PERÍODO SIMPLES V – VOZES VERBAIS, AGENTE DA PASSIVA E ADJUNTOS ADVERBIAIS

Chama-se voz à forma assumida pelo verbo para indicar a posição do sujeito frente ao processo que se enuncia, isto é, se o sujeito é o agente da ação verbal ou se é seu paciente.
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Os gramáticos em geral consideram esta uma “flexão” do verbo, apesar de, tecnicamente, ser uma expressão morfossintática da ação, distante das noções desinenciais sobre as quais se basearia o conceito de flexão. 

Assim, podemos observar três possibilidades de posição que pode assumir o sujeito:

a) agente

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Eu quero

b) paciente

c) simultaneamente agente e paciente

Passemos à análise da estrutura das vozes:

VOZ ATIVA

O verbo apresenta-se em sua forma natural, indicando que a pessoa a quem se refere pratica a ação expressa, isto é, é o seu agente.

VOZ PASSIVA

O sujeito agora é o paciente da ação verbal, isto é, recebe a ação expressa pelo verbo. Pode apresentar-se sob a forma analítica ou sintética.

Na voz passiva analítica temos um verbo auxiliar que se remete ao tempo de verbo principal na voz ativa somado ao particípio passado do verbo principal. Resumindo as alterações que ocorrem na passagem da voz ativa à passiva analítica, teremos:

O sujeito da ativa, caso haja, passará a agente da passiva, regido pela preposição por ou de;

O objeto da voz ativa será o sujeito da voz passiva;

Surgirá um verbo auxiliar, o qual será conjugado no tempo do verbo principal;

O verbo principal passará ao particípio passado;

Os outros termos oracionais não sofrerão alteração.

A voz passiva sintética é um dos pontos de maior dúvida entre os estudantes e de grande debate entre os gramáticos. Ela é formada por um verbo transitivo direto na 3ª pessoa e pela partícula se (partícula apassivadora).

O falante percebe a construção sintética como um caso de sujeito indeterminado, ao que se assemelha muito, pela colocação do sujeito na posição pós-verbal reforçando a impressão de que se trata de um objeto. Muitos gramáticos defendem tal posição, rejeitada, contudo pela tradição gramatical. Os concursos adotam a posição de que o verbo transitivo direto está na forma passiva, devendo, inclusive flexionar-se em concordância com o sujeito que lhe é posposto.

É de notar-se também a ausência da enunciação do agente da passiva na forma sintética, apesar de raros exemplos em contrário:

“Não sei se devemos exaltar Pelé por haver conseguido tanto, ou se nosso louvor deve antes ser dirigido ao gol em si, que se deixou fazer por Pelé, recusando-se a tantos outros” (Carlos Drummond de Andrade).

Apesar de que a norma enuncie que apenas verbos transitivos diretos possam fazer voz passiva, alguns autores, no entanto, acham exceção nos verbos apelar, aludir, obedecer, desobedecer, pagar, perdoar e responder.

VOZ REFLEXIVA

Nesse caso, o sujeito representa, ao mesmo tempo, o agente e o paciente, isto é, pratica e sofre a ação verbal. Nesse caso, existe uma “ausência de transitividade”, já que a ação não passa a outro ser (negação da transitividade), mas retorna ao próprio agente (sentido reflexivo) ou reciprocamente aos agentes (reflexividade recíproca). Desta maneira, podemos classificar as vozes como reflexiva ou reflexiva de reciprocidade (voz recíproca).

Na voz reflexiva, o pronome se exerce, na maioria das vezes, a função de objeto direto, ainda que existam casos – raros – em que desempenhe a função de objeto indireto.

A voz recíproca ocorre quando o sujeito é composto ou quando seu núcleo encontra-se no plural, de forma a fazer com que a ação praticada pelos sujeitos retorne reciprocamente aos agentes, como no exemplo:

Perceba no exemplo que o pai, paciente da ação praticada pelo filho, pratica a mesma ação sobre seu filho. A diferença da voz reflexiva clássica é mais semântica que propriamente sintática; contudo, tal diferenciação vem tornando-se constante nos exames e concursos.

AGENTE DA PASSIVA

O agente da passiva é o termo integrante da oração que indica o agente de uma ação quando o verbo está na forma passiva. O agente da passiva não é um termo de presença obrigatória nas orações cujo verbo estiver na voz passiva, mas invariavelmente corresponderá ao sujeito da oração na voz ativa.

O agente sempre será introduzido por uma preposição, normalmente pela preposição por (e suas formas contraídas pelo, pela, pelos, pelas) ou pela preposição de; e, como corresponde ao sujeito, também será representado por um substantivo, pronome ou termo substantivado.

PASSIVIDADE

Não se deve confundir a voz passiva, um recurso formal, morfossintático da língua, portanto de uso gramatical, com passividade, uma noção semântica de que um elemento da frase “sofre” determinada ação. Esse recebimento da ação pode manifestar-se na voz passiva ou ativa, sem que haja classificação distinta entre uma e outra apenas pelo laço semântico.

O lutador recebeu o golpe do adversário.

Na frase acima, o termo “o lutador” recebe o golpe, isto é, semanticamente, representa o elemento que “sofre” a ação do verbo. Contudo, a forma verbal está na voz ativa, mostrando que o termo sujeito, sintaticamente, funciona como agente do verbo. Perceba que a passividade não corresponde diretamente à voz passiva.

ADJUNTOS ADVERBIAIS

É um termo de valor adverbial – representado por advérbio, locução adverbial ou expressão adverbial – que se liga a um verbo, um adjetivo, um outro advérbio ou, até mesmo, a toda uma oração para indicar-lhe uma circunstância ou complementação relativa.

Apesar de a tradição gramatical consagrar o papel circunstancial do adjunto adverbial, alguns autores percebem que tal classificação é insuficiente, pois há construções em que o papel do adjunto adverbial vai além da mera indicação de circunstância, funcionando como um verdadeiro complemento do verbo.

A criança caiu do berço durante a madrugada.

Veja que apenas o termo [durante a madrugada] é efetivamente acessório, isto é, denota circunstância e é dispensável à frase. O termo [do berço] expressa lugar (por isso a gramática o considera adjunto adverbial), mas é exigido pela regência do verbo cair, sendo indispensável sua presença para a compreensão do sentido geral da frase. Nesse último caso, estamos diante de um verdadeiro complemento relativo. Contudo, a NGB não reconhece tal classificação, levando o aluno a marcar, nesses casos, ambos os termos como adjuntos adverbiais.

Em vista disso, percebe-se que os adjuntos adverbiais formam uma categoria heterogênea e sua classificação segue um parâmetro semântico discutível. Muitas das classificações apresentadas aqui não são unânimes e a própria NGB é omissa na classificação de tais termos. Contudo, com um pouco de bom senso, pode-se chegar à seguinte classificação (que, de forma alguma, é conclusiva):

de lugar: A lama respinga por toda a parte.

de tempo: Recebi ontem a carta de meu filho.

de modo: O violonista tocava com tristeza.

de intensidade: Temos mudado muito.

de afirmação: Eles foram sim ao porto.

de negação: Não quero ouvir essa cantoria.

de dúvida: Talvez a gente combine alguma coisa para amanhã.

de causa: Os jovens tremiam de frio.

de companhia: Vivi com os amigos da faculdade perto de dois anos.

de concessão: Apesar de cansado, não sentia sono.

de finalidade: Volto para a contagem dos votos.

de instrumento: Fez a prova toda a lápis.

de matéria: O professor falou a respeito da crase..

de meio: Voltamos de bote para a ponta do Caju.

de quantidade: O Fluminense ganhou a partida por dois a zero.

É possível encontrar ainda outras classificações para o adjunto adverbial, o que seria plenamente compreensível, dado o caráter semântico de sua organização, permitindo que diversos autores percebam diferentes modalidades adverbiais nas relações de circunstância que conferem à frase.

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