SEQUENCIADORES III – CONJUNÇÕES COORDENATIVAS

O encadeamento semântico que produz a textualidade, aquilo que conhecemos como nome de coesão, estabelece ligação entre as ideias, informações e argumentos de um texto e, para isso, são utilizados diversos elementos de ligação, os chamados conectivos. Um tipo em especial é fundamental para a construção dos textos: a conjunção.

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Conjunção é a palavra invariável que estabelece relações entre duas orações ou entre dois termos que exercem a mesma função sintática, desempenhando, assim, o papel de sequenciar os elementos de um texto. Há dois tipos de ligação estabelecida pela conjunção, a subordinativa e a coordenativa. É desta última que trataremos neste capítulo.

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Comi bolo e chocolate.

Nesse enunciado a conjunção "e" liga dois termos de mesmo valor sintático, pois ambos são núcleos do objeto direto. A essa simetria sintática, chamamos coordenação. A noção de estruturas coordenadas implica autonomia, independência sintática entre os termos relacionados. Pode haver coordenação:

De morfemas: na composição de palavras, como em passatempo, guarda-chuva.

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De itens lexicais (palavras): como no sujeito composto da oração abaixo:

Chegaram o aluno e seu amigo.

De orações, como no seguinte período composto:

Ela assistiu ao programa e achou-o péssimo.

A conjunção, ao ligar os elementos de um texto, estabelece uma relação semântica, atribuindo alguma noção aos termos que se interligam. Assim, pode-se classificar as conjunções segundo o conteúdo semântico que carregam. Desta forma, há cinco grupos de conjunções:

Aditivas – introduzem uma relação de soma, adição: e, nem, (não só) mas também etc.

Foi o que fizeram todos quantos procuraram a Pátria no quase meio milênio da História do Brasil, complexa e fascinante História de conquistas e reveses, de “sangue, suor e lágrimas”, mas também de esperanças e de realizações. Evocaram gestos heróicos, comovedoras lendas e sugestivas tradições.

(D. Lucas Neves)

Adversativas – estabelecem relação de oposição, de contraste, contradição, uma contraposição forte entre ideias: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto etc.

Achava-me numa vasta sala, de paredes sujas. Com certeza não era vasta, como presumi: visitei outras contudo pareceu-me enorme.

(Graciliano Ramos)

Alternativas – propõem uma relação de alternância entre os termos. Essa alternância pode ser uma repetição alternada de elementos que obedecem a uma determinada ordem, ou uma escolha entre as opções ligadas pela conjunção: ou, ou… ou, ora… ora, quer… quer, seja… seja.

A turma ora fica em silêncio absoluto, ora em uma enorme algazarra.

Os acontecimentos foram sabidos e compreendidos mediante minha observação pessoal, direta, ou então interpretei episódios e comportamentos – não fosse eu um advogado acostumado, profissionalmente, ao exercício da hermenêutica.

(Rubem Fonseca)

Conclusivas – apresentam uma relação de conclusão, isto é, a exposição do resultado lógico de um raciocínio: logo, pois, portanto, por conseguinte, pois (posposto ao verbo) etc.

Ele não era um advogado acostumado, profissionalmente ao exercícios da hermenêutica; portanto não foi contratado.

Explicativas – evidenciam uma justificativa, uma relação de explicação de um dos acontecimentos enunciados: pois (anteposto ao verbo), porque, que etc.

Não se afobe, não,

Que nada é pra já

(Chico Buarque)

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