URBANIZAÇÃO: CONCEITOS PRINCIPAIS

Urbanização é o nome do processo que ocorre quando a população urbana cresce num ritmo mais rápido do que a população rural. Normalmente isso ocorre quando, por algum motivo, começa a haver uma intensa migração de pessoas do campo para a cidade, ou seja, um êxodo rural. Na maior parte das vezes, esse movimento migratório tem a ver com o processo de industrialização, que faz com que as cidades se tornem atraentes em função do surgimento ode novas vagas de emprego.
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De modo geral, a urbanização vem acompanhada do aumento do tamanho e da quantidade de cidades num país. Na maior parte dos casos, a economia dos países também passa a depender principalmente de atividades ocorridas no espaço urbano, ao passo que diminui a importância das atividades produzidas no espaço rural.

Como pode ser visto no gráfico abaixo, a urbanização acelerada é um fenômeno relativamente recente na história do planeta. O início desse processo ocorreu no século XVIII, quando houve a 1ª Revolução Industrial na Inglaterra. Portanto, podemos afirmar que a industrialização incentivou o processo de urbanização – assim como as cidades preexistentes possibilitaram a industrialização.

População urbana sobre o total mundial (%)

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Nesta fase da história mundial, o crescimento das cidades foi intenso. Em 1801, 10% da população da Inglaterra vivia em cidades de 100 mil habitantes ou mais; quarenta anos depois, esta população estava duplicada e em 1900, quadruplicada. Nos países que realizaram a Revolução Industrial posteriormente, como Estados Unidos, Alemanha e Japão, a urbanização foi ainda mais veloz.

A partir do início do século XX, o ritmo de urbanização diminuiu nesses países, de modo que os acréscimos populacionais passaram a ser resultado do crescimento demográfico, e não mais de um intenso êxodo rural. No pós-guerra, a concentração humana e a elevação do poder aquisitivo das populações dos países mais desenvolvidos produziram um grande aumento do consumo de bens e serviços, o que favoreceu a expansão do setor terciário da economia. Com isso, gradativamente houve um deslocamento de parte da população ativa do setor secundário para o terciário, ao mesmo tempo que ocorria uma urbanização mais lenta e que permitia promover a melhora dos serviços e infraestrutura essenciais à sociedade.

Após a Segunda Guerra Mundial, quando a urbanização já estava “concluída” nos países centrais, foi a vez de os países periféricos experimentarem uma urbanização rápida e desordenada, principalmente na Ásia e na América Latina. Por consequência disso, podemos notar que todos os países centrais e a maioria dos periféricos industrializados possuem altas taxas de urbanização. Afinal, ao se industrializarem, esses países (primeiro os desenvolvidos, e depois os periféricos) experimentaram um rápido crescimento populacional nas suas cidades.

Atualmente, a urbanização continua a ocorrer, mas de forma desigual. Em muitos países pobres o ritmo de urbanização continua acelerado, principalmente por conta das péssimas condições de vida existentes na zona rural, causadas pela estrutura fundiária bastante concentrada; pelos baixos salários e baixa qualidade de vida; pela falta de apoio aos pequenos agricultores; e pela modernização do campo, que ao se mecanizar provoca desemprego e libera grandes contingentes de mão-de-obra para as cidades.

Assim, os últimos 50 anos foram marcados por um crescimento muito maior da urbanização nos chamados países semiperiféricos e nos periféricos do que nos chamados países centrais.  Esta urbanização pode ser classificada como tardia ou anômala, possuindo como características a rapidez e a desordem na ocupação do solo urbano. Além disso, nesses países também predominou a urbanização periférica, já que boa parte dos novos moradores das cidades acabaram indo morar em loteamentos clandestinos de áreas de periferias, afastadas dos centros principais – por conta da dificuldade de obter imóveis baratos, o que é causado pela especulação imobiliária.

Outra característica da urbanização atual é que, em função da robotização industrial, houve uma diminuição do número de vagas de emprego nas fábricas nas últimas décadas. Logo, atualmente muitas cidades continuam a crescer e a verem sua população aumentar, mas não necessariamente por conta da existência de fábricas e da oferta de empregos industriais, como era no passado. Na verdade, atualmente a maior parte das vagas de emprego em muitas cidades estão nas atividades de comércio e prestação de serviços. Com isso, aumenta urbanização terciária – ou seja, ligada ao setor terciário da economia.

METROPOLIZAÇÃO E HIERARQUIA URBANA

Metropolização é o que ocorre quando há uma concentração do crescimento populacional em algumas poucas cidades. Essas cidades passam a ser chamadas de metrópoles, e se caracterizam pelo recebimento de grandes contingentes de novos habitantes, o que as obriga a desenvolver cada vez mais infraestrutura e serviços para atender a esses cidadãos. Com isso, passam a se tornar mais importantes e a influenciar outras cidades vizinhas – ou, dependendo da escala, do resto do país ou do mundo.

Esse processo teve início nos países centrais, junto com o processo de urbanização influenciado pelo desenvolvimento das indústrias. As metrópoles (detentoras dos principais equipamentos urbanos e influências num determinado país) apresentaram, por muito tempo, ritmo de crescimento populacional superior do que o verificado nas médias e pequenas cidades.

Alguns exemplos são as metrópoles de Londres, Paris e, posteriormente, Nova Iorque e Tóquio.

O crescimento dessas cidades originou conurbações (junção das áreas urbanas de duas ou mais cidades), pois as metrópoles passavam a crescer e a se encontrar fisicamente com outras cidades vizinhas.

Esquema representando o processo de conurbação

Com isso, surgiram regiões metropolitanas, que são definidas como sendo um conjunto de municípios contíguo, conturbados e integrados a uma cidade principal (metrópole), com serviços públicos e de infraestrutura comuns. Esse mesmo processo, quando ocorre entre duas ou mais metrópoles, provoca a formação de uma outra estrutura urbana, chamada de megalópole – que são conurbações de duas ou mais regiões metropolitanas ou de metrópoles. As megalópoles são mais comuns em países desenvolvidos, justamente por eles terem um processo de urbanização mais antigo e por terem mais metrópoles geograficamente próximas – o que facilita a ocorrência de uma conurbação entre elas.

Exemplos de megalópoles nos EUA, Japão e Europa

REDE E HIERARQUIA URBANA

A rede urbana é o conjunto articulado de cidades e grandes centros urbanos, que se integram em escalas mundial, regional e local por meio de fluxos de serviços, mercadorias, capitais, informações e recursos humanos. O grau de integração de uma dada rede urbana de um país é um indicativo de seu nível de desenvolvimento. Em regiões economicamente mais dinâmicas, a tendência é uma maior interligação entre as suas diferentes cidades, geralmente mais adensadas e com uma melhor infraestrutura. Por outro lado, países considerados subdesenvolvidos apresentam uma integração limitada entre as suas cidades, apresentando uma organização territorial dispersa e pouco coesa.

Essa rede estrutura-se por meio de uma hierarquia, em que as cidades menores costumam ser relativamente dependentes das cidades maiores e economicamente mais desenvolvidas. Ou seja, a hierarquia urbana é a influência ou polarização que cada cidade exerce num determinado espaço, sendo que, por exemplo, metrópoles são muito mais influentes do que centros regionais, que por sua vez, são mais influentes do que cidades e vilas. Contudo, é importante entender que, com a evolução tecnológica e a melhora nos transportes e nas telecomunicações, a rede urbana melhorou e a hierarquia entre as cidades se tornou muito menos rígida.

Relações entre as cidades: a hierarquia urbana antiga (esquerda) e a atual (direita)

Por isso mesmo, é importante entender o conceito de cidade global. As cidades assim nomeadas são lugares de comando (poder decisório) da política e/ou da economia internacional. Normalmente possuem sedes de grandes corporações internacionais, de grandes bancos e serviços ligados à tecnologia de ponta. São “nós” da economia global, já que as decisões tomadas ali vão influenciar a produção industrial, agropecuária e a vida de milhões de pessoas ao redor do planeta. Nova Iorque, Londres, Tóquio e Paris são exemplos de cidades globais com enorme influência. Porém, há outras cidades globais que, apesar de serem menos influentes, também representam polos de importância mundial – como é o caso de São Paulo.

Na economia financeira atual, a formação de cidades globais é algo crucial para o desenvolvimento de um dado país, pois são nessas cidades que se instalam os principais centros econômicos e onde a comunicação com os demais polos de desenvolvimento acontece. Forma-se, então, uma verdadeira rede de cidades globais, capazes de concentrar boa parte da população mundial e de garantir o funcionamento da economia globalizada.

É importante não confundir o termo “cidade global” com o termo “megacidade”. Isso porque as megacidades são, na verdade, aglomerados urbanos com população grande – mais de dez milhões de habitantes. Assim, enquanto as cidades globais são mais comuns em países desenvolvidos, a maioria das megacidades são encontradas em países periféricos, justamente por serem estes os locais cujo processo de urbanização é mais recente – e que, em vários casos, continua acelerado.

Principais cidades globais (cidades muito influentes)

Principais megacidades (cidades muito populosas)

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