RÚSSIA E LESTE EUROPEU

Durante décadas, a União Soviética rivalizou com os Estados Unidos (EUA) pela hegemonia mundial até entrar em declínio e deixar de existir formalmente em 1991, quando deu origem a 15 repúblicas independentes, incluindo a própria Rússia.
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Desde que assumiu pela primeira vez o poder na Rússia, em 2000, Vladimir Putin promoveu uma série de reformas internas para revitalizar a economia e adotou estratégias ousadas para recolocar o país como protagonista no cenário internacional. Se as fragilidades econômicas ainda são latentes, o fato é que a Rússia voltou a se posicionar como uma superpotência. O país é um ator decisivo nas principais questões globais e, fundamentalmente, passou a ser visto com temor e respeito pela comunidade internacional.

Em 2018, quase 20 anos depois do início da Era Putin, o presidente venceu mais uma eleição, que lhe conferiu um quarto mandato de 6 anos. Apesar de sofrer rejeição da comunidade internacional, Vladimir Putin mantém forte prestígio perante a opinião pública interna. 

O FIM DA GUERRA FRIA E A TRANSIÇÃO PÓS-SOVIÉTICA

A Rússia deixou para trás o período soviético nos anos 1990 fazendo uma transição conturbada para o capitalismo. Se durante o comunismo praticamente todas as empresas eram estatais, em questão de poucos anos todas as companhias foram privatizadas. A maioria delas foi parar nas mãos dos chamados oligarcas – influentes políticos próximos do então presidente Boris Yeltsin. Ao obter vantajosos empréstimos do governo, esses políticos arremataram empresas estratégicas do setor de energia, que passaram a ser geridas pela iniciativa privada. A transição para o capitalismo gerou aumento da inflação, da pobreza e da desigualdade social.

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Imersa em um caos político e econômico, a Rússia assistiu passivamente as potências Ocidentais ocuparem sua antiga esfera de influência. A expansão da Otan, a aliança militar ocidental, e da União Europeia (UE) rumo ao leste europeu fragilizou a posição externa da Rússia. Dessa forma, países como Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Hungria e República Tcheca, que tradicionalmente gravitavam sob a órbita de influência de Moscou, se alinharam com o Ocidente.

A ECONOMIA RUSSA NO PERÍODO PUTIN

Ex-espião da KGB (o antigo serviço secreto da União Soviética), Putin foi alçado ao poder devido à atuação de destaque na área de segurança nacional. Ele ganhou prestígio ao ordenar uma intervenção militar na Chechênia, onde grupos separatistas desafiavam o poder central.

Desde que foi eleito presidente da Rússia pela primeira vez, em 2000, Putin tomou iniciativas para tentar recuperar a economia e restaurar a força internacional do país. Primeiramente, tratou de retomar para o Estado o controle das empresas que haviam sido privatizadas na gestão anterior. A partir desta estratégia, Putin passou a privilegiar a exportação de recursos naturais – o país é um dos grandes produtores mundiais de petróleo e gás.

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Internamente, o líder russo adotou uma postura autocrática. Putin centralizou o poder em torno de sua liderança, minando alguns pilares da incipiente democracia russa. Entre outras ações, acabou com as eleições diretas para governadores regionais, restringiu a liberdade de imprensa e impôs forte pressão aos oposicionistas, com prisões sem justificativa clara. Como a legislação russa impede três mandatos consecutivos, Putin foi sucedido em 2008 por Dmitri Medvedev. Mas em seu projeto de poder, Putin continuou dando as cartas como primeiro-ministro até ser eleito presidente novamente em 2012 para o atual mandato.

Impulsionada pelas receitas com as exportações de petróleo e gás, cujos preços dispararam no mercado internacional, a economia russa cresceu a uma média anual de 7% entre 2000 e 2007. Mas, com a crise financeira mundial a partir de 2008, a queda na demanda mundial por commodities, fez as exportações de petróleo e gás despencarem. A desvalorização do rublo, por sua vez, tornou as importações mais caras, afetando setores industriais dependentes de componentes comprados no exterior. Nos anos que se seguiram à crise, o país sofreu com a queda no consumo e na renda da população.

POLÍTICA EXTERNA RUSSA: OS CASOS DA UCRÂNIA E SÍRIA

Em meio à desaceleração econômica, a Rússia ainda se viu diante de enormes desafios para a sua política externa. As revoltas que derrubaram o governo na Ucrânia, no início de 2014, deixaram o país a um passo de abandonar a zona de influência da Rússia para se alinhar aos europeus. Em um momento de grandes dificuldades econômicas, a Rússia não poderia perder um importante parceiro econômico.

Por isso, ele não demorou a agir. O primeiro passo foi tomar a Crimeia da Ucrânia e anexá-la à Rússia. Logo na sequência, irromperam revoltas separatistas em importantes províncias do leste ucraniano como Dontesk e Lugansk, onde também vive um grande contingente de russos. Europeus e norte-americanos acusaram a Rússia de violar a integridade territorial da Ucrânia e desrespeitar o direito internacional. Como represália, as potências ocidentais aplicaram sanções econômicas, que ajudaram a mergulhar a Rússia na recessão.

No segundo semestre de 2015, a Rússia passou a intervir diretamente no conflito da Síria, a partir de ataques aéreos. Oficialmente, a investida é contra as posições do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), mas o foco da operação russa é claramente proteger o ditador sírio, Bashar al-Assad. Além de conquistar maior peso na comunidade internacional, a intervenção em favor de Assad, significa para Putin a manutenção de uma longa aliança com a Síria, que vem desde o período soviético. A Rússia é uma antiga fornecedora de armamentos e inteligência militar para os sírios. Esta parceria rende a Moscou o controle da base naval de Tartus no litoral da Síria. O porto é o principal acesso da Rússia ao Mediterrâneo e representa o ponto mais estratégico da Rússia no Oriente Médio.

A POLÊMICA DA INFLUÊNCIA RUSSA NAS ELEIÇÕES DOS EUA

A Rússia tornou-se um país tão influente a ponto de atrair os holofotes durante principal evento político de 2016 – as eleições presidenciais nos EUA. Segundo a CIA, a agência de inteligência norte-americana, a Rússia hackeou os computadores do Partido Democrata e tornou públicos diversos e-mails para prejudicar a candidatura de Hillary Clinton. A ação teria como intenção ajudar o então candidato republicano Donald Trump a vencer as eleições.

Não se sabe se Trump se aliou a Putin para prejudicar Hillary ou se a Rússia agiu por conta própria para favorecer um candidato mais alinhado com os seus interesses. Tudo isso ainda é alvo de investigação, mas o fato é que, durante a campanha, Trump fez diversos elogios públicos à forma como Putin comanda o seu país, além de compartilhar com o líder russo o forte nacionalismo e a rejeição ao globalismo. Independentemente do que possa ter acontecido, a questão deflagrou uma grave crise dos primeiros meses do governo Trump.

O NACIONALISMO RUSSO

Putin se transformou em um símbolo de uma nova onda nacionalista. A Rússia estabeleceu canais de cooperação com praticamente todos os partidos de extrema-direita dos países que fazem parte da UE. Na França, Alemanha, Itália, Áustria, Holanda, Itália, as agremiações nacionalistas recebem o apoio maciço da Rússia, firmado em protocolos formais de cooperação.

Para Putin, o apoio à extrema-direita europeia é uma forma de minar a UE por dentro. O avanço dos partidos ultranacionalistas tem polarizado o espectro político europeu, muitas vezes causando fraturas na sociedade. Além disso, todas essas agremiações desafiam as políticas de integração do bloco e defendem a saída de seus respectivos países da UE. Nada mais conveniente para as ambições geopolíticas de Putin do que enfraquecer, dividir e provocar instabilidade na Europa.

Apesar dos resultados econômicos decepcionantes e do crescimento de uma pequena, mas barulhenta, oposição, Putin conquistou um novo mandato à frente do poder na Rússia. Esse respaldo doméstico lhe garante a força necessária para continuar ditando os movimentos no xadrez geopolítico mundial.

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