A GUERRA FRIA – 1947 – 1955 – OS TEMPOS DA BIPOLARIDADE

Com o fim da Segunda Guerra Mundial e derrotadas as potências totalitárias na Europa e Ásia, outra questão começava a tomar corpo nas relações internacionais: os soviéticos, outrora aliados contra o nazifascismo, voltavam ao status de inimigos das democracias ocidentais.
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O INÍCIO DA BIPOLARIDADE

A Grã-Bretanha, tradicional potência europeia, arrasada e esgotada, não tinha condições de zelar pelo equilíbrio europeu. Os Estados Unidos passaram a assumir o papel de liderança mundial desempenhado pelos ingleses até então.

O discurso do presidente Harry Truman ao Congresso, em 12 de março de 1947, solicitando auxílio econômico para Grécia e Turquia, demonstra a emergência dos Estados Unidos como nova potência mundial, em detrimento da Grã-Bretanha, exaurida por quase seis anos de guerra. A Doutrina Truman, explicitada no artigo Três fontes da conduta soviética, de George F. Kennan, publicado em Foreign Affairs, determinou a linha de conduta externa americana do pós-guerra: a contenção do comunismo.

Eis parte do discurso de Truman que seria a tônica da política externa dos Estados Unidos até o colapso do sistema soviético no final da década de 1980:

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Os Estados Unidos receberam do governo grego um apelo urgente de assistência financeira e econômica. Os relatórios preliminares da Missão Econômica Americana, ora na Grécia, e os relatórios do embaixador americano na Grécia corroboram a declaração do governo grego de que a assistência se faz imperativa para que a Grécia sobreviva como nação livre.

A própria existência do Estado grego é hoje ameaçada pelas atividades terroristas de milhares de homens armados, dirigidos por comunistas, que desafiam a autoridade do governo em vários pontos.

A Grécia precisa receber assistência para poder tornar-se uma democracia capaz de sustentar-se e respeitar-se.

Aos Estados Unidos cabem fornecer essa assistência.

A vizinha da Grécia, a Turquia, também merece nossa atenção.

Acredito que a política dos Estados Unidos deve ser a de apoiar os povos livres que estão resistindo à subjugação tentada por minorias armadas ou por pressões vindas de fora.

Solicito, portanto, ao Congresso, que autorize o presidente a prestar assistência à Grécia e à Turquia no montante de 400 milhões de dólares.

Além dos fundos, solicito ao Congresso que autorize o envio de pessoal civil e militar americano à Grécia e à Turquia, a pedido desses países.

A máxima moral de Washington de “passar ao largo das alianças permanentes” perdeu seu sentido. Nada mais que acontecesse no mundo seria estranho aos Estados Unidos. A despeito do discurso ideológico dos líderes norte-americanos apelarem para o idealismo de Woodrow, isto é, a defesa dos valores de democracia e liberdade, EUA e URSS travaram, em realidade, uma verdadeira batalha por áreas de influência.

O intervencionsimo estava associado diretamente com as questões de segurança nacional. Os presidentes americanos passariam a seguir a “Teoria da Contenção”, desenvolvida por George Kennan, isto é, a ideia de que a área de influência soviética deveria ficar restrita aos limites obtidos ao final da Segunda Guerra Mundial. A contenção foi colocada em prova, com vitórias para ambos os lados, diversas vezes: Berlim (1949), Coreia (1950-53), Cuba (1962), Vietnã (1961-75) e Afeganistão (1979).

A principal característica deste período (1945-89) foi a ausência de um confronto direto entre norte-americanos e soviéticos, pois devido aos armamentos nucleares os soviéticos detonaram sua primeira bomba atômica em 1949, ambos os governos temiam uma guerra nuclear. O pensador francês Raymond Aron, um dos grandes especialistas sobre Guerra Fria, sintetizou o período com a máxima “paz impossível, guerra improvável”.

O primeiro campo de disputa da Guerra Fria foi o continente europeu. Pela Conferência de Potsdam, a Alemanha ficaria dividida em quatro zonas de ocupação, estabelecidas pelos três grandes mais a França. A Alemanha acabaria ficando dividida pelo embate ideológico em República Federal da Alemanha (Ocidental) e República Democrática da Alemanha (Oriental). Ademais, a cidade de Berlim, capital do III Reich, também seria dividida entre os aliados.

Berlim Ocidental era, portanto, uma ilha de prosperidade econômica dentro da zona de ocupação soviética. Os norte-americanos, interessados em fazer propaganda do regime democrático e capitalista contra o socialismo soviético, começaram a investir vultuosas somas na economia berlinense como forma de desenvolver sua parte de ocupação da cidade. Era o início de um processo denominado de Milagre Alemão.

As décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial são caracterizadas como uma época em que as sociedades capitalistas desenvolvidas alcançaram um excelente nível de produção industrial, baixos índices de desemprego e manutenção dos preços de bens e serviços. O período do início dos anos 50 até a década de 70, quando ocorreram as crises do petróleo, recebeu inúmeras denominações pelos historiadores: “era do ouro”, “milagre keynesiano”, les trente glorieuses, afluent society etc., termos que procuram sintetizar o boom econômico do mundo capitalista desenvolvido no pós-guerra.

Os Estados Unidos contribuíram decisivamente para a prosperidade econômica europeia através do Plano Marshall (1947), programa de ajuda financeira para a reconstrução da Europa cujos objetivos eram fortalecer os países capitalistas e anular a influência do comunismo na Europa Ocidental. O Plano Marshall foi oferecido para odos os países europeus, sem restrições aos regimes socialistas. A União Soviética, contudo, preocupada em manter sua zona de influência sem interferência norte-americana, proibiu a aceitação de ajuda do Plano Marshall. Os soviéticos acabariam organizando o Comecon (1949), espécie de bloco econômico dos países socialistas. A Iugoslávia, país libertado da presença nazista pelo guerrilheiro Josip Broz, o Tito, foi a única nação socialista a receber ajuda do Plano Marshall, revelando uma independência que incomodava a União Soviética.

No caso da economia da República Federal da Alemanha, houve uma Reforma Monetária, em 21 de junho de 1948, que criou o Deutsche Mark. A Reforma Monetária, planificada pelo técnico norte-americano Dodge, foi posteriormente acrescida por Ludwig Erhard, futuro ministro da Economia e chanceler da República Federal Alemã. A expressão “milagre econômico” (Wirtschaftswunder) foi utilizada já nos anos 50 para designar “a espetacular ressurreição da economia e sociedade”. Vários autores alemães escreveram sobre o tema: Wallich (Triebkräfte des deutschen Wiederaufstiegs, 1955); Reithinger (Soziale Marktwirtschaft 1958); Ludwig Erhard (Wohlstand für alle, 1964); Rach (Financiamento do milagre econômico).

O programa de desenvolvimento da economia alemã começou a provocar problemas no lado comunista. Muitas pessoas com alto nível de qualificação, como médicos, professores e cientistas, começaram a fugir para o lado ocidental em busca de melhor qualidade de vida e liberdades. Os soviéticos, inicialmente, estabeleceram um bloqueio aos acessos à cidade de Berlim Ocidental como forma de forçar os americanos a abandonarem a cidade. O resultado foi o primeiro teste da política da contenção, vencida pelos americanos, que estabeleceram uma ponte aérea como forma de manter o abastecimento da cidade. Em 1961, durante a presidência de Kennedy e do líder soviético Nikita Kruschev, os comunistas ergueram o infame Muro de Berlim como forma de evitar a fuga da população do lado comunista para o Ocidente, revelando a incapacidade soviética em conceder um bom padrão de vida para os habitantes da Alemanha Oriental.

Na Itália, o governo do pós-guerra lançou um plano decenal (1955-65), conhecido por Schema Vanoni, que propunha absorver o desemprego, reduzir os desequilíbrios entre norte e sul e incrementar as exportações para equilibrar a balança comercial. O “milagre italiano” foi favorecido pelo Plano Marshall, pelas demandas internacionais de bens industrializados, pelos investimentos decorrentes da adesão da Itália à Comunidade Econômica Europeia e pelo crescimento do mercado interno.

Além dos programas econômicos, a Guerra Fria ficou marcada pelas alianças militares. Inicialmente, os europeus ocidentais solicitaram ao governo norte-americano a organização de um tratado de defesa militar mútua. O governo Truman preconizou, então, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), cujo princípio fundamental era um sistema defensivo que supunha que um ataque a um país-membro significava um ataque contra todos os signatários.

A Otan era um recado direto aos soviéticos: um ataque contra um país-membro significaria uma guerra mundial. O objetivo era coagir os comunistas a abandonarem qualquer ação militar que pudesse ameaçar o Ocidente. Ironicamente, a única ação militar da Otan ocorreu após a Guerra Fria, em 1999, quando a organização bombardeou a Iugoslávia do ditador Slobodan Milosevic, acusado de promover genocídio contra a população albanesa do Kosovo. Os soviéticos, após a Otan e a remilitarização da RFA, responderam com a criação do Pacto de Varsóvia, em 1955. O Pacto de Varsóvia tinha os mesmos objetivos da Otan e foi acionado duas vezes: em 1956, contra os húngaros, e, em 1968, na chamada Primavera de Praga.

Na Ásia, região que sofreria com a Guerra Fria logo em fins da década de 1940, com a Revolução Comunista na China, os Estados Unidos patrocinariam a reconstrução econômica do Japão.

O Japão, diante da eminente vitória dos comunistas na China, começou a ser tratado pelos Estados Unidos como um aliado. O governo norte-americano diminuiu as reparações exigidas ao governo japonês, revogou as leis antitrus da administração MacArthur (1945-48) e concedeu auxílio financeiro para a reconstrução do país. O “Plano de Dez Anos” (1961-70) previa a duplicação da riqueza nacional. Na década de 60, o crescimento do Japão na taxa média anual de 11% foi o mais elevado do mundo.

Mao Tsé-Tung, que tem seu nome também escrito no Ocidente como Mao Zedong, após empreender a Grande Marcha, entre 1934 e 1936, quando o Exército comunista caminhou 10 mil km com o objetivo de revolucionar os camponeses contra o governo nacionalista de Chang Kai Check do Kuomitang, tornou-se vitorioso em 1o de outubro de 1949, tornando a China a mais nova nação comunista. O marxismo chinês, de linha camponesa, ficaria sendo conhecido como maoísmo.

A vitória da Revolução modificou irremediavelmente o mapa geopolítico asiático. Os chineses incorporariam o Tibet em 1950 e apoiariam os movimentos comunistas na Coreia do Norte e no Vietnã do Norte. Ademais, vitoriosa a revolução, surgiriam duas Chinas: a República Popular da China, comunista, e a China nacionalista ou Taiwan, também denominada de Formosa. Até a década de 1970, a única China reconhecida pela ONU era a nacionalista.

A REVOLUÇÃO CHINESA (1949) E OS SEUS IMPACTOR NA GUERRA FRIA

Segunda Revolução Industrial na segunda metade do século XIX provocou uma irresistível expansão nas atividades capitalistas. O capitalismo de livre- -concorrência, típico do início da Revolução Industrial do século XVIII, acabaria sendo substituído pelo capitalismo monopolista ou de oligopólio, isto é, aquele capitalismo em que as grandes empresas controlam o mercado. A Inglaterra, nação que sairia fortalecida com o final das guerras napoleônicas, em 1815, reforçaria sua posição de país hegemônico nas conquistas coloniais. Enquanto alemães e italianos ainda procuravam unificar seus Estados nacionais, russos e austríacos se entretinham com as questões balcânicas e a França juntava os cacos da aventura napoleônica, os ingleses abocanhavam a maior parte das regiões periféricas do sistema internacional, sobretudo, no continente asiático.

O governo imperial chinês, administrado pelos “estrangeiros” manchus da dinastia Qing, mantinha o país sob uma tutela baseada em valores aristocráticos e um rígido controle educacional e burocrático baseado na filosofia de Confúcio. Os mandarins, espécie de elite burocrática imposta pelas práticas manchus, administravam o Estado chinês. Os estrangeiros, sobretudo os ocidentais, eram tratados como “bárbaros” e proibidos legalmente de aprenderem o chinês, estabelecerem portos de comércio no país, empregarem chineses como criados etc. Em suma, o “Império do Centro”, em uma atitude arrogante, não somente procurava ignorar os ocidentais, como até mesmo humilhá-los. O comércio inglês, contudo, não poderia ignorar o potencial do mercado chinês, que já contava com algo em torno de “400 milhões de almas”, para usarmos uma expressão dos missionários cristãos.

O principal produto inglês que inundava o mercado chinês, entretanto, não era nenhum produto têxtil de Manchester ou qualquer outro manufaturado. Os comerciantes ingleses, já devidamente instalados na região da Índia, investiam no tráfico de ópio para a China, aventura tentada anteriormente pelos portugueses. O governo imperial chinês, cônscio dos prejuízos sociais e financeiros decorrentes deste infame comércio, ordena a apreensão de todo o ópio existente no porto de Cantão, única localidade autorizada pelo governo a comercializar com os “bárbaros”. Estava preparado o palco para a primeira guerra do ópio e a abertura total da China aos comerciantes ingleses.

Entre 1839 e 1842, juncos chineses tentavam inutilmente resistir ao avanço dos mais modernos navios encouraçados da Inglaterra, um dos grandes símbolos da Revolução Industrial. Ao término da guerra, os ingleses exigem que o governo imperial chinês reconheça o Tratado de Nanquim, também conhecido como “primeiro tratado desigual”. Os termos do tratado explicam facilmente seu apelido: os chineses eram obrigados a indenizar os ingleses, ceder a ilha de Hong-Kong como protetorado, abrir novos portos de comércio, aceitar a livre entrada de missionários cristãos, reconhecer o direito de extraterritorialidade, tratar a Inglaterra como “nação economicamente mais favorecida” etc.

O ódio dos chineses contra os estrangeiros ficava evidente ao sabermos que os europeus, no parque Shangai Bund, por exemplo, colocaram placas com os seguintes dizeres: “Não se permitem cachorros nem chineses”. As convulsões sociais na China se fariam sentir pela revolta dos chineses cristianizados (taipings) e pelo movimento xenofóbico de sociedades secretas de artes marciais (boxers). Nos dois casos, o governo imperial Qing contratou mercenários estrangeiros para poder manter a ordem no reino.

Em 1911, contudo, a monarquia Qing cairia e a República seria proclamada pelo líder nacionalista Sun Yat Sen, reconhecido como o “pai da China moderna”. A proclamação de Sun Yat Sen, entretanto, não traria mudanças imediatas ao país, que seria arrebatado por uma breve ditadura militar do general Yuan Che Kai. Em 1916, entretanto, desgastado pelas pretensões territoriais japonesas sobre a China e pelos movimentos sociais nacionalistas, Che Kai abandona o poder. Começa um período de total desorganização política e caos social e econômico, que somente seria superado com a unificação do poder central com a Revolução Comunista de 1949.

Durante todo este tempo, o poder na China foi disputado basicamente por três forças políticas. Os invasores japoneses, que chegaram a constituir um governo fantoche na Manchúria, rebatizada como Manchuko, tentavam implementar o Plano Tanaka, que previa a criação de um Império japonês asiático. Os nacionalistas, ou Sociedade para o Renascimento Nacional (Kuomitang), organização criada por Sun Yat Sen, a despeito de terem o mérito de organizar a República nos seus anos iniciais através de ideais liberais e democráticos, perderiam a legitimidade de empregar o termo “nacionalistas”, pois, após a morte de Sun Yat Sen, o partido seria guiado pelo general Chang Kai Check, um militar profundamente anticomunista.

Os comunistas, a terceira e mais desacreditada força na disputa pelo poder na China, não tinham nem ao menos o apoio oficial da União Soviética, que desconfiava daqueles camponeses ignorantes que foram doutrinados pelo marxismo. Após serem expulsos da base de Jiangxi pelos nacionalistas, os comunistas, liderados por Mao Zedong, empreendem a Longa Marcha (1935-36), estabelecendo uma nova base de guerrilha na província de Shaanxi.

Os nacionalistas e comunistas estabeleceram uma aliança provisória na luta contra os japoneses, sobretudo quando o “Império do Sol Nascente” iniciou sua guerra de ocupação nos anos de 1930. Chang Kai Check, contudo, considerava como prioridade do seu governo combater os comunistas. Chegou a declarar que “os japoneses eram uma ‘doença de pele’, enquanto os comunistas eram uma ‘doença de coração’”. A tática do Kuomitang era deixar que os comunistas se desgastassem, enfrentassem as tropas japonesas, para depois varrer do mapa o Exército Vermelho. A liderança do Exército de Libertação Popular, o “Exército de Mao”, como também ficou sendo conhecido, entretanto, fez com que os comunistas angariassem um importante apoio popular.

Mao exigia dos seus soldados um comportamento disciplinado e cortês, sobretudo no que se referia ao tratamento para com os camponeses. Mao, ele mesmo um camponês da província de Hunan, entendia a necessidade de cooptar o apoio das classes campesinas para a sua revolução socialista. Os dogmáticos teóricos marxistas de Moscou condenavam este desvio maoísta, que ignorava por completo o potencial do insípido proletariado chinês.

Os anos que se seguiram à derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial foram decisivos para o Partido Comunista. Em agosto de 1945, os norte-americanos mediaram um encontro de Mao Zedong e Chang Kai Check na cidade de Chongqing para tentar criar um governo de união nacional e acabar com a guerra civil. O encontro de Chongqing foi um fracasso e os violentos embates de nacionalistas e comunistas prosseguiram.

Chang Kai Check, apesar do apoio material americano e de ter empreendido cinco campanhas de extermínio contra os comunistas, seria derrotado. Mao, o camponês de Hunan que detestava intelectuais, entra triunfante em Pequim em 1o de outubro de 1949. Chang Kai Check fugiria para a ilha de Taiwan (Formosa), protegido pela VII Frota de Guerra dos Estados Unidos. A questão do governo não comunista de Taiwan nunca foi resolvida entre Pequim e Taipé.

O novo governo comunista, aparentemente sintonizado com Moscou, começa a sofrer os primeiros abalos com a liderança de Stalin. O líder soviético chegou a comparar Mao com um nabo: vermelho por fora e branco por dentro. Mao Zedong, a despeito de obter algumas concessões do líder soviético em matéria de comércio exterior, não obteria transferência de tecnologia nuclear.

Os soviéticos, desejosos de manter o monopólio da bomba atômica no mundo comunista, alegavam que suas armas eram suficientes para cumprir a função de um “guarda-chuva nuclear” contra o Ocidente. Mao Zedong, que já tivera seus atritos com os soviéticos na época da guerra civil, paulatinamente esfria suas relações com o Kremlin. Em 1950, com início da Guerra da Coreia, Mao envia um milhão de voluntários chineses para combaterem os sul-coreanos, apoiados pelos Estados Unidos. Mao, desdenhando o poderio militar norte-americano, tratava o gigante capitalista de “tigre de papel”.

No início de 1956, durante o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, Nikita Kruschev, sucessor de Stalin, morto em 1953, anuncia a desestalinização, isto é, a denúncia dos crimes de Stalin na década de 1930 contra membros dos Partido Comunista e o culto à personalidade do “grande irmão”. Mao, que já dava mostras de que a sua liderança pessoal deveria estar acima de qualquer possibilidade de liderança coletiva do Partido, afasta-se definitivamente da linha soviética. Mao considerava que a proximidade geográfica dos soviéticos __ e os problemas de fronteira decorrentes – tornava-os um inimigo potencialmente mais perigoso que os Estados Unidos.

Durante o VIII Congresso do Partido Comunista Chinês, realizado em 1956, Liu Shaoqui e Deng Xiaoping criticam o culto à personalidade de Mao Zedong e defendem uma liderança coletiva do Partido Comunista. Mao expurgaria, posteriormente, os dois líderes da cúpula do Partido.

Ainda naquele ano, Mao anunciaria o movimento das Cem Flores, no qual defende o slogan “que centenas de flores desabrochem, que centenas de escolas de pensamento floresçam”. Mao estava conclamando a crítica contra o Partido Comunista. O movimento de crítica, contudo, tornou-se uma grande armadilha contra aqueles que ousaram tornar públicos os seus pensamentos contra a liderança comunista.

Os elementos de oposição foram identificados e enviados para o campo para serem reeducados. Esta terrível prática __ a reeducação pelo trabalho, que tem paralelo na História do nacional socialismo alemão, consistia em obrigar o inimigo do regime a aderir à ideologia comunista ou morrer de exaustão e maus-tratos nos campos de trabalho. Existia, até mesmo, uma cota de 5% a ser cumprida no sentido de descobrir elementos direitistas nas fileiras do Partido, mesmo que eles não existissem.

No plano interno, Mao Zedong lança um ambicioso projeto de desenvolvimento econômico chinês. O Grande Salto para Frente era um programa que supostamente faria com que a China ultrapassasse a Inglaterra na produção industrial em 15 anos. O programa previa a criação de siderúrgicas de

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