METAFUNÇÕES DE HALLIDAY

Seguramente, vocês já estudou gramática e deve imaginar que todos os autores apresentam seus estudos de uma forma mais ou menos alinhada, não é mesmo? Não. Estamos acostumados a observar descrições da língua de maneira formal e estrutural, dividindo-se os elementos que compõem a língua, classificando-os e entendendo suas relações dentro de estruturas maiores como orações e períodos.
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Este modelo “clássico” de descrever uma língua não é o único, porém. O linguista britânico Michael Halliday formulou uma proposta diferente de entender a linguagem, baseada na ideia sistêmica da língua – uma visão global, em lugar de estruturas menores – e na funcionalidade que é produzida por suas sentenças. A essa maneira de descrever a língua deu o nome de Gramática Sistêmico-Funcional (GSF)

A GSF ocupa-se fundamentalmente de observar a língua como um sistema submetido aos sentidos que se operam nas unidades textuais, considerando seus contextos de produção e as escolhas realizadas pelos autores para construir seus significados. Dentro desta perspectiva, os textos são muito mais que meros aglomerados de sentenças organizadas de maneira mais ou menos estruturada, para se tornarem fluxos de significações e intenções que medeiam as relações pessoais enquanto representam a compreensão de realidade do mundo.

Um dos aspectos mais interessantes de seu trabalho repousa sobre suas “metafunções” da linguagem. Claro que isso traz à memória um outro linguista, Roman Jackobson, autor da famosa teoria das funções da linguagem (emotiva, conativa, referencial, metalinguística, poética e fática). Halliday, no entanto postula a existência de apenas três funções, com enfoques um pouco diferentes daquelas de Jackobson: metafunção experiencial ou ideacional, metafunção interpessoal e metafunção textual.

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Resumindo, Halliday não está focado na forma como se estruturam as sentenças, mas sim em seus objetivos, sintetizados nas perguntas que o estudante deve fazer diante de um texto: qual é a finalidade deste enunciado? Qual a funcionalidade deste texto?

AS METAFUNÇÕES DE HALLIDAY

METAFUNÇÃO EXPERIENCIAL OU IDEACIONAL

Nesta metafunção, a oração é entendida como representação e acontece quando o falante expressa sua experiência relativa ao mundo real (exterior) ou a seu mundo interior. A forma assumida pelas experiências exteriores correspondem a ações ou eventos, situações em que determinados atores (sujeitos) fazem coisas ou fazem-nas acontecer. As experiências interiores tomam a forma de lembranças, reações, pensamentos e sentimentos, manifestando-se na instância da consciência. Dessa maneira, o falante é capaz de relacionar tais experiências, identificando-as ou caracterizando-as.

Assim, a metafunção ideacional realiza-se por processos (grupos verbais que indicam os desdobramentos da experiência no tempo), participantes (as pessoas ou coisas que atuam no processo ou que são afetadas por ele) e circunstâncias (grupos adverbiais indicativos do modo, tempo, causa etc. dos processos).

Meu amigo toca violão.

A música toca profundamente a alma dos amantes.

Nos dois exemplos acima, há a enunciação de experiências centradas no processo representado pelo verbo “tocar”. Na primeira oração o processo enunciado é material, ao passo que na segunda configura-se como um processo mental. Independentemente da classificação do processo, a metafunção ideacional se constitui como a enunciação das experiências.

METAFUNÇÃO INTERPESSOAL

Além do caráter de representação, é evidente que a linguagem é um instrumento que permite a interação dos sujeitos em um meio social. Assim, a metafunção interpessoal toma a oração como troca.

O princípio básico do processo interpessoal é a adoção de papéis estabelecidos pelo enunciador e a sinalização de um papel contíguo ao coenunciador. De forma mais direta, o enunciador, ao agir socialmente de alguma forma e dirigir seu discurso a outra pessoa, coloca o outro usuário da língua no papel de respondente, seja para apoiar ou confrontar o que foi postulado originalmente.

Daí, uma série de relações vêm à tona, pois os comportamentos variam conforme os enunciados. Uma oferta pode ser aceita ou recusada, uma ordem pode gerar submissão ou recusa, uma declaração pode ser tomada como verdadeira ou refutada e, não menos importante, uma pergunta pode ser respondida ou repelida.

Dessa forma, deve-se observar na função interpessoal o papel na troca (se é oferecer ou solicitar) e o os valores trocados (se são informações – troca da própria linguagem –, ou se são bens e serviços – uma tentativa de influenciar o comportamento do outro, do qual se espera alguma ação). Essa combinação de categorias origina as funções primárias da fala: oferta, comando, declaração e pergunta. Quando os valores trocados são informações, temos uma proposição; quando são bens e serviços, são propostas.

Oferta – dar bens e serviços

Você quer um café?

Comando – solicitar bens e serviços

Sirva-me um café.

Declaração – dar informações

Ele serviu-me um café.

Pergunta – solicitar informações

O que ele lhe serviu?

METAFUNÇÃO TEXTUAL

Essa metafunção liga-se diretamente ao sistema de realização léxico-gramatical, tomando a oração como mensagem. Dentro da lógica de composição do discurso, a organização da mensagem apresenta dois sistemas pelos quais se estrutura: a estrutura da informação e a estrutura temática.

Na estrutura da informação, relacionam-se o Dado e o Novo. Chama-se Dado tudo aquilo que é compartilhado pelo conhecimento de mundo dos interlocutores e, por extensão, tudo aquilo que é previsível pelo próprio contexto. Além disso, considera-se Dado todo elemento que seja recuperável tanto no texto quanto na situação de emissão. O Novo é o elemento que não é conhecido para o interlocutor, mas vai além disso, pois também se constitui naquilo que é imprevisível pelo contexto e também naquilo que não é recuperável a partir do enunciado realizado. Resumindo, a estrutura da informação obedece à relação Dado-Novo, em que um elemento Novo – unidade de informação obrigatória – somado a um elemento Dado – reiteração e recuperação opcional.

Já na estrutura temática, existe o par Tema-Rema. Chama-se Tema aquilo que o falante elege como ponto inicial da construção de seu enunciado. O Rema representa o restante da mensagem, a direção assumida pelo enunciado após seu ponto de partida; é a parte em que se desenvolvem as ideias apresentadas no Tema. É comum que, nos textos, seja observada a progressão textual baseada nos temas, uma orientação de organização como métodos dedutivo ou indutivo, por exemplo.

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