O PRÉ-MODERNISMO BRASILEIRO

O século XX foi o período de maior desenvolvimento tecnológico da história da humanidade, muitos desses avanços, sem sombra de dúvidas, foram impulsionados pelas duas grandes guerras que ocorrem na primeira metade do século. Esses conflitos são frutos de tensões advindas do final do século XIX que se acirram no começo do novo século. As novas relações de trabalho criadas pela Revolução Industrial criam disparidades e explorações jamais antes vistas, com consequências sociais gravíssimas.
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É o tempo de pensadores, o avanço das ciências e das filosofias sociais começam a sugerir que a prática tome lugar do discurso. Assim, os trabalhadores se organizam, socialistas e anarquistas questionam o poder instituído das potências coloniais. O imperialismo entra em crise e a urbanização já faz a sociedade ser diferente. O palco da luta de classes está armado.

No Brasil, o fim do século XIX marca o início da “República do café-com-leite”, na qual os grandes proprietários rurais exerciam enorme influência. Nossa urbanização, ainda incipiente, não produzia o quadro de tensão no qual vivia a Europa, mas já dava sinais de crescimento principalmente em São Paulo.

O ciclo da borracha desloca para o norte a riqueza do país, acentuando ainda mais os contrastes sociais vividos pelo país: algumas regiões prosperavam em meio ao atraso irremediável de outras. As tensões nacionais eram regionais e geraram inúmeras agitações sociais, como a Revolta de Canudos, na Bahia; a série de conflitos no Ceará em torno do religioso Padre Cícero; e o cangaço, em pleno sertão nordestino, que nos apresentou a figura de Virgulino Ferreira, o Lampião.

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A capital, Rio de Janeiro, sangrava seus problemas sociais. A insurreição ao poder constituído foi desde a Revolta da Vacina – uma rebelião popular contra a vacinação obrigatória, mas que guardava suas reivindicações sociais – até a Revolta da Chibata – uma rebelião de marinheiros contra os castigos físicos. Esses movimentos criaram vilões e heróis – como Oswaldo Cruz e João Cândido, o Almirante Negro – que a História devolveu-lhes o lugar na posteridade.

A ESTÉTICA

Essas agitações criavam o clima de tensão e tumulto que iria eclodir artisticamente em 1922, mas que, de alguma forma já se manifestavam em produções artísticas da época. Pode-se dizer que os primeiros anos do século XX foram uma espécie de transição entre dois mundos. Assim, a Literatura fez contar seu próprio tempo, espalhando a transição, mostrando não uma escola, mas apresentando novas tendências e rupturas com a arte conservadora.

Portanto, não se pode dizer que o Pré-modernismo constitui-se em uma escola literária em si. É, em verdade, um conjunto de manifestações do espírito de uma época, que apresentava o novo, rompia com o velho, mas ainda não possuía um rumo certo ou uma clara intenção estética.

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Os autores dessa época são influenciados pelo Realismo e pelas novas tendências que surgiam na Europa. Ao mesmo tempo, os escritores românticos, parnasianos e simbolistas ainda publicavam seus livros e encontravam excelente público, já que o final do século XIX e início do século XX é um tempo de prosperidade dos livreiros, uma época do crescimento do mercado editorial no país.

Esses novos autores demonstram um grande interesse pela realidade nacional, contrariando o universalismo dos modelos realista-naturalistas. O cotidiano brasileiro passa a ser exposto nas páginas dos livros, dando espaço a criação de obras de nítida preocupação social. Os tipos marginalizados, as lutas inglórias e as mazelas do povo passam a ser os temas da prosa pré-modernista.

Essa aproximação com a realidade brasileira traz como consequência formal a busca por uma linguagem mais simples, mais direta, coloquial, próxima da população. Os textos apresentam linguagem jornalística, aproximando-se, por vezes, mais da realidade que de um estilo artístico propriamente dito. Euclides da Cunha, Lima Barreto e Monteiro Lobato são exemplos de literatos que contribuíram largamente com a imprensa; por outro lado, há também João do Rio, um jornalista que retratou a sociedade da época, fazendo-se um dos cronistas mais importantes de nossa história.

Na poesia, a ruptura fica por conta de um dos mais geniais poetas que já surgiram: Augusto dos Anjos. Irônico e pessimista, rompe com o linguajar poético, tripudia do realismo e do materialismo, brica com as ciências e a filosofia. Tivesse nascido dez anos depois, seguramente estaria no rol dos maiores modernistas brasileiros.

AUTORES

EUCLIDES DA CUNHA

Engenheiro de formação positivista e de fortes convicções republicanas, Euclides nasceu em Cantagalo, Rio de Janeiro em 20 de janeiro de 1866. Mudando-se para São Paulo, foi enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo para cobrir a guerra de Canudos. Suas mensagens telegráficas permitiram que os grandes centros acompanhassem o conflito, mobilizando e dividindo a opinião pública. Foi com base na cobertura jornalística que fez que escreveu os Sertões, de caráter cientificista e, no qual se nota o abalo sofrido em suas convicções republicanas. As descrições do homem nordestino, do sertão e da luta propriamente dita influenciariam autores modernistas além de trazer à tona o Brasil não-oficial, o país que o país desconhecia ou fingia desconhecer.

Membro do Instituto Histórico e Geográfico e da Academia Brasileira de Letras, deixou inúmeros tratados e cartas referentes ao país, sua geografia, cultura e características regionais. Trata das fronteiras do norte do País e leciona no colégio Pedro II.

Morre em 1909, assassinado em uma troca de tiros, no que ficou conhecida como “a tragédia da Piedade”. Ao saber que sua esposa, Ana Emília Ribeiro abandonara-o pelo jovem tenente Dilermando de Assim, que supostamente já seria seu amante (Euclides da Cunha atribuía a Dilermando a paternidade de um de seus filhos, por ser este louro em uma família de morenos). O autor de Os Sertões, disposto a matar o desafeto, parte armado para a casa do jovem. O desfecho desse episódio trágico foi que Dilermando, campeão de tiro do exército, matou Euclides da Cunha e foi absolvido por legítima defesa. Ana casou-se com Dilermando que ainda mataria em legítima defesa o filho de Euclides da Cunha que tentara vingar a morte de seu pai.

Trechos de Os sertões 

“O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. É desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. (…) Basta o aparecimento de qualquer incidente transfigura-se. Reponta. Um titã acobreado e potente. De força e agilidade extraordinárias (…) Sua cultura respeita antiquíssimas tradições. Torna-se um retirante, impulso pela seca cíclica, mas retorna sempre ao sertão”.

“Fechemos este livro. Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados. (…) Caiu o arraial a 5. No dia 6 acabaram de o destruir desmanchando-lhe as casas, 5.200, cuidadosamente contadas.”

LIMA BARRETO

Filho de pai português e mãe escrava, Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio, em 13 de maio de 1881. Não chegou a completar seus estudos de Engenharia, pois teve de abandoná-los para cuidar de seu pai, doente mental. Apesar de viver numa sociedade imensamente racista, o mulato Lima Barreto conseguiu um emprego no funcionalismo público, o que lhe garantiu, de certa forma, o sustento da família.

Os inúmeros desgostos domésticos, a revolta contra o preconceito racial, as crises de depressão, o alcoolismo e as internações no hospício transformaram Lima Barreto em um crítico amargo e severo da sociedade. Suas contribuições na imprensa eram inúmeras e combatiam o preconceito racial e contra a mulher. Sua consciência acerca dos problemas sociais brasileiros coloca-lhe como militante socialista, um dos primeiros a combater as desigualdades, criticar o poder republicano e denunciar a realidade nacional.

Barreto era um apaixonado pela cidade e por seus acontecimentos. Sua obra registra episódios como a insurreição contra Floriano Peixoto, a Revolta da Vacina, a valorização do café, a participação brasileira na Primeira Grande Guerra entre outros eventos. Mas o que lhe deliciava era o subúrbio, a gente pobre e seus dramas; a crítica da classe média que não media esforços para ascender socialmente; a ridicularização dos políticos da época e de sua ostentação. Segundo ele, essa era a melhor maneira de criticar o vazio intelectual e a ganância dos poderosos: “Nada de violências, nem barbaridades. Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo. O ridículo mata e mata sem sangue.”

Seu estilo, duramente criticado pelos parnasianos, tem a leveza, coloquialidade e fluência típica dos periódicos, antecipando, assim, a estética do Modernismo. Em Triste fim de Policarpo Quaresma, critica o nacionalismo, a república e os políticos. Em Clara dos Anjos, aborda o tema do preconceito racial. Os Bruzundangas é uma denúncia bem-humorada sobre o Brasil: Bruzundanga é um país tropical fictício no qual as elites pouco cultas exploram em demasia seu povo.

Lima Barreto passa o ano de 1922 cuidando de seu pai, cujo estado de saúde se deteriorava com rapidez. Como se não bastassem as tragédias, por ironia do destino, morre em 1º de novembro de 1922, dois dias antes do falecimento de seu pai.

A lição de violão, trecho de Triste fim de Policarpo Quaresma

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Como de hábito, Policarpo Quaresma, mais conhecido por Major Quaresma, bateu em casa às quatro e quinze da tarde. Havia mais de vinte anos que isso acontecia. Saindo do Arsenal de Guerra, onde era subsecretário, bongava pelas confeitarias algumas frutas, comprava um queijo, às vezes, e sempre o pão da padaria francesa.

Não gastava nesses passos nem mesmo uma hora, de forma que, às três e quarenta, por ai assim, tomava o bonde, sem erro de um minuto, ia pisar a soleira da porta de sua casa, numa rua afastada de São Januário, bem exatamente às quatro e quinze, como se fosse a aparição de um astro, um eclipse, enfim um fenômeno matematicamente determinado, previsto e predito.

A vizinhança já lhe conhecia os hábitos e tanto que, na casa do Capitão Cláudio, onde era costume jantar-se aí pelas quatro e meia, logo que o viam passar, a dona gritava à criada: “Alice, olha que são horas; o Major Quaresma já passou.”

E era assim todos os dias, há quase trinta anos. Vivendo em casa própria e tendo outros rendimentos além do seu ordenado, o Major Quaresma podia levar um trem de vida superior ao seus recursos burocráticos, gozando, por parte da vizinhança, da consideração e respeito de homem abastado.

MONTEIRO LOBATO 

O mais famoso autor de histórias infantis do Brasil nasceu em Taubaté, São Paulo, em 1882, registrado com o nome de José Bento Monteiro Lobato. Formado em Direito, exerce o cargo de promotor em Areias. Mas foi em 1911 que sua vida toma outro rumo: com a morte de seu avô, herda uma fazenda e passa a dedicar-se à agricultura. Contrário às constantes realizações de queimadas pelos caboclos locais, escreve uma carta indignada e a envia para o jornal o Estado de S. Paulo. Em vez de publicá-la na seção de cartas, publica-a como um artigo e obtém grande sucesso. Assim, Lobato passa a escrever para o jornal, vende a fazenda, publica Urupês e funda uma editora.

Causador de inúmeras polêmicas por seu papel de intelectual, Lobato era um homem de postura rígida, moralista e doutrinadora, aspirando ao progresso material e mental do povo brasileiro; com isso, destaca-se, além da literatura, nos campos social e político. Faz duras críticas ao atraso brasileiro, revelando um país agrário e ignorante, longe do caminho do progresso e da ciência; seu personagem Jeca Tatu, um caipira acomodado e miserável do interior paulista era a imagem que retratava ironicamente esse Brasil.

Lobato viveu em Nova Iorque onde percebeu a importância da exploração de recursos minerais. Nacionalista, volta ao Brasil e funda o Sindicato do Ferro e a Companhia de Petróleos do Brasil, confrontando-se contra multinacionais que exploravam inescrupulosamente nossas riquezas. Denunciou a ligação de autoridades brasileiras com interesses estrangeiros e fez ataques ao governo, motivo este que o levou à prisão em 1941, provocando grande reação na sociedade.

Sua estética traz pouco de inovação, aproximando-se ainda a modelos realistas. É a temática que o diferencia: o regionalismo e a denúncia da realidade o colocam em processo de ruptura. Se ideologicamente temos uma figura avançada e modernizante, pelo lado artístico, Monteiro Lobato colocou-se como conservador e antimodernista. Crítico feroz do Modernismo e das tendências de vanguarda, ficou famoso seu artigo Paranoia ou mistificação em que criticava violentamente o trabalho expressionista de Anita Mafalti, considerando-o como resultado de uma “deformação mental”. Mesmo sem querer, com este artigo ajudou a construir o Modernismo brasileiro: reuniu, em defesa de Anita, novos artistas como Mário e Oswald de Andrade e Di Cavalcanti, revoltados contra o conservadorismo de Lobato.

Obteve grande sucesso em uma área até então pouquíssimo explorada na literatura brasileira e latinoamericana: a literatura infantil. Com obras de caráter moralista e pedagógico, Lobato consegue um estrondoso êxito, mas não abandona a luta nacionalista: personagens representativos de nosso povo no Sítio do Picapau Amarelo, a imagem do próprio Brasil. Em junho de 1948, Lobato despedia-se do mundo deixando um legado presente em gerações de crianças e que continua até os dias de hoje.

A Colcha de Retalhos”, trecho de Urupês:

“- Upa!

Cavalgo e parto.

Por estes dias de março a natureza acorda tarde. Passa as manhãs embrulhada num roupão de neblina e é com espreguiçamentos de mulher vadia que despe os véus da cerração para o banho de sol.

A névoa esmaia o relevo da paisagem, desbota-lhe as cores. Tudo parece coado através dum cristal despolido.

Vejo a orla de capim tufada como debrum pelo fio dos barrancos; vejo o roxo-terra da estrada esmaecer logo adiante; e nada mais vejo senão, a espaços, o vulto gotejante dalguns angiqueiros marginais.

Agora, uma porteira.

Ali, a encruzilhada do Labrego.

Tomo é destra, em direitura ao sítio do José Alvorado. Este barba-rala mora-me a jeito de empreitar um roçado no campoeirão do Bilú, nata da terra que pelas bocas do caeté legítimo, da unha-de-vaca e da caquéra está a pedir foice e covas de milho.

Não é difícil a puxada: com cincoenta braças de carreador bóto a roça no caminho.”

AUGUSTO DOS ANJOS

Único poeta de expressão do pré-modernismo, Augusto Carvalho Rodrigues do Anjos nasceu em Vila do Espírito Santo, Paraíba, em abril de 1884. Filho de proprietários de engenho, viu a decadência da antiga estrutura latifundiária e o surgimento das usinas de beneficiamento. Formado em Direito, viveu no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, locais onde foi promotor e professor de literatura.

Augusto dos Anjos é um poeta singular na história de nossa literatura e, certamente, um dos mais originais. Conjugando aquilo que parecia inconciliável – o Simbolismo e o cientificismo – Augusto representa uma espécie de soma de todas as tendências de sua época. Sua obra poderia até mesmo enquadrar-se entre aquelas dos expressionistas, apesar de jamais ter conhecido essa tendência vanguardista!

Sua única obra publicada – Eu (1912) – apresenta uma poesia formalmente trabalhada, em linguagem cientificista-naturalista aliada à uma agressividade vocabular jamais vista, uma vulgaridade sem par. Apesar disso, conquistou grande popularidade em sua época, muito em função de seu pessimismo, sua visão dramaticamente angustiante da matéria, da vida, do mundo, aflorando problemas existenciais e distúrbios pessoais. Assim, traduzia as incertezas do século que começava e criando uma forte identidade com o público da época.

Sua linguagem é marcada pelo uso de palavras antipoéticas, rompendo com os limites do belo e do feio. Sua temática não fica por menos: descreve desde prostitutas a cadáveres, passando por vermes, fluidos corporais e elementos químicos. Sua angústia indica que não existe deus nem esperança: apenas a ciência, as substâncias e a energia do cosmos que compõe a matéria de tudo o que existe. Conciliar a objetividade material e a dor cósmica de buscar o sentido da existência, essa foi a síntese da poesia de Augusto dos Anjos.

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão – esta pantera –

Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!

O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora, entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!

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