REGÊNCIA NOMINAL E CRASE

A regência trata das relações necessárias entre as palavras, a forma como se constroem os enunciados, a necessidade de preposições e, por fim, qual preposição e que tipo de construção é abonada pela norma culta. Seu estudo é dos mais complexos, visto que alguns termos podem apresentar mais de uma regência devido a seu significado.
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REGÊNCIA NOMINAL

A regência nominal trata das relações entre os substantivos, adjetivos e advérbios ou a construções de expressões em relação à necessidade do uso de preposições e qual preposição estaria adequada ao contexto. Dessa forma, a regência nominal não apresenta grandes “regras” a seguidas, senão o conhecimento do termo e sua construção aceitável.

Segue, portanto, uma tabela com algumas dos termos que mais causam dúvidas aos candidatos e suas possibilidades de uso combinado às preposições.

 

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Eu quero

agradável a

ansioso de, para, com

apto a, para

benéfico a

capaz de, para

certo de

comum a, de

contemporâneo a, de

contrário a

cuidadoso com

curioso de, por

desatento a

diferente de

difícil de

equivalente a

essencial para

estranho a

fácil de

fiel a

firme em

generoso com

grato a

hábil em

horror a

impossível de

impróprio para

indeciso em

inerente a

lento em

medo a, de

necessário a

negligente em

nocivo a

paralelo a

passível de

perito em

possível de

possuído de

posterior a

preferível a

próximo a, de

relacionado com

responsável por

rico de, em

seguro de, em

suspeito de

útil a, para

versado em

 

CRASE

Crase é um fenômeno fonético que consiste na fusão de duas vogais idênticas. Isso é muito comum de ocorrer na língua portuguesa com várias vogais diferentes, mas sem problemas para a compreensão dos enunciados, sendo, inclusive, um importante recurso de composição para poetas e artistas em geral.

Entretanto, há um caso singular em que a crase pode afetar o entendimento do enunciado ou constituir-se em uma necessidade sintática. Isso acontece quando a vogal a preposição “a” funde-se ao artigo feminino “a”, ao pronome demonstrativo “a” ou às formas pronominais “aquele”, “aquela”, “aqueles”, “aquelas” e “aquilo”.

Nestes casos, coloca-se o acento grave para indicar que aquela vogal “a”, na verdade, são duas: uma preposição e um artigo ou pronome. Portanto, para haver crase é obrigatória a existência de uma preposição “a”.

A) Crase com artigo definido

Verificada a existência da preposição “a”, deve-se confirmar, então, a existência do artigo feminino diante da outra palavra. Isso pode ser feito formando-se uma nova frase, na qual a palavra passe a figurar como sujeito:

O operário chegou

a

a

empresa.

Quem chega, chega a

A empresa é grande.

Assim, temos

O operário chegou à empresa.

Vejamos outro exemplo, com a mesma aplicação:

O fumo faz mal

a

a

saúde.

O que faz mal, faz mal a

A saúde é importante.

Portanto:

O fumo faz mal à saúde.

Nos casos em que não há crase evidencia-se que não há preposição ou o substantivo não aceita o artigo definido feminino, como a seguir:

Visitamos

 

a

fazenda da família.

Quem visita, visita algo

A fazenda da família é bonita.

Neste caso não há crase pela ausência da preposição:

Visitamos a fazenda da família.

A modelo foi

a

 

Paris.

Quem vai, vai a

Paris é uma bela cidade.

Apesar de haver a preposição, o nome “Paris” não aceita artigo, portanto, não há crase:

A modelo foi a Paris.

Contudo, uma palavra que não aceite artigo pode aceitá-la caso esteja determinada, isto é, que haja uma qualificação para o termo:

A modelo foi

a

a

Paris dos namorados.

Quem vai, vai a

A Paris  dos namorados é uma bela cidade.

Neste caso, então, teríamos crase:

A modelo foi à Paris dos namorados.

A regra funciona também para apontar casos em que o uso do acento grave é facultativo, observe:

Dei o livro

a

(a)

minha irmã.

Quem dá, dá a alguém

Minha irmã é bonita.

A minha irmã é bonita.

Dessa forma, pode-se tanto grafar com o acento grave como omiti-lo, já que o pronome demonstrativo pode ou não vir precedido de artigo:

Dei o livro a minha irmã.

Dei o livro à minha irmã.

B) Crase com pronome demonstrativo

Verificada a preposição “a”, confirma-se a existência do pronome “a”. Isto se faz de maneira simples, substituindo o possível pronome por outro demonstrativo como esta, essa ou aquela.

Esta estrada é paralela

a

a

que corta a cidade.

O que é paralelo é paralelo a

a esta/essa/aquela que corta a cidade

Assim, percebe-se a existência da crase:

Esta estrada é paralela à que corta a cidade.

Com os pronomes demonstrativos “aquele”, “aquela”, “aqueles”, “aquelas” ou “aquilo”, basta verificar a existência da preposição, já que a fusão se dá com a vogal “a” que iniciam os pronomes.

O professor fez referência

a

 

aquele pesquisador.

Quem faz referência, faz referência a

 

A preposição “a” funde-se ao “a” presente no pronome “aquele”:

O professor fez referência àquele pesquisador.

C) Crase nas locuções

Nas locuções adverbiais femininas que indiquem as circunstâncias de modo, tempo ou lugar, o acento grave é obrigatório:

Entrou na casa à força.

Saiu às escondidas para a festa.

Às vezes não cumpria suas obrigações.

Chegou do trabalho à noite.

Deveria virar à esquerda, mas entrou à direita.

Estávamos todos sentados à mesa.

Nas locuções adverbiais femininas que denotem outras circunstâncias, em especial aquelas de instrumento, o acento grave é facultativo e deve-se empregá-lo para evitar ambiguidades:

Escrever à máquina.

Ele foi ferido à bala.

OBSERVAÇÕES

São inúmeros os autores que defendem a inexistência do acento grave nestes casos. Não deixe de consultar a bibliografia de seu concurso neste caso.

Nas locuções prepositivas e conjuntivas formadas por palavras femininas, o acento grave é obrigatório:

Ele saiu à procura de alimento.

À medida que os meses passam, agrava-se a crise europeia.

D) Crase com expressão elíptica

Quando houver expressão feminina subentendida, mesmo diante de vocábulos masculinos. Normalmente, são as expressões “à moda de” ou “à maneira de”:

Ela usava sapatos à Luís XV.

O atleta fez um gol à Pelé.

OBSERVAÇÃO

Algumas expressões análogas dão a falsa ideia da expressão subentendida e, por isso não levam acento grave:

Bife a cavalo. (Não é um bife“à maneira de cavalo”)

Frango a passarinho. (Não é um frango “à moda passarinho”)

E) Crase na indicação de horas

Usa-se o acento grave nas indicações precisas de horário:

Ele chegou às duas horas.

Ele chegou à uma hora (= às treze horas)

Você pode ir a uma hora qualquer.

F) Crase com a preposição até

A preposição “até” admite seu uso combinado com a preposição “a”. Portanto é facultativo o uso do acento grave diante dos nomes que aceitam artigo feminino:

Ela saiu do quarto e foi até à sala.

Ela saiu do quarto e foi até a sala.

G) Crase em expressões paralelísticas

Expressões paralelísticas são aquelas que mantêm a mesma construção. Assim, deve-se observar a existência de artigo feminino em um expressão para perceber a existência do artigo na outra expressão:

O programa será exibido da segunda à sexta.

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