– Semântica II – Campo semântico, sinonímia, antonímia, hiperonímia e hiponímia

Aprenda sobre o Campo Semântico, Hiponímia, e Hiperonímia.

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CAMPO SEMÂNTICO, HIPONÍMIA E HIPERONÍMIA

Leia este enunciado:

Teve que comprar um computador, um monitor e uma impressora para trabalhar em casa, pois, sem esse equipamento, não conseguiria dar conta do projeto.

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Perceba que as palavras computador, monitor e impressora apresentam certa familiaridade de sentido pelo fato de pertencerem ao mesmo campo semântico, ou seja, ao universo da informática. Já a palavra equipamento engloba todas as outras. No caso, dizemos que as primeiras são hipônimos e a última é um hiperônimo.

Hipônimo e Hiperônimo são palavras que pertencem a um mesmo campo semântico, sendo hipônimo uma palavra de sentido mais específico e hiperônimo uma palavra de sentido mais amplo.

O humor da charge seguinte está intimamente ligado à concepção de campos semânticos:

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A charge trata da campanha decepcionante do Grêmio no Campeonato Brasileiro de 2004, tendo inclusive sido rebaixado para a segunda divisão. Essa leitura é legitimada pelas palavras que compõem o campo semântico do futebol, como “gol”, “defesa”, “ataque”, e até “Adilson”, técnico do time durante o campeonato. No entanto, o humor reside na escolha de outros vocábulos do universo da informática, como “acesso ilimitado” e “conexão muito lenta”, o que autoriza a esdrúxula solução de se pensar em um técnico de informática para treinar o time e tentar salvá-lo do vexame. As unidades lexicais se avizinham de tal forma que deixam claros os limites dos campos semânticos envolvidos no contexto da charge: o do futebol e o da informática.

SINONÍMIA

Veja estes enunciados:

Comprei um automóvel zero km.

Comprei um carro zero km.

Os compêndios gramaticais assim caracterizam a sinonímia: Quando em contextos diferentes uma palavra pode ser substituída por outra, sem alteração semântica, dizemos que são sinônimas entre si.

Salvo uma linguagem técnica, não se pode, a bem da verdade, afirmar que existam sinônimos perfeitos, pois a substituição de uma palavra por outra não se dará em absolutamente todos os contextos. Vejamos as palavras “matar” e “assassinar”: os verbos “matar” e “assassinar” são comumente vistos como sinônimos, mas não admitem uma substituição integral, na medida em que o primeiro apresenta traços semânticos que legitimam seu uso em contextos em que estão envolvidos seres humanos ou não, enquanto o último apresenta apenas um traço [+humano]. Pode-se matar um homem ou um inseto − metaforicamente até mesmo um sonho − , mas “assassinar” só caberia no primeiro caso.

O que chama a atenção, nesses casos, é a ideia de similaridade que se quer apresentar. Veja um bom exemplo:

O vocábulo “locupletar”, definido como “enriquecer”, “tornar-se rico”, tem um sentido similar a esses termos, mas não idêntico, na medida em que apresenta um tom mais cerimonioso e, para uma compreensão integral, não pode ser analisado fora de um contexto. Na charge, por exemplo, esse tom formal em que se apresenta confere ao texto uma ironia, como se aquele ato cometido por ele – o político – não fosse um ato de enriquecer ilicitamente, dada a pompa com que se apresenta o item lexical.

Da mesma maneira, na sequência pronunciada pela população (“corrupto, ladrão, f.d.p., safado”) as palavras não podem ser consideradas idênticas; se tomadas isoladamente, não têm o mesmo significado de modo algum. Porém, inseridas no contexto político que a charge apresenta, desempenham uma função comunicativa bastante similar.

ANTONÍMIA

Numa definição muito ampla, o processo de antonímia se caracteriza por uma relação de inversão de sentido entre dois termos, como em “grande” / “pequeno” ou em “feio” / “bonito”.

Edward Lopes (2003) resume a abordagem sobre a antonímia, tratando a relação de oposição entre itens lexicais como pares antônimos: “são antonímicos dois termos, a e b, se as frases que obtemos, comutando-os, possuírem, sob algum ponto de vista, sentidos opostos.”

Ilari e Geraldi (1985) não compartilham dessa definição. Para eles, as definições tradicionais que tratam de sentidos “contrários” ou “opostos” implicam, antes, uma dúvida e não esgotam essencialmente a questão da antonímia. É preciso, portanto, investigar o que se entende por oposição de sentido ou sentidos contrários.

Esses autores apontam o exemplo do par “nascer” / “morrer”, que não representam, realmente, ações contrárias, mas dois momentos do processo de viver: o começo e o término da vida. Da mesma maneira, aludem ainda os autores ao par “chegar” / “partir”; os versos de Fernando Brant para melodia de Milton Nascimento em “Encontros e despedidas” ilustram a oposição que capta momentos diferentes de um mesmo processo: “chegar e partir são só dois lados da mesma viagem / o trem que chega é o mesmo trem da partida”.

Em “abrir” / “fechar”, o procedimento é diferente. Não são momentos de um mesmo processo, mas ações distintas pela direção e pelos resultados que acarretam. É caso de “subir” / “descer”, por exemplo.

Há, ainda, segundo Ilari e Geraldi, o caso de “dar” / “receber”, que podem ser analisados como a descrição de uma mesma cena, sob pontos de vista diferentes quanto ao papel dos sujeitos gramaticais: o sujeito de “dar” é a fonte, o sujeito de “receber” é o destinatário, papéis considerados incompatíveis na cena proposta.

Assim, da mesma forma que o contexto é fundamental para estabelecer as relações de sinonímia, igualmente o é para estabelecer as relações de antonímia no âmbito discursivo. O anúncio a seguir, da Casa do Hemofílico do Rio de Janeiro, traz a dimensão do processo antonímico ao nível do discurso:

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O anúncio baseia-se num jogo de oposições. A principal delas se dá pela oposição “vê” / “não vê” (sangue). A denotação empregada na primeira construção, “ver sangue”, opõe-se à conotação da outra; “não ver sangue” representa, aqui, não ter sangue disponível para uma transfusão.

A partir daí interagem as oposições secundárias, o interlocutor a quem se dirige a mensagem (“você”) se opõe às milhares de pessoas que precisam “ver” sangue. O traço individual se opõe ao traço coletivo. A gradação entre os verbos “desmaiar” e “morrer” também forma uma relação de oposição, ratificando o traço de banalidade da primeira atitude se confrontada com a outra.

Assim, apropriando-se do caráter polissêmico do signo, seja ele verbal ou não verbal, o jogo discursivo do anúncio, representado pelos vocábulos envolvidos, estabelece uma relação de oposição entre as duas atitudes presentes no contexto.

O processo de oposição pode se dar, como já visto, em linguagem não verbal. O anúncio a seguir, da joalheria Natan, serve de exemplo: o homem, careca, oferece uma joia à mulher. Ao ver a joia, o homem aparece aos olhos dela, agora, com cabelos e “pinta” de galã.

A campanha, que tem como conceito “o poder dos quilates”, trabalha com um jogo discursivo baseado na oposição de sentidos na maneira como a pessoa que dá o presente é vista por quem recebe. O “poder” da joia faz com que a pessoa veja com outros olhos o doador do presente. Há, assim, uma aproximação com o ditado popular “quem ama o feio bonito lhe parece”. Jocosamente, o amor aqui é materializado pela joia da Natan.

O processo de construção de sentido, dessa forma, baseia-se em um contexto. Assim como há uma sinonímia textual, há também uma antonímia textual, ancorada no discurso. São os elementos presentes no anúncio – a joia e a mudança estética do homem, por exemplo – que ajudam a representar a cena composta por uma contradição dependente direta do contexto em que se insere.

HOMONÍMIA

Veja estes pares de palavras:

colher (verbo) / colher (substantivo)

manga (fruta) / manga (camisa)

cem / sem

Segundo os compêndios gramaticais, quando há duas palavras com a mesma escrita ou o mesmo som, temos homônimos. Os homônimos podem ser homófonos, quando o som é igual e a escrita é diferente: cem / sem; homógrafos, quando a escrita é igual e o som é diferente: colher (v) / colher (s). Quando há escrita e som iguais dizemos que são homônimos perfeitos: manga / manga.

Por conta da imprecisão dos critérios em estabelecer uma diferenciação entre os conceitos de polissemia e homonímia, é preferível abarcar a ideia de que tais conceitos se relacionam, de fato – já que os fenômenos apresentam uma mesma forma com vários sentidos, dependendo do contexto em que estão inseridos. Contudo, é importante entender que a homonímia se realiza no plano diacrônico, enquanto a polissemia no plano sincrônico. Assim, como afirma Valente (2001), sincronicamente, a homonímia é uma polissemia, numa palavra com duas significações. Dessa forma, o conceito de homonímia perfeita fica restrito a investigações de cunho diacrônico, e a polissemia será investigada sob uma perspectiva sincrônica.

PARONÍMIA

Palavras parecidas em escrita e pronúncia recebem o nome de parônimos. Os pares “bocal” / “bucal” servem de exemplo: bocal, extremidade de lâmpada, por exemplo, nada tem a ver com bucal, relativo à boca. No entanto, pela sua proximidade gráfica e sonora, são parônimos. Essas palavras no português costumam causar dificuldades ao falante. Alguns exemplos:

Despercebido / Desapercebido

Inflação / Infração

Eminente / Iminente Retificar / Ratificar Fragrante / Flagrante Infligir / Infringir

É importante notar como esses aspectos semânticos podem ser expressivos na construção da mensagem. Veja o exemplo a seguir:

Os sujeitos da charge são o Presidente do Banco Central no governo Lula, Henrique Meirelles, e o robô, do filme estrelado por Will Smith, Eu, Robô. Meirelles estava sendo acusado de sonegar fontes de renda, e a charge, por meio de um processo de paronomásia, cria humor ao explicitar o jogo fônico da palavra “robô” com a palavra implícita “roubou”.

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