A GUERRA FRIA – 1956 – 1981 – OS TEMPOS DA COEXISTÊNCIA PACÍFICA

Aprenda sobre a Luta pelos Direitos Civis, as Doutrinas de Contenção do Comunismo, a Rebelião do Império Vermelho e a Guerra Fria na América Latina.

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A LUTA PELOS DIREITOS CIVIS

Internamente, os americanos ainda sofreriam com as questões raciais das décadas de 1950 e 1960. A figura de proa do Movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos foi indubitavelmente Martin Luther King Jr.

Em dezembro de 1955, King liderou a Montgomery Improvement Association, vanguarda do primeiro grande Movimento pelos Direitos Civis da época: o boicote aos ônibus da cidade que praticavam segregação racial. Durante a manifestação, King torna pública a sua filosofia de pacifismo, inspirado nos exemplos bíblicos, de Henry David Thoreau e Mahatma Gandhi. No ano seguinte, a Suprema Corte considera a segregação no transporte público como “inconstitucional”.

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Em 1957, foi fundada a Southern Christian Leadership Conference (SCLC), liderada por Martin Luther King, com a finalidade de atuar na defesa dos Direitos Civis norte- -americanos. As manifestações pacíficas do tipo sit-ins, defendidas pelo pacifismo de King, multiplicam-se no sul do país.

Em 1º de fevereiro de 1960, quatro estudantes negros, Ezell Blair Jr, Franklin McCain, Joseph McNeill e David Richmond, promovem um sit-in em uma lanchonete Woolworth em Greensboro, Carolina do Norte. A permanência de manifestantes negros em locais onde a segregação racial era permitida — no caso, um balcão de lanchonete — era uma maneira pacífica de atrair a atenção da opinião pública norte-americana para a questão dos Direitos Civis.

Em 19 de outubro de 1960, King foi preso na Geórgia por participar de uma destas manifestações, sendo condenado a quatro meses de trabalhos forçados. O presidente John F. Kennedy solicitou às autoridades judiciais, através do ministro Robert F. Kennedy, a soltura do líder negro, o que ocorreu em 27 de outubro, sob caução.

Em 1961, uma nova modalidade de manifestação se iniciou: foram as chamadas “viagens da liberdade”, promovidas por grupos de defesa dos Direitos Civis, que fretavam ônibus para cidades do sul dos Estados Unidos. Quando os viajantes quiseram ir para Montgomery, o governador do Alabama os qualificou de “perturbadores da paz”, declarando que não iria garantir a segurança dos manifestantes. Foi necessária uma nova intervenção federal para garantir a ordem pública. Neste mesmo ano, as empresas rodoviárias interestaduais foram proibidas de promover segregação em seus ônibus.

Além das manifestações públicas, os grupos de defesa dos Direitos Civis apelaram para o Judiciário para a conquista de seus interesses. Em 1956, a chamada “Declaração de Princípios Constitucionais”, manifesto assinado por 101 congressistas, declarava que seus signatários utilizariam de “todos os meios legais” para anular a decisão da Suprema Corte (Brown vs. Board of Education) de 17 de maio de 1954, que negava o princípio de “separados mas iguais” (Plessy vs. Ferguson, 1896), mantendo a segregação racial em escolas públicas. Os parlamentares dos estados do sul, inclusive J. William Fulbright, ratificaram a posição racista, excetuando Lyndon Johnson, do Texas, e Estes Kefauver e Albert Gore, do Tennesse.

Em 1963, na famosa marcha sobre Washington, King proferiu seu mundialmente discurso I have a dream (Eu tenho um sonho. No ano seguinte, King foi agraciado com o prêmio Nobel da Paz, considerado por ele como “um tributo internacional ao movimento pacífico pelos Direitos Civis”. Em 1965, King lidera uma marcha para registrar eleitores negros em Selma, Alabama. O movimento encontrou violenta resistência. Em protesto, centenas de demonstrações de solidariedade culminaram com uma nova marcha até a capital Montgomery.

Seus esforços deram um ímpeto vital à campanha que provocou uma legislação, garantindo aos negros os Direitos Civis nos Estados Unidos. No final dos anos 1960, a oposição de King à guerra do Vietnã e seu apoio à admissão da China nas Nações Unidas colocaram-no em conflito com o governo americano.

A Guerra do Vietnã tem sua origem em 1954, quando os franceses foram expulsos da região após a batalha do Dien Bien Phu. Tal qual a Coreia, o Vietnã ficou dividido: norte comunista e sul capitalista. O norte, apoiado pelos chineses e soviéticos, reforçou a guerrilha Vietminh ou Vitcong, a qual ameaçava o sul. Em 1961, o presidente Kennedy envolveu diretamente os Estados Unidos na guerra. O presidente Eisenhower já havia preconizado a “teoria do dominó”, segundo a qual, se o Vietnã do Sul caísse, Laos e Camboja, países vizinhos, também cairiam.

Foi o que ocorreria após 1975, com a vitória do movimento comunista do Vietnã. Nos Estados Unidos, as cenas de violência da guerra, tanto contra soldados americanos quanto contra vietnamitas, mobilizaram a opinião pública contra a guerra, reforçando os movimentos pacifistas. King combinaria seu discurso pacifista pelos Direitos Civis com uma campanha contra a Guerra do Vietnã: criticava abertamente o desperdício de esforços e dinheiro que poderiam ser empregados no combate à pobreza e discriminação. Esta postura irritou sobremaneira o governo Lyndon B. Johnson.

O surgimento de lideranças e movimentos negros não declaradamente pacifistas, como Malcom X e Black Panther, começam a contestar a liderança de King, considerada influenciada pelas lideranças brancas e extremamente moderada. Em 1968, King planeja uma nova marcha sobre Washington, denominada Poor People’s Campaign. Contudo, não viveria muito para constatar seus resultados: em 4 de abril de 1968, James Earl Ray, um franco-atirador, assassina Martin Luther King.

O crime choca a nação e provoca manifestações em todo o país. King é sepultado em Atlanta, sob um monumento com as palavras finais de seu discurso de 1963. Em 2 de julho de 1964, o Congresso aprova a Lei dos Direitos Civis, destinada a eliminar a discriminação racial nos Estados Unidos. Em 1977, Martin Luther King recebe, postumamente, uma condecoração presidencial pela sua luta pela liberdade; em 1986, o Congresso estabelece feriado nacional em homenagem a King.

AS DOUTRINAS DE CONTENÇÃO DO COMUNISMO

Em 12 de janeiro de 1954, o Secretário de Estado John Foster Dulles, que considerava a Doutrina Truman de restrição ao comunismo extremamente passiva, anuncia a política externa do governo Eisenhower (1953-60). A nova estratégia, segundo Dulles, consistiria em promover uma “retaliação maciça” no caso de uma agressão ou ataque aos Estados Unidos ou aos seus aliados, subentendido o inimigo como a União Soviética. A Doutrina ficaria sendo conhecida pela sigla MAD ou Mutually Assured Destruction, traduzido para o português como “Destruição Mutuamente Garantida”.

Segundo seus defensores, a “retaliação maciça” de Dulles convidava o agressor a cancelar qualquer ação hostil, pois a resposta norte-americana tornaria um eventual enfrentamento militar excessivamente arriscado e dispendioso, devido ao emprego de armamentos nucleares. Dulles procurava, desta forma, manter pressão sobre os soviéticos e garantir a defesa da esfera de influência norte-americana.

A “retaliação maciça”, também denominada de “doutrina de represálias em grande escala”, previa a substituição de unidades militares convencionais, como as que haviam combatido na Guerra da Coreia (1950-53), por “unidades navais, aéreas e anfíbias altamente móveis”, que dispusessem de capacidade de resposta imediata e atômica. Os críticos da “retaliação maciça” de Dulles alertavam que esta estratégia poderia desencadear uma guerra nuclear total entre os EUA e a URSS, por isso a denominação de MAD (louco, em inglês). A MAD baseava-se, portanto, na suposição de que nenhuma das duas superpotências iniciaria um conflito, devido ao risco de deflagrar uma guerra nuclear generalizada e do seu ônus decorrente. No cinema, a MAD foi retratada por Stanley Kubrick no filme Dr. Strangelove, traduzido no Brasil como Dr. Fantástico.

A “retaliação maciça” e, de modo consequente, a MAD foram abandonadas com a administração Kennedy (1961-63). O Secretário de Defesa de Kennedy, Robert McNamara, anunciou a doutrina de riposte gradueé, isto é, a resposta flexível, em que as forças convencionais voltavam a ter importância dentro da estratégia militar norte-americana. Kennedy não abandonava a possibilidade de empregar armamentos nucleares; apenas procurava reduzir o risco de uma guerra nuclear e admitia a hipótese do envolvimento dos Estados Unidos em guerras convencionais, como, por exemplo, a que ocorreu no Vietnã (1961-75). Kennedy queria ainda que seus aliados da Otan submetessem seus armamentos nucleares a um comando integrado, a Força Multilateral (FML), criticando duramente os programas nucleares francês e inglês.

A MAD surge em meio à corrida armamentista entre norte-americanos e soviéticos. A possibilidade de uma superpotência destruir o oponente e aliados ou mesmo de ocorrer uma guerra suicida, acabaria por promover a aproximação entre as superpotências, favorecendo o controle dos arsenais nucleares.

Em novembro de 1969, norte-americanos e soviéticos iniciam as conversações sobre armamentos nucleares,  que culminaram com o Tratado de Limitação das Armas Estratégicas (SALT), de 1972. O SALT fixava os limites de mísseis intercontinentais norte-americanos e soviéticos, interrompendo o desenvolvimento de um sistema antimísseis soviético. Posteriormente, houve a extensão desse acordo, a Vladivostock, em 1975, e, em junho de 1979, o acordo SALT-II (não ratificado pelo Senado norte-americano).

REBELIÃO DO IMPÉRIO VERMELHO (1956)

Em 1953, um incerto horizonte político surgiu no bloco soviético: Stálin, o grande irmão, morre, deixando um vácuo de poder que seria disputado dentro do Politburo, o Parlamento comunista.

Beria, o “lugar-tenente” de Stálin, é executado pelos seus opositores imediatamente, pois temiam a utilização da polícia secreta para a tomada do Estado. A disputa estaria reservada para dois membros do alto escalão governamental: Nikita Kruschev, antigo estalinista da Ucrânia, e Malenkov, denegrido como líder do grupo “antipartido”.

Kruschev, após afastar seu possível rival, tenta implantar uma série de reformas a partir do relatório do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, convocado para fevereiro de 1956. No discurso, o novo Secretário-Geral promove a chamada “desestalinização”, isto é, a denúncia do culto à personalidade de Stálin e os expurgos da década de 1930.

“Temíamos que o degelo provocasse uma inundação”, declarou Kruschev. E a metáfora quase se realizou. Em março do mesmo ano, o ditador húngaro Matyas Rakosi reabilitou Laszlo Rajk, executado em 1949 pela suspeita de “titoísmo”. Rakosi, contudo, escusou qualquer responsabilidade, colocando a culpa na AHV, as forças de segurança do Estado. As pressões contra o governo levam à sua renúncia, cedendo espaço para Erno Gero e outros políticos considerados “centristas”.

O reconhecimento da inocência de Rajk permitiu a realização de seu sepultamento oficial. Para surpresa do regime, mais de 200 mil pessoas compareceram ao cemitério de Kerepesi, como forma de prestar solidariedade ao antigo líder nacional e mostrar repúdio aos comunistas subordinados ao imperialismo soviético. A manifestação levou Imre Nagy, popular liderança nacionalista, a ser readmitido no Partido. 

Posteriormente, nova reunião de mais de 250 mil pessoas na Praça do Parlamento, exigia a posse de Nagy como novo chefe do regime socialista. Não era uma expressão de anticomunismo (as fotos de Lênin confirmavam), mas um espírito de união nacionalista que se voltava contra a presença de Moscou em questões internas (a estátua de Stálin destruída comprovava).

Enquanto Nagy era nomeado e declarava a intenção de retirar o país do Pacto de Varsóvia, os soviéticos, atônitos, arquitetavam uma ação militar contra o “Estado irmão” para evitar a inundação profetizada de KruschevA Insurreição ou Revolução Húngara foi extremamente violenta: milhares de pessoas morreram quando os tanques do Pacto de Varsóvia invadiram Budapeste. Ironicamente, a outra ação do Pacto também seria contra um Estado signatário: em 1968, ocorreria a famosa Primavera de Praga, quando o reformista Alexander Dubcek, do Partido Comunista da Tchecoslováquia, seria derrubado pela União Soviética de Leonid Brejnev.

A GUERRA FRIA NA AMÉRICA LATINA: A CRISE DOS MÍSSEIS

A ilha de Cuba tornou-se um semiprotetorado norte-americano durante o século XX. A relação ganhou densidade após a independência cubana, em 1898, na Guerra Hispano-Americana. Como a participação dos EUA foi o elemento que conseguiu garantir a libertação de Cuba após movimentos fracassados no século XIX, coube ao governo norte-americano ditar os rumos da ilha. Nesse sentido, houve um grande amparo jurídico na própria Constituição cubana: a Emenda Platt, de 1902, permitia abertamente intervenções dos EUA na ilha caribenha.

Se por um lado a relação entre EUA e Cuba favoreceu amplamente setores da elite cubana, levando estes a se associarem com o capital norte-americano, por outro lado surgiu uma vigorosa resistência entre camadas médias (como intelectuais, advogados, estudantes etc.) frente ao domínio americano. E daí que surge a figura de Fidel Castro, estudante de Direito e um dos grandes articuladores da resistência contra o governo Fulgêncio Batista, que desde o início dos anos 1950 governava Cuba mantendo a tradicional associação com os EUA.

As ações de Castro e outros homens do movimento revolucionário 26 de julho (MR-26) cubano conseguiram levar a destituição de Batista em janeiro de 1959 e à instauração de um regime revolucionário de caráter nacionalista em Cuba. Entre as primeiras medidas esteve a nacionalização de empresas estrangeiras (como bancos e indústrias), foi promovida uma ampla Reforma Agrária e feitos investimentos em educação visando erradicar o analfabetismo.

As medidas sociais e o caráter revolucionário do governo cubano, em plena Guerra Fria, mobilizaram o Departamento de Estado dos EUA a promover, na tradição norte-americana, uma intervenção na ilha para “corrigir os rumos” da política em Cuba. Através da CIA, o governo Kennedy armou exilados cubanos e auxiliou na fracassada Invasão da Baía dos Porcos (1961), rechaçada pelo governo Castro.

Kennedy precisou assumir publicamente o apoio norte-americano ao desembarque, o que gerou grande desgaste. Após o episódio, o governo norte-americano criou a Aliança para o Progresso, programa de ajuda econômica para a América Latina, acessível apenas a países que se mantivessem dentro da esfera de influência norte-americana.

Quanto a Cuba, a Invasão da Baía dos Porcos demonstrou a fragilidade da situação do governo revolucionário frente a possibilidade de ação dos EUA. Assim, ganhou força a corrente política que advogava que a revolução se consolidaria com uma guinada ao socialismo e aproximação com a URSS. De nacionalista, a Cuba de Castro tornou-se socialista e passou a ser, em pleno continente americano, um país alinhado com o socialismo no contexto da Guerra Fria.

Nesse cenário, desenvolveu-se um dos mais tensos episódios das relações internacionais do século XX: a Crise dos Mísseis. Em 1962, a URSS cedeu mísseis ao governo cubano sob o pretexto de garantir da segurança da ilha frente aos EUA. Pela proximidade, os mísseis tinham capacidade de bombardear grande parte do território norte-americano. No entanto, o governo Kennedy descobriu a existência de tais armas em território cubano, e ameaçou nova invasão da ilha e mesmo a retaliação contra a URSS (possível graças a mísseis mantidos pelos EUA em locais próximos aos soviéticos, como a Turquia). Frente a possibilidade de um conflito mundial de caráter nuclear, os soviéticos recuam e recuperam os mísseis, enquanto os norte-americanos assumem compromisso de garantir a soberania cubana, cessando invasões.

A partir desse momento, a ação dos EUA contra Cuba seguiu outras frentes. Através da OEA, instituiu-se um embargo econômico contra o governo de Castro, que se estende até os dias atuais. Cuba ainda foi expulsa da organização, em votação que contou com grande adesão de países alinhados com os EUA. Além disso, no sentido de evitar novos movimentos semelhantes ao cubano no continente, o Departamento de Estado formula a Doutrina Mann, pela qual o governo norte-americano garantiria o afastamento da influência socialista através do apoio, caso necessário, de movimento militares de caráter autoritário no continente.

A solução negociada da crise dos mísseis abriu possibilidade para um maior diálogo entre URSS e EUA, já iniciado por ocasião de visita de Kruschev no país rival. Inicia-se um clima de distensão (détente) nas relações internacionais, marcadas pelo avanço de diversas negociações entre as superpotências. Nesse contexto, abre-se a negociação de diversos tratados que visavam limitar o uso de armas, principalmente nucleares. Os maiores furtos dessa inciativa foram os acordos SALT (Strategic Arms Limitation Treaty) da década de 1970.

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