MIGRAÇÕES NA EUROPA E NOS ESTADOS UNIDOS

A Europa recebe migrantes de países periféricos que para lá se dirigem em busca de trabalho. Internamente, isso também ocorre em países de industrialização tardia como Portugal, Grécia e Espanha (áreas de emigração), e cujo destino são países mais desenvolvidos como a Alemanha, Reino Unido e França. O esfacelamento do bloco socialista, nos anos 1990, também iniciou um movimento migratório que se dirigiu para a Europa Ocidental. Já os EUA são os que mais recebem imigrantes e onde a política de imigração mais mudou e endureceu nas últimas décadas. Devido a problemas econômicos e à falta de oportunidades, um grande fluxo migratório tem-se estabelecido do México para os Estados Unidos, na maioria das vezes ilegalmente.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a reestruturação de fronteiras e as disputas territoriais geraram graves conflitos étnicos, que acabaram provocando a migração de milhões de pessoas – especialmente oriundas de países pobres. Na Ásia, há cerca de 43 milhões de imigrantes, além dos refugiados da guerra civil no Afeganistão que se abrigam no Irã, no Iraque e no Paquistão. Israel recebe populações da Comunidade dos Estados Independentes, sendo 31% de sua população constituídos de imigrantes. Tailândia e Cingapura, por terem se industrializado recentemente, atraem grande número de pessoas. Na África, após a descolonização, as dezenas de guerras e os conflitos de etnia e de fronteiras deslocaram 16 milhões de pessoas de seus países. A Costa do Marfim, por exemplo, tem 30% de sua população composta de imigrantes.

As medidas restritivas à entrada de imigrantes provenientes de países pobres, tornaram-se comuns, atingindo França, Alemanha, Estados Unidos e Japão. Entretanto, alguns especialistas acreditam que, dentro de uma ou duas décadas, as políticas anti-imigratórias deverão ser revistas, já que haverá falta de mão de obra em função do envelhecimento da população. Nos Estados Unidos, a maior questão é a extensa fronteira com o México, por onde penetraram mais de 3 milhões de imigrantes ilegais.

PRINCIPAIS FLUXOS MIGRATÓRIOS CONTEMPORÂNEOS

Do século XIX até os dias de hoje, as migrações internacionais podem ser divididas em pelo menos três fases distintas. A primeira delas, do século XIX até a Segunda Guerra Mundial; a segunda, de 1945 até o início dos anos 1970; e a última fase seria aquela que vem ocorrendo nos últimos trinta anos.

A primeira fase teve como uma de suas características principais o fato de que a grande maioria dos imigrantes era originária do continente europeu. Cerca de 50 milhões de europeus deixaram o Velho Continente nesta fase. Essa intensa imigração teve como causa principal uma forte pressão populacional resultante da explosão demográfica pel qual os países do continente vinham passando desde meados do século XIX. É claro que a evolução dos meios de comunicação, especialmente aqueles relacionados à navegação transoceânica, em muito contribuiu para que esses fluxos acontecessem.

Os imigrantes eram originários de toda a Europa, mas os britânicos, italianos, alemães, espanhóis, russos e portugueses constituíram mais de 80% do total. De maneira geral, eles se dirigiram para países “novos” como os EUA (que recebeu aproximadamente 33 milhões de imigrantes), a Argentina (6,4 milhões), o Canadá (5,2 milhões), o Brasil (4,4 milhões) e a Austrália (3 milhões). Juntaram-se a estes fluxos aqueles formados por europeus que se dirigiram para as colônias. Um pouco mais tarde, o fluxo aumentou por conta dos asiáticos – primeiro, os chineses e depois os japoneses imigraram para as terras do Novo Mundo. Por volta de 1880, a América do Norte recebeu cerca de meio milhão de asiáticos.

O fluxo se modificou no período entre guerras. Sua principal característica foi a diminuição numérica dos imigrantes, não só pelo alívio das pressões demográficas na Europa, como também pelas consequências da Primeira Guerra Mundial. Também contribuiu de forma decisiva a adoção, por parte da maioria dos países tradicionalmente receptores, de leis que restringiam a imigração, especialmente para aqueles que se dirigiam para os EUA. Por fim, a crise econômica desencadeada em 1929 também provocou a redução dos fluxos migratórios.

Depois da Segunda Guerra, os fluxos migratórios mudaram radicalmente. Com o fim do conflito, a Europa precisava promover sua reconstrução, e buscou atrair mão-de-obra não qualificada e barata para desenvolver determinadas ocupações que um europeu “médio” não estava mais disposto a exercer. Nessa época, cerca de 13 milhões de imigrantes ingressaram no continente europeu. Os principais países receptores foram a antiga Alemanha Ocidental, a França, a Grã-Bretanha, a Bélgica, a Suíça e a Holanda. À guisa de comparação, no mesmo período, os EUA receberam quase 3 milhões de imigrantes a menos.

A origem dos imigrantes também mudou. O Terceiro Mundo forneceu a maior parte dos imigrantes. As razões de saída dos imigrantes estiveram ligadas, entre outros motivos, à pressão demográfica que esses países passaram a sofrer. A bacia do Mediterrâneo forneceu cerca de 8 milhões de imigrantes (magrebinos, turcos, iugoslavos). Ademais, ainda que a imigração de italianos e espanhóis para países e regiões mais desenvolvidas da própria Europa tenha diminuído sensivelmente nos anos 1960, os movimentos migratórios que tinham como origem Portugal, prolongaram-se pela década seguinte. Cabe citar também o fluxo de africanos especialmente de antigas colônias) que ingressou na Europa à época. Já os imigrantes, que se dirigiram aos EUA, tinham como origem o Caribe, o México, a América do Sul e Central, além daqueles originários dos países do Oriente Médio, sul e sudeste asiático.

Por volta da década de 1970, os fluxos migratórios denominados por alguns como “migrações de trabalho” diminuíram bastante em razão da crise econômica e do aumento do desemprego. A imigração clandestina passou a ser o componente maior das migrações que se dirigiam para a Europa e para os EUA.

Em função do fechamento dos destinos tradicionais, a imigração passou a se dirigir para países como a Itália, Espanha, Portugal e Grécia, aproveitando a entrada desses três últimos na Comunidade Europeia. Tais países passaram a ter a função de “escala temporária” em direção aos países tradicionais de acolhimento como a Alemanha e França.

Por outro lado, os choques do petróleo tiveram diversificaram os fluxos, já que com o aumente dos preços do combustível houve um aumento da oferta de empregos e da atratividade de diversos países produtores, como alguns do Golfo Pérsico, a Líbia, a Nigéria e a Venezuela – que acabaram se tornando destino de interesse de alguns grupos migratórios. Essa não foi uma migração durável e nem familiar, já que em função de conjunturas econômicas desfavoráveis, muitos desses imigrantes foram obrigados a voltar a seus países de origem. Foi o que aconteceu, por exemplo, com os imigrantes de Gana, expulsos da Nigéria; ou os da Tunísia, que tiveram que deixar a Líbia. Ainda assim, cerca de 7 milhões de pessoas se dirigiram para países da região do Golfo Pérsico – sendo a maioria originária de países próximos dos produtores de petróleo, mas também da Ásia do sul e sudeste (filipinos, indianos e paquistaneses).

Atualmente, a maioria dos imigrantes continua a se dirigir, preferencialmente, para os EUA e Europa. Em contrapartida, os países onde se originam os fluxos de saída são muito diversos.  Um dos aspectos mais importantes dos recentes movimentos migratórios refere-se à composição da imigração. As leis restritivas, paradoxalmente, favoreceram a vinda legal de membros das famílias dos imigrantes já estabelecidos (mulheres e crianças) em detrimento de homens adultos que, por sua vez, passaram a trilhar cada vez mais o caminho da imigração ilegal. Nas últimas décadas do século XX, a “imigração familiar” correspondeu a 55% dos imigrantes entrados na Suíça, 70% na França e 90% na Bélgica. A acolhida de refugiados também cresceu em função da multiplicação dos conflitos regionais. No total, os EUA acolheram 5,8 milhões de pessoas entre 1980 e 1990 e quase esse mesmo número somente entre 1990/95.

As leis norte-americanas de 1980 e 1986 tentaram regularizar cerca de 4 milhões de imigrantes clandestinos. As quotas de imigração são revisadas periodicamente e privilegiam a chegada de mão-de-obra qualificada e diplomada. As admissões passaram a ser bastante seletivas e o imigrante pobre do mundo subdesenvolvido, sem formação e que não fala a língua do país que o acolhe, praticamente não tem chance de ser aceito. Dependendo do caso, o acolhimento só é possível para refugiados políticos, cuja importância numérica é cada vez maior.

Na última década do século XX houve uma diversificação das destinações. Os países mediterrâneos componentes da União Europeia passaram se tornar atraentes para imigrantes. Ao mesmo tempo, os fluxos migratórios se acentuaram na Ásia do sudeste e leste. Novos fluxos migratórios ligados à abertura das fronteiras da Europa oriental e da antiga URSS passaram a se dirigir especialmente para a Alemanha. Antes da queda do Muro de Berlim, em 1989, existiam no Leste Europeu e Rússia cerca de 4 milhões de alemães; desses, mais ou menos metade retornou ao solo da Alemanha unificada. A Alemanha também acolheu, aproximadamente, 1 milhão de refugiados das guerras que se verificaram no território da antiga Iugoslávia, fato que reforçou ainda mais a condição de principal país de acolhimento de imigrantes no Continente Europeu.

O número de migrantes internacionais alcançou a marca de 244 milhões em 2015 – um aumento de 41% em relação ao ano 2000, segundo a ONU. Dentro desta cifra, 20 milhões são refugiados. No entanto, há diferenças nas regiões do mundo: na Europa, América do Norte e Oceania, os migrantes são pelo menos 10% da população; na África, Ásia e América Latina e Caribe, menos de 2% são estrangeiros. Em 2015, dois em cada três migrantes internacionais viviam na Europa ou na Ásia. Cerca de metade dos migrantes nasceram na Ásia. Ainda, 16 milhões de pessoas nascidas na Índia moram em outros países, comparado a 12 milhões do México, os dois países com as maiores diásporas do mundo. Rússia, China, Bangladesh, Paquistão e Ucrânia seguem em ordem na lista em número de cidadãos vivendo no estrangeiro.

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