A ARTE, A LITERATURA E SEUS CONCEITOS – FICCIONALIDADE / VEROSSIMILHANÇA / CATARSE / EPIFANIA

Literatura é arte. É arte polissêmica e polifônica. Como tal, dialoga constantemente com outras formas de arte, em especial com as artes plásticas. Disse um dia Murilo Rubião que o escritor mantém o “olho armado” e, tal como o escultor ou o pintor, fixa o eterno em sua obra.
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Muito se tem discutido sobre a função e a estrutura do texto literário, ou ainda sobre a dificuldade de se entenderem os enigmas, as ambiguidades, as metáforas da literatura. Mas é exatamente aí que reside o seu encanto: no trabalho com a palavra, com seu aspecto conotativo, com seus enigmas.

Sem dúvida, a literatura apresenta-se como o instrumento artístico de análise de mundo e de compreensão do homem. Sófocles, Camões, Shakespeare, Rousseau, Dostoievski, Machado de Assis, Eça de Queiroz, Kafka, Clarice Lispector… todos preocupados com o grande mistério: entender a alma humana.

CARACTERÍSTICAS DO TEXTO LITERÁRIO

Plurissignificação: as palavras, no texto literário, assumem vários significados. Valoriza-se a linguagem conotativa.

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Ficcionalidade: os textos criam um universo próprio, ainda que baseados no real, mas transfigurando-o, recriando-o.

Aspecto subjetivo: o texto apresenta, normalmente, o olhar pessoal do artista, suas experiências e emoções.

Ênfase na função poética da linguagem: o texto literário manipula a palavra, revestindo-a de caráter artístico.

O artista apresenta na obra literária uma postura diante do mundo e das aspirações do homem.

VEROSSIMILHANÇA INTERNA E EXTERNA

(Ilustrações e texto de Will Eisner para o livro Narrativas gráficas)

Tanto na representação dos caracteres como no entrecho das ações, importa procurar sempre a verossimilhança e a necessidade; por isso, as palavras e os atos de uma personagem de certo caráter devem justificar-se por sua verossimilhança e necessidade. (ARISTÓTELES; Arte Poética)

A importância da verossimilhança nas narrativas surgiu como preocupação e objeto de estudo desde Aristóteles. De forma geral, o conceito de verossimilhança está relacionado à verdade, ao que se apresenta – ou tem aparência − de verdadeiro. Esse estudo é fundamental para a literatura. Veja os conceitos e definições abaixo:

(…) o objetivo da poesia (e da arte literária em geral) não é o real concreto, o verdadeiro, aquilo que de fato aconteceu, mas sim, o verossímil, o que pode acontecer, considerado na sua universalidade. (SILVA, Vítor M. de A. Teoria da literatura. Coimbra: Almedina, 1982.)

Verossímil. 1. Semelhante à verdade; que parece verdadeiro. 2. Que não repugna à verdade, provável.(FERREIRA, A. B. de Holanda. Novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.)

A literatura, como toda obra de arte apresenta uma equivalência de realidade, de verdade, de lógica interna ao texto e de um conjunto de semelhanças que permitem ao leitor validar os acontecimentos como possíveis: a verossimilhança. É possível distinguir dois tipos de verossimilhança:

INTERNA: percebida pela própria estrutura da obra, pela coerência dos elementos que a estruturam.

EXTERNA: percebida no mundo real, confere ao mundo imaginário a percepção de realidade.

MÍMESE, CATARSE E EPIFANIA

Para os gregos, a arte possuía as funções hedonística e catártica. A primeira preconizava a necessidade de a obra artística proporcionar prazer, ser um retrato do belo. Essa beleza consistia na relação direta e na semelhança entre a arte e a natureza. Na segunda visão, a catarse era o um conjunto de sensações e contrassensações, um efeito “moral” que buscava aliviar os sentimentos produzidos pela própria obra de arte: o terror, a piedade, as tensões etc.

A catarse pode ser compreendida tanto de forma externa à obra de arte, quando ligada às sensações e identificações que provoca no leitor ou expectador diante dos acontecimentos; quanto de forma interna, como um processo de superação que os próprios personagens devem enfrentar em suas jornadas. Assim, a passagem do estado agonia de um personagem para sua redenção já evidencia uma catarse.

O filósofo grego Aristóteles debruçou-se sobre a literatura e ligava-a ao conceito de imitação, segundo ele, mímese. A arte mimética buscava imitar a vida e nessa relação buscava a fidelidade absoluta. Era isso que levava o texto ao encontro com a Verdade. Com o passar do tempo, essa ideia de arte imitativa foi perdendo força, apesar de ainda manter relação com as emoções que provoca e a própria recriação da realidade que caracterizam os conceitos de arte mais atuais.

Em muitas histórias, há “manifestações” de forças divinas ou ocultas que levam um personagem à uma revelação, entendimento súbito de sua condição ou compreensão da essência de algo ligado à problemática da história. Essa intervenção “mágica”, que altera os rumos dos acontecimentos e opera uma mudança na vida de um personagem é chamada epifania. Modernamente, autores utilizam-se de situações cotidianas como mote para a introspecção das personagens, refundando o conceito grego em bases modernas.

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