SEQUENCIADORES II – PRONOMES DEMONSTRATIVOS

Os pronomes, no português atual, possuem três grandes propriedades: acompanhar ou substituir o substantivo numa construção frasal; indicar a pessoa do discurso; representar um elemento da frase que já tenha sido ou irá ser mencionado.
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Tomemos como exemplo o seguinte texto, retirado da seção Carta dos leitores, de O Globo:

A revolução do óbvio

Bastou a polícia fazer o óbvio – policiar, prender e devolver à vítima o fruto do roubo – para um turista ter a melhor das impressões da cidade. A eficiência maravilhou o sueco Jan Hedlun, localizado no hotel por um telefonema da delegacia, onde estavam sua mochila e os ladrões – estes atrás das grades.

Se esse fosse o padrão de toda a polícia, o carioca teria a melhor das impressões do poder público e pagaria impostos e taxas sem reclamar.

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Eu quero

(O Globo, 13/7/02.)

Na construção “sua mochila”, o pronome possessivo sua acompanha o substantivo mochila. Se, por acaso, o autor quisesse se referir à mochila novamente, poderia construir sua frase deste modo:

[sua mochila] …ela se encontrava intacta…

O pronome reto ela estaria substituindo o substantivo mochila.

Repare que, no texto, o pronome demonstrativo esse, destacado pelo autor, substitui, não um substantivo específico, mas toda uma ação feita anteriormente (policiar, prender e devolver à vítima o fruto do roubo). Essa função de retomar um elemento expresso anteriormente recebe o nome de função anafórica; se o elemento aponta para um termo que ainda será mencionado, recebe o nome de função catafórica.

Os pronomes têm uma função muito importante na ligação das orações, pois eles evitam a repetição de termos, tornando o texto mais conciso e mais bem estruturado.

Quanto à marcação da pessoa do discurso, os pronomes (principalmente os demonstrativos) têm papel fundamental na estruturação da frase. O falante, na modalidade oral, tem como recuperar a informação precisa sobre aquilo que se quer dizer através de gestos, olhares, ou a própria proximidade dos interlocutores. Em um discurso escrito, essa informação tende a ficar imprecisa, levando o interlocutor a um não entendimento da mensagem. Dessa forma, a utilização do pronome é fundamental para esse entendimento. O carioca, por exemplo, não usa, normalmente, em sua oralidade, o pronome este. Usa esse para substantivos próximos a ele, falante, ou ao interlocutor. O pronome aquele se refere a um substantivo distante dos dois. A referência a que substantivo está em jogo se faz por meio de um gesto, como já falado. Mas, e na escrita?

Usamos o pronome de 1ª pessoa (este / esta) para marcar a proximidade com a 1ª pessoa do discurso, o emissor; o pronome de 2ª pessoa (esse / essa), para marcar a proximidade com a 2ª pessoa do discurso, o receptor; o pronome de 3ª pessoa (aquele / aquela), para marcar a distância dos interlocutores envolvidos no discurso.

Um texto é um tecido e sua costura se faz por meio de mecanismos linguísticos de coesão, que contribuem para realizar sua coerência. Como já dito, um pronome pode promover uma coesão por anáfora ou catáfora. Tomemos um conjunto de exemplos:

A população e a cidade estão imersas num caos:

esta carece de cuidados estruturais; aquela, de valores morais.

Veja que estabelecemos uma coesão anafórica, esta (1ª pessoa) se refere à palavra mais próxima (cidade). Para a palavra mais distante (população) usamos o pronome aquela (3ª pessoa). No discurso escrito, o entendimento da mensagem exige precisão da coesão, que, entre palavras, usa esse procedimento. Quando o pronome aponta não para uma palavra, mas para uma ideia, usamos outro procedimento:

Quando a coesão se estabelece com uma ideia que já se mencionou (anáfora), usamos o pronome de 2ª pessoa (esse / essa):

Viver às voltas com políticos corruptos: será essa a história do Brasil?

Se a coesão se estabelece com uma ideia que ainda será mencionada (catáfora), usamos o pronome de 1ª pessoa (este / esta):

Será esta a história do Brasil: viver às voltas com políticos corruptos?

Releia o trecho da carta do leitor de O Globo:

(…) onde estavam sua mochila e os ladrões – estes atrás das grades.

Se esse fosse o padrão de toda a polícia, o carioca teria a melhor das impressões do poder público e pagaria impostos e taxas sem reclamar.

Veja que o pronome estes se refere à palavra “ladrões”. Como está próxima, usou-se, adequadamente, o pronome de 1ª pessoa. Repare, agora, que o pronome esse retoma uma ideia expressa anteriormente. Portanto, o uso da 2ª pessoa foi adequado.

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