DESENVOLVIMENTO NOTA 1000 NO ENEM

Aprenda sobre o Desenvolvimento com Texto Dissertativo e veja o exemplo da redação Nota 1000 do ano de 2017

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TEXTO DISSERTATIVO: DESENVOLVIMENTO

Nessa parte do texto, o autor deve criar os argumentos necessários para sustentar, defender e convencer o leitor a respeito da tese proposta na introdução, de maneira coesa e coerente.

Há uma seleção das ideias mais consistentes para fundamentar a ideia-central, por isso certos aspectos e detalhes importantes podem servir para ampliar e explicar o ponto de vista definido. Usam-se dois ou três parágrafos para essa parte. Assim, no desenvolvimento fundamenta-se a tese, amplia-se o tema.

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Foram os gregos que, no exercício da democracia, iniciaram e desenvolveram a retórica argumentativa, e o fizeram com elegância e arte. Era preciso dominar a palavra e a lógica, para construir um discurso convincente, poderoso. Aristóteles (384-322 a.C.) escreveu Retórica, composta de três livros sobre gramática, lógica, filosofia da linguagem e estilística, que ainda hoje encontram espaço entre estudiosos do discurso.

Existem muitos recursos linguísticos empregados para persuadir: dados ou fatos que podem ser comprovados, verdades inquestionáveis, pronunciamentos de pessoas renomadas, comparações, analogias, raciocínios constituídos de causa e consequência, entre outros. É o que veremos a seguir:

TIPOS DE ARGUMENTO

Para o prof. José Luís Fiorin, os tipos de argumentos são:

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1. argumento de autoridade: se dá pela citação de autores e autoridades numa área de saber. Argumentos feitos por meio de citações devem estar bem elaborados e ter ligação com o tema, caso contrário, o texto ficará descosturado;

2. argumento baseado no consenso: se dá pelo uso de proposições aceitas como verdadeiras. É preciso não confundir com lugar-comum, de validade discutível e, às vezes, preconceituosa;

3. argumento baseado em provas concretas (fatos): podem ser estatísticos, dados históricos, exemplos e têm de gerar conclusão adequada, compatível com os dados apresentados;

4. argumento baseado em raciocínio lógico:  baseia-se na relação lógica entre as proposições, por exemplo, relação de causa e consequência. É preciso cuidado para evitar problemas de tautologia e inversão;

5. argumento baseado na competência linguística: caracteriza-se pelo uso da variante culta da língua ou um vocabulário adequado à situação de interlocução.

Procure observar como os textos são desenvolvidos por seus autores. Veja como ficam desestimulantes se dizem o que já estamos cansados de ouvir, o que já é lugar-comum. Observe como ficam interessantes se são construídos com dados recentes, se bem usam a linguagem figurada, ou se embasam casos concretos.

Ao tentarmos construir nossos argumentos, percebemos o quanto conhecemos do assunto em pauta. Jamais poderemos opinar e sermos convincentes se não dominarmos suficientemente o assunto. Por isso, são tão importantes a leitura, a conversa, o debate e a reflexão. Sem pensamento claro, não há argumentação!

OBSERVAÇÃO

O desenvolvimento argumentativo é a “espinha dorsal” do texto, pois é sustentar uma opinião de forma impessoal, clara e objetiva. E isso não é uma tarefa simples. É importante que o locutor/autor esteja bem informado para redigir este momento, visto que o leitor/interlocutor será persuadido pelas informações contidas aí. Assim, uma das formas de demonstrar tal conhecimento consiste no uso da lógica — ciência que utiliza o discurso coerente e poderoso na tarefa da argumentação.

É muito importante aprofundar-se de forma organizada nos itens apontados na introdução. Nesse sentido, o bom desenvolvimento conta com, pelo menos, três partes fundamentais, conforme o quadro a seguir:

Observe o exemplo desta redação Nota 1000 do ano de 2017:

A locomotiva de Marx

De acordo com Albert Camus, escritor argelino do século XX, se houver falhas na conciliação entre justiça e liberdade, haverá intempéries de amplo espectro. Nesse sentido, a intolerância religiosa no Brasil fere não somente preceitos éticos e morais, mas também constitucionais estabelecidos pela Carta Magna do país. Dessa forma, observa-se que a liberdade de crença nacional reflete um cenário desafiador seja a partir de reflexo histórico, seja pelo descumprimento de cláusulas pétreas.

Mormente, ao avaliar a intolerância religiosa por um prisma estritamente histórico, nota-se que fenômenos decorrentes da formação nacional ainda perpetuam na atualidade. Segundo Albert Einstein, cientista contemporâneo, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado. Sob tal ótica, é indubitável que inúmeras ojerizas religiosas, presentes no Brasil hodierno possuem ligação direta com o passado, haja vista os dogmas católicos amplamente difundidos no Brasil colônia do século XVI. Assim, criou-se ao longo da historiografia, mitos e concepções deturpadas de religiões contrárias ao catolicismo, religião oficial da época, instaurou-se, por conseguinte, o medo e as intolerâncias ao diferente. Desse modo, com intuito de atenuar atos contrários a prática da religiosidade individual, cabe ao governo, na figura do Ministério da Educaçao, a implementação na grade curricular a disciplina de teorias religiosas, mitigando defeito histórico.

Além disso, cabe ressaltar que a intolerância às crenças burla preceitos constitucionais. Nessa perspectiva, a Constituição Brasileira promulgada em 1988, após duas décadas da Ditadura Militar, transformou a visão dos cidadãos perante seus direitos e deveres. Contudo, quase 20 anos depois de sua divulgação, a liberdade de diversos indivíduos continua impraticável. À vista de tal preceito, a intolerância religiosa configura-se uma chaga social que demanda imediata resolução, pois fere a livre expressão individual. Dessa maneira, cabe ao Estado, como gestor dos interesses coletivos, a implementação de delegacias especializadas de combate ao sentimento desrespeitoso e, até mesmo violento, às crenças religiosas.

Destarte, depreende-se que raízes históricas potencializam atos inconstitucionais no Brasil. Torna-se imperativo que o Estado, na figura do Poder Legislativo, desenvolva leis de tipificação como crime hediondo aos atos violentos e atentados ao culto religioso. Ademais, urge que a mídia, por meio de novelas e seriados, transmita e propague a diversidade religiosa, com propósito de elucidar e desmistificar receios populacionais. Outrossim, a escola deve realizar debates periódicos com líderes religiosos, a fim de instruir, imparcialmente, seus alunos acerca da variabilidade e tolerância religiosa. Apenas sob tal perspectiva, poder-se-á respeitar a liberdade e combater a intolerância de crença no Brasil, pois como proferido por Karl Marx: as inquietudes são a locomotiva da nação.”

Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/leia-redacoes-nota-mil-do-enem-2016.ghtml

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Perceba, que no último período da introdução o autor aponta dois tópicos relevantes relacionados à intolerância religiosa. 

Dessa forma, observa-se que a liberdade de crença nacional reflete um cenário desafiador seja a partir de reflexo histórico, seja pelo descumprimento de cláusulas pétreas.

1. Reflexo histórico

2. Descumprimento de cláusulas pétreas

O início do primeiro parágrafo do desenvolvimento já explicita a intenção de aprofundar-se em “reflexo histórico”

Mormente, ao avaliar a intolerância religiosa por um prisma estritamente histórico, nota-se que fenômenos decorrentes da formação nacional ainda perpetuam na atualidade.

Adiante, o início do segundo parágrafo do desenvolvimento promove a retomada de “Descumprimento de cláusulas pétreas”

Além disso, cabe ressaltar que a intolerância às crenças burla preceitos constitucionais.

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