Revoluções Industriais e o Capitalismo Atual

Aprenda sobre a Importância da Indústria e as Revoluções Industriais

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A importância da indústria e das revoluções industriais

A Revolução Industrial pode ser considerada, de forma sucinta, um conjunto de profundas mudanças que ocorreram nos métodos de transformação de matérias-primas naturais em produtos a partir do trabalho humano. Entretanto, deve-se levar em conta que essa revolução provocou (e ainda provoca) intensas transformações no espaço geográfico mundial, nos campos naturais, sociais, econômicos e políticos. Nesse sentido, cabe citar  o fragmento abaixo:

“Para muitos – embora não para todos –, a introdução da maquinaria acarretou, pela primeira vez, uma completa separação dos meios de produção: o trabalhador converteu-se em um “operador”. A máquina impôs uma disciplina a quase todos. A fiandeira não podia girar sua roda e o tecelão não podia correr sua lançadeira em casa, livres de supervisão, no horário que lhes conviesse. A partir de então, o trabalho era feito em fábricas, em um ritmo estabelecido por incansáveis equipamentos inanimados, como parte de uma grande equipe que tinha de começar, interromper e parar ao mesmo tempo – sob estrita fiscalização de supervisores, que impunham a assiduidade por meio de compulsão moral e pecuniária e, às vezes, por ameaça física. A fábrica era um novo tipo de prisão e o relógio, um novo tipo de carcereiro.”

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(LANDES, D.S. Prometeu desacorrentado: transformação tecnológica e desenvolvimento industrial na Europa ocidental, desde 1750 até os dias de hoje. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005).

Nesse sentido, a Revolução Industrial deu início a uma era de grande prosperidade material, possibilitando a consolidação do sistema capitalista, o aumento da produtividade (tanto na agricultura, para o abastecimento alimentar da população, quanto na oferta de bens para o consumo de pessoas, empresas e Estados), o grande desenvolvimento tecnológico e a formação de uma economia-mundo globalizada. Portanto, compreender a Revolução Industrial e as suas fases significa compreender a própria história da Humanidade e a produção do espaço geográfico capitalista, desde o campo produtivo até aos campos referentes aos problemas e impactos ambientais que a Humanidade convive no mundo contemporâneo.

A Primeira Revolução Industrial (Final do século XVIII a meados do século XIX)

A primeira etapa da Revolução Industrial, iniciada no final do século XVIII, teve sua origem na ilha da Grã-Bretanha. O pioneirismo inglês é fruto de uma série de características que possibilitaram uma forte ascensão das indústrias. Com as revoluções inglesas ocorridas no século XVII, observou-se a ascensão da burguesia ao poder, com a introdução de uma monarquia parlamentarista na qual os poderes ficam nas mãos do primeiro-ministro. Em outras palavras, estava no poder no Reino Unido uma classe capitalista, que tinha como preocupação central o lucro e o acúmulo de capitais. Sendo assim, essa estaria disposta a utilizar o Estado inglês como forma de atingir seus objetivos econômicos, sendo um fator determinante para a eclosão da Revolução Industrial. Soma-se a isso a questão da acumulação primitiva de capital. Durante o predomínio da doutrina econômica mercantilista, nenhuma outra potência conseguiu acumular um volume tão grande de riquezas como a Inglaterra, devido ao intenso comércio realizado durante o capitalismo comercial. Tais riquezas foram utilizadas na dotação de infraestrutura, como rede de transporte, extração de carvão mineral e matérias-primas, e para a instalação de indústrias.

Existiu também um grande avanço nas técnicas e equipamentos para a produção, chegando-se a descoberta das máquinas a vapor, algo que mudou completamente a história da produção. Os maiores avanços foram nos setores têxtil, naval e metalúrgico, principais indústrias da primeira etapa da Revolução Industrial. Além disso, houve a vantagem da existência de jazidas carboníferas na ilha da Grã-Bretanha, principal matriz energética da Primeira Revolução Industrial. Por sua vez, a existência de minério de ferro favoreceu a expansão das indústrias metalúrgicas, navais, ferroviárias e de máquinas.

Por fim, a Lei do Cercamento dos Campos (Enclosure Acts), no final do século XVII favoreceu a saída de pessoas do meio rural em direção ao meio urbano e, com isso, paulatinamente as cidades estavam contando com uma oferta de mão de obra para o trabalho nas nascentes indústrias na Inglaterra. Esse processo foi tão intenso que gerou um Exército Industrial de Reserva, massa de trabalhadores desempregados que mantém baixo o valor dos salários pagos ao proletariado. Com todos esses elementos, a Revolução Industrial pôde surgir e fazer da Inglaterra a grande potência durante a fase industrial do sistema capitalista.

A Segunda Revolução Industrial (Meados do século XIX a meados do século XX)

Ao longo do século XIX o fenômeno industrial foi atingindo novos territórios e adquirindo novas formas, a partir das melhorias realizadas nas técnicas e equipamentos desenvolvidos com a Revolução Industrial. A esse conjunto tão grande de avanços e mudanças na forma industrial de produzir, os especialistas atribuem o nome de Segunda Revolução Industrial, que se estendeu de finais do século XIX até meados do século XX. Essa revolução apresenta uma importantíssima mudança na geografia das indústrias, a partir das modificações nos métodos de produção do espaço e pela ascensão de indústrias fora do continente europeu, nos EUA e no Japão.

O primeiro grande avanço a ser destacado foi a descoberta do aço, a partir da combinação do minério de ferro com o carbono, sendo um material de grande resistência e de maior durabilidade e resistência quando comparado ao ferro. Com isso, os produtos fabricados a partir do aço teriam um tempo de vida maior e uma maior leveza, que facilitaria a sua circulação, além de permitir a produção de meios de transportes mais ágeis e com menor consumo de combustíveis. Além disso, ocorreram profundos avanços nas fontes de energia, com a descoberta do petróleo (que além de ser uma fonte de energia com grande poder de combustão, fornece vários derivados que também podem ser utilizados como matérias-primas) e da eletricidade. Concomitantemente foi desenvolvido o motor de combustão interna, que possibilitaria um melhor e mais econômico funcionamento das máquinas e meios de transporte.

A partir da expansão da Revolução para outros países e da grande ampliação da escala produtiva, os mercados europeus começaram a ficar esgotados, gerando uma necessidade por novas áreas para a realização de investimentos, novos mercados consumidores e para a obtenção de matérias-primas e fontes de energia. Tais necessidades levariam as potências europeias à corrida imperialista na África e na Ásia, cujo elemento simbólico foi a Conferência de Berlim que definiu a partilha do continente africano. O resultado dessa expansão foi a deterioração dos modos de viver nas colônias e a eclosão das Guerras Mundiais.

Uma grande transformação no espaço geográfico foi o aparecimento das metrópoles, cidades de grande porte que concentravam os distritos industriais, devido à lógica produtiva de aglomeração das atividades industriais como forma de baratear os custos produtivos. Tal expansão elucida a intensificação do processo de urbanização no mundo. Nessa fase, o pioneirismo tecnológico e a liderança econômica ficaram por conta do EUA, que reunia as condições favoráveis para a industrialização, dentre as quais:

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A colonização de povoamento, que trouxe migrantes ingleses que possuíam habilidades no trabalho artesanal e manufatureiro. Como existia uma relação de trabalho assalariada, aos poucos um mercado interno foi sendo desenvolvido;

Intenso acumulo de capitais pela burguesia comercial e industrial, disposta a realizar os investimentos necessários para a ampliação da lucratividade;

Vitória da classe burguesa na guerra de Independência, em 1776, e na guerra de Secessão, entre 1861-65;

Predomínio de um grupo populacional ligado a religiões protestantes, que não condenavam o enriquecimento e viam no trabalho uma forma de salvação;

Existência de uma grande oferta de recursos naturais no território, que possibilitou o abastecimento da indústria emergente no país.

Todos esses fatores levaram a uma grande arrancada industrial nos Estados Unidos, na região próxima aos Grandes Lagos, no nordeste do país, que em pouco tempo se transformou no centro da economia capitalista.

A Terceira Revolução Industrial (Meados do século XX aos dias atuais)

A partir da segunda metade do século XX, inicia-se uma nova fase de processos tecnológicos, decorrentes de uma integração física entre ciência e produção, denominada Terceira Revolução Industrial ou Revolução Técnico-Científica-Informacional. Como resultado, temos a aplicação quase imediata das descobertas científicas no processo produtivo. Esse fato proporcionou a ascensão das atividades que empregam alta tecnologia em sua produção. Como exemplos tem-se: a informática, que produz computadores, e softwares; a microeletrônica, que fabrica chips, transistores e produtos eletrônicos; a robótica, que cria robôs para uso industrial; as telecomunicações, que viabilizam as transmissões de rádio e televisão, telefonia fixa e móvel e a Internet; a indústria aeroespacial, que fabrica satélites artificiais e aviões; e a biotecnologia, que produz medicamentos, plantas e animais manipulados geneticamente.

É importante sabermos que as tecnologias em cada um desses setores são imprescindíveis para os avanços nos demais, ocorrendo uma estreita relação de interdependência entre suas formas de aplicação. Nas sociedades capitalistas, sobretudo nas mais industrializadas, a criação de tecnologias altamente sofisticadas melhora o desempenho e a produtividade do trabalho, cria produtos de melhor qualidade e barateia os custos de produção das empresas. A princípio, a robotização, os robôs ou as novas tecnologias de produção parecem ser os únicos causadores do desemprego. No entanto, existem outras razões de ordem econômica, social, institucional e geopolítica que, associadas à tecnologia, formam um conjunto que explica melhor aquilo que, para alguns analistas, significaria até mesmo o fim de uma sociedade organizada com base no trabalho.

As empresas multinacionais, para restabelecer sua rentabilidade, expandiram espacialmente sua produção por continentes inteiros. Surgiram novos países industrializados e os mercados externos cresceram mais que os mercados internos. O capitalismo internacional reestruturou-se, pois os países de economia avançada precisaram criar internamente condições de competitividade. A saturação dos mercados acabou gerando uma produção diversificada para atender a consumidores diferenciados. Os contratos de trabalho passaram a ser mais flexíveis. Diminuiu o número de trabalhadores permanentes e cresceu o número de trabalhadores temporários. Flexibilizaram-se os salários − cresceram as desigualdades salariais, segundo a qualificação dos empregados e as especificidades da empresa. Os sindicatos viram reduzidos seu poder de representação e de reivindicação. Ampliou-se o desemprego.

A difusão dos serviços de telefonia por cabos oceânicos ou por meio de satélites, a informatização das empresas e a transmissão de dados pela Internet permitem, por exemplo, a integração simultânea entre sedes de indústrias, bancos e bolsas de valores do mundo todo. O transporte em massa de pessoas e mercadorias por navios e aviões de grande porte tornou muito mais intenso os negócios empresariais e o comércio internacional. Dessa forma, as grandes distâncias deixaram de construir obstáculos para uma integração mais afetiva entre as nações. Criaram-se, assim, as condições necessárias para a expansão do capitalismo em nível planetário, principalmente por meio da implantação de filiais das grandes empresas multinacionais, até mesmo em países menos avançados ou de economia não capitalista. Esse processo, que se desencadeou especialmente nas últimas décadas do século XX, foi decisivo para consolidar a presente fase do capitalismo e da divisão internacional do trabalho, a chamada globalização. Esta tem servido para interligar ainda mais o espaço geográfico mundial, intensificando as relações econômicas e culturais entre os países. Por isso, muitos estudiosos analisam o mundo atual como um espaço interligado e globalizado, o espaço global.

Tecnopolo

é um termo que se caracteriza por ser a reunião, no mesmo lugar, de diversas atividades de alta tecnologia, empresas e universidades, centros de pesquisas etc., o que facilita os contatos pessoais entre os funcionários e produz efeito de sinergia de que podem surgir inovações técnicas e novas ideias, isso é, tecnologia. Os tecnopolos são originários dos Estados Unidos, quando na Universidade de Stanford, na Califórnia, criou-se o Silicon Valley e têm se espalhado em outros lugares como Europa e Japão. Por exemplo, podemos considerar Tsukuba (Japão) e Campinas (Brasil) como locais com tecnolopolos.

Os tecnopolos estão relacionados às indústrias avançadas, chamadas indústrias de ponta, que geralmente se organizam ao redor de universidades as quais recebem subsídios do governo e de companhias privadas. Junto das universidades surgem centros de pesquisas (sejam eles particulares ou governamentais), empresas e indústrias. Com isso, ocorreu o eu David Harvey chama de contração do espaço-tempo. Esse fenômeno se consolida devido ao aumento da velocidade de deslocamento de meios materiais e imateriais, possibilitando uma integração mais forte entre os territórios mundiais.

Durante a Terceira Revolução Industrial, os setores de transporte materiais e imateriais sofreram um forte desenvolvimento, o que possibilitou uma grande redução nos custos operacionais e deu origem a uma informação em tempo real, graças aos Meios Técnicos-Científicos-Informacionais (as infovias). Sendo assim observou-se profundas transformações na organização do espaço geográfico mundial, como:

a reestruturação produtiva ligada ao modelo pós-fordista;

a volatilização do capital, ou seja, o capital passa a apresentar grande fluidez, movimentando-se de acordo com a segurança e a rentabilidade que cada país oferece ao investidor desse capital (também chamado de capital especulativo, hot money e smart money).

aceleração das trocas culturais;

informação em tempo real etc.

Portanto, as inovações tecnológicas da Terceira Revolução Industrial possibilitaram uma redução do espaço-tempo e, nesse sentido, é um dos principais braços para o processo de globalização.

Resumo das Fases do Capitalismo e das Revoluções Industriais

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