BARROCO EUROPEU – ARTE E CONTEXTO –

O século XVI marca a ampliação dos limites geográficos do mundo conhecido; o homem passa a acreditar na sua capacidade de dominar a natureza e transformá-la por meio da razão. O século XVII parece ser a continuação da glória renascentista que se anunciava: os conhecimentos científicos e as grandes descobertas tiveram espaço para florescer; o antropocentrismo domina o pensamento europeu, à exceção da Península Ibérica, que se fecha aos novos ares renascentistas e volta-se a uma religiosidade extremada, levando Portugal e Espanha a ficar de fora dos avanços produzidos na época. O final do século XVII guarda alterações no quadro econômico, social, político e religioso, abalando a euforia antropocêntrica estabelecida.
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O século XVII é marcado pelo mercantilismo, baseado no metalismo, na balança comercial favorável e no acúmulo de capitais; a burguesia surgia com imenso poder econômico nesse contexto. Contudo, se por um lado a conjuntura econômica favorecia a ascensão de setores populares, tais quais os burgueses; por outro, a sociedade não se mostrava aberta em relação às estruturas política e social.

Apesar de deter um forte poder econômico, a burguesia estava alijada do poder político, constituía o Terceiro Estado, a mais baixa das três classes impermeáveis pelas quais a sociedade se organizava. As outras duas, o clero e a nobreza, gozavam de inúmeros privilégios e controle absoluto sobre as decisões políticas e os comportamentos sociais. Os camponeses e artesãos sofriam com pesados impostos e a falta de direitos. A burguesia fortalecia-se com seu poder econômico e pressionava politicamente a nobreza e o rei, a fim de conseguir maior participação política no Estado.

O absolutismo monárquico centralizava todo poder nas mãos do rei, considerado o representante de deus na Terra. Por mais estranho que possa parecer, durante algum tempo, esse sistema, ainda que excludente, beneficiou a própria burguesia, já que lhe convinha um governo centralizado que unificasse e ampliasse as condições do mercado nacional.

CONTEXTO HISTÓRICO PORTUGUÊS

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Se Portugal viveu seus dias de glória nos primeiro quarto do século XVI, é bem verdade que o último quarto do mesmo século representa o pior período de sua história. A expansão ultramarina levou Portugal a conhecer uma aparente grandiosidade: Lisboa era a capital mundial das especiarias, mas a agricultura nacional era abandonada.

As colônias na África e na América, que renderam à Espanha um enorme acúmulo de metais preciosos, não deram a Portugal o mesmo benefício: suas colônias nada forneceram de riquezas em imediato, especialmente o Brasil. Ouro e prata, principais objetivos do metalismo mercantilista não foram achados rapidamente no Brasil, levando Portugal a uma condição de dependência de seu comércio de especiarias. Com a decadência desse comércio, observa-se o franco declínio da economia portuguesa. Um vasto domínio territorial, de gastos monumentais com uma metrópole em crise econômica e política.

Impelido pelo sonho megalomaníaco de transformar Portugal em um grande império, o jovem rei D. Sebastião parte para a conquista de terras africanas e desaparece em meio ao insucesso na batalha de Alcácer-Quibir, em Marrocos, em 1578, sem deixar descendentes.

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Dom Sebastião I, pintura de Cristóvão de Morais

Dois anos mais tarde, Felipe II da Espanha anexa Portugal a seu reino e consolida a unificação da Península Ibérica. O desaparecimento do jovem rei e a perda da autonomia levam o povo português a uma imensa amargura para olhar o futuro e uma melancolia ao relembrar o passado. Cria-se um ambiente de desilusão e esperança na volta do monarca desaparecido, que conduziria Portugal à glória, transformando-o no Quinto Império. Essa crença messiânica ganha o nome de Sebastianismo e teve como um dos maiores representantes o próprio padre Antônio Vieira.

Com a unificação da península, a Contrarreforma se fortalece e o ensino torna-se praticamente um monopólio nas mãos dos jesuítas, além de estabelecer-se uma forte censura eclesiástica, um obstáculo praticamente intransponível a qualquer avanço na área do saber. Enquanto a Europa experimenta um rico tempo de descobertas científicas e inovações tecnológicas, a Península Ibérica permanece como mantenedora da cultura medieval.

ESTÉTICA BARROCA

Barroco é a denominação dada às manifestações artísticas do século XVII, daí também ser conhecido como seiscentismo. A palavra barroco tem origem controversa, mas a hipótese mais conhecida versa que o nome designa um tipo de pérola de forma irregular, imperfeita, desigual, assimétrica. A estética barroca guarda as qualidades da pérola que lhe nomeia, já que representa o intenso conflito interno do homem dos 1600: por um lado o racionalismo e o renascimento, por outro a Contrarreforma. Essa antítese vai se retratar no estilo, gerando assimetria, confusão, rebuscamento e paradoxos.

Pérola barroca

A contradição social e cultural produz a matiz dos conflitos retratados pelo barroco: teocentrismo x antropocentrismo, fé x razão, alma x corpo, bem x mal, perdão x pecado, espírito x matéria, deus x homem, virtude x prazer. O racionalismo oferece o prazer e a vida material; a Igreja, a volta aos valores medievais, com a renúncia aos prazeres mundanos e à mortificação da carne.

Caravaggio, São Francisco em êxtase

Essa preocupação insana a qual era submetido o homem seiscentista o levava apenas a crer na brevidade da vida, na efemeridade da existência, restando a ele aproveitar o tempo que lhe restava (carpe diem). Longe de ser positiva, essa era uma atitude pessimista: devia-se aproveitar a vida, pois a morte já chegava. É claro que, após gozar dos prazeres da carne, restava o sofrimento, o pecado e o arrependimento. Era o momento de pedir perdão de se redimir frente a deus. Assim, o homem barroco estava sempre enfrentando o dilema de aproveitar o tempo que lhe restava na terra e pedir perdão pelos pecados que cometeu ao desfrutá-lo.

As lutas religiosas e as dificuldades econômicas decorrentes da decadência do comércio de especiarias estabelecem as condições da crise por que passam os portugueses, gerando tensão e desequilíbrio, características tão marcantes do Barroco. Desta forma, culto exagerado da forma, a busca pelo detalhe, o rebuscamento, o uso sobrecarregado de figuras de linguagem e, até mesmo, uma tendência sensualista são expressões do espírito seiscentista. Na literatura, pode-se perceber claramente duas tendências barrocas: o Cultismo e o Conceptismo.

CULTISMO

Remete-se ao rebuscamento no plano formal. Caracteriza-se pelo uso de linguagem culta, rebuscada e extravagante; um vocabulário sofisticado, com grande número de figuras de linguagem (principalmente a metáfora, a antítese e a hipérbole) e jogos de palavras. A valorização dos pormenores e a exploração de efeitos sensoriais como cor, som, forma e volume, além de construir imagens violentas e fantasiosas. É um estilo presente sobretudo na poesia. A maior influência cultista pertence ao poeta espanhol Luís de Gôngora, pelo qual também ficou conhecido o estilo como Gongorismo.

Rebuscamento ornamental em igreja da Bahia

CONCEPTISMO

A palavra remete a origem espanhola concepto (conceito, ideia) e, por isso, refere-se ao estilo que valoriza o jogo de ideias, construído a partir das sutilezas do raciocínio lógico, com valorização do pensamento através de analogias e alegorias. É um estilo racionalista, que utiliza uma retórica aprimorada, bem elaborada; normalmente manifestado na prosa. O maior representante conceptista foi, sem dúvida, o espanhol Francisco de Quevedo, que também empresta seu nome para apelidar o gênero: Quevedismo.

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Francisco de Quevedo

Apesar de estilos diferentes, é importante ressaltar que ambos retratam a mesma escola barroca. Portanto, não é difícil imaginar que a produção de um autor pode apresentar traços cultistas e conceptistas; por vezes, um mesmo texto enquadra-se nas características dos dois estilos, sem que haja prejuízo na estética da obra.

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