Socialização

Sociedade, segundo o sociólogo Pérsio Santos, “é a coletividade, organizada e estável das pessoas que ocupam o mesmo espaço territorial, partilham a mesma língua, a mesma cultura e são geridas, administradas por organizações políticas e sociais aceitas de forma consensual, desenvolvendo práticas que se voltam para a manutenção desse mesmo organismo social”.
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Uma boa maneira de entender como se dá o processo de socialização é perceber que estamos conectados uns aos outros, que nossas ações podem ser sociais, que têm sempre uma repercussão social.

Comte, como vimos, entendia que a Sociologia deveria adotar os paradigmas do método positivo das ciências naturais: observação dos fenômenos, descrição das regularidades e estabelecimento de leis gerais, desenvolvendo leis úteis para o desenvolvimento social; ou seja, uma objetividade acerca da maneira como se deve olhar para o social. Esta, portanto, seria uma física do social, assim, a função dos cientistas sociais seria a de estabelecer uma nova moral para substituir a antiga moral religiosa. A moral científica seria a responsável pela garantia da ordem social que levaria ao progresso da sociedade (estado positivo).

Durkheim acreditava que a função da Sociologia seria garantir a ordem social através do estabelecimento de uma nova moral (a moral científica).

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A sociedade seria constituída pela consciência coletiva, que seria coercitiva, exterior e estaria acima das consciências individuais. Portanto, o indivíduo social seria produto da sociedade. Porém, a Sociologia teria como função explicar os códigos de funcionamento da sociedade, por isso, é objetiva, aplicando “antídotos” que diminuíssem os males da vida social (medicina social). A Sociologia deveria ter princípios claros e precisos para se constituir enquanto ciência. Para isso, em seu livro As Regras do Método Sociológico (1897), Durkheim estabelece o objeto de estudo da Sociologia (o fato social), suas características e as regras para que fossem analisados.

O interesse era a compreensão do funcionamento das formas padronizadas de conduta (consciência coletiva). Por esta razão, a teoria durkheimiana também pode ser chamada de funcionalista, assim sobrepõe a sociedade ao indivíduo.

As instituições sociais são compostas por um conjunto de valores e regras próprios de um grupo que se organiza e é reconhecido socialmente. Essas instituições muitas vezes legitimam valores, afirmam crenças, e é a partir delas que são enraizados os modos de agir socialmente aceitos pela sociedade.

Temos como instituições sociais: a família, a Igreja ou as religiões em si mesmas, a escola (que nada mais é do que a Educação como um todo), as instituições econômicas (que englobam o modelo de distribuição, circulação e administração da economia determinando valores, normas e papéis específicos. Ex.: modo de produção feudal ou modo de produção capitalista funcionam nessa medida como instituições) e a mídia.

Cada instituição social tem uma importância, um valor diferente para uma específica organização social. Por exemplo, em uma sociedade tribal, as instituições religiosas são mais importantes do que valores e instituições econômicas, o que muitas vezes não ocorre em uma sociedade moderna, onde a lógica capitalista e todo o conjunto de regras, práticas e valores está determinado e podendo, inclusive, influenciar na postura valorativa das religiões e na forma como lidam com o sobrenatural; por isso, dizemos que a importância das instituições sociais é relativa.

Curiosidade:

Para o sociólogo G. Smith Russel, “nove décimos de tudo o que você faz, diz, pensa, sente, desde que se levanta de manhã cedo até que vai para a cama de noite, você diz, faz, pensa, sente não como expressão própria, independente, mas em conformidade inconsciente e sem críticas com regras, regulamentos, hábitos grupais, padrões, códigos, estilos e sensações que existiram muito antes que você nascesse”. Isso ocorreria, segundo ele, para que essa sociedade fosse mantida, preservada e fosse eficaz; portanto, essas instituições seriam uma forma de controle social.

A FAMÍLIA

A família, para muitos, representa a primeira instituição com a qual nos identificamos e nos inserimos. Ela é composta na maioria das vezes, por indivíduos que têm algum tipo de vínculo de parentesco e consanguinidade. Esta, por sua vez, está inserida em um ambiente macrossocial. É nesse espaço social que desde pequenos agregamos valores, normas de comportamento, de certo e de errado que a sociedade impõe desde o nosso nascimento, através das relações de parentesco e hierarquia, onde os papéis de cada um desses atores familiares são pré-definidos, segundo Durkheim.

Porém, existem outros sociólogos que acreditam que a criança, por não ter essa consciência de microssocial e macrossocial, esta não poderia apontar a família como primeira instituição na vida de um indivíduo, mas sim a linguagem como “primeira instituição” (Peter Berger).

Através da linguagem, o indivíduo, ainda criança, toma conhecimento de todo um mundo que existe “lá fora” através do contato com os adultos. O que a família faz afinal?

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Ela padroniza as relações e comportamento sexual de uma comunidade;

Ela regula os relacionamentos que podem ser de acordo com cada sociedade (monogâmicos ou poligâmicos, por exemplo);

Desenvolve um padrão de sistemas de parentesco.

Legenda:

“Lembrem-se meus queridos. Amemos, muito nossos pais…A eles devemos a vida”

“Quanto é?”

A RELIGIÃO

A religião, como instituição, funciona a partir da concepção de um ou  mais grupos que se dedicam  a se unirem em torno da perspectiva do sagrado, do sobrenatural. Para a maioria dos autores, “religião” deriva do latim re-ligare, que significa, precisamente, “religar”: religar entidades que se encontram afastadas, nomeadamente o homem e a divindade. Alguns autores, porém, atribuem-lhe uma outra palavra latina como origem: re-legere, que significa “reler”. Esta designação, segundo os autores, estaria relacionada com a adivinhação – sinais, presságios, oráculos etc. O homem hesita e procura confirmação em sinais e presságios que surgem à sua volta e que revelam a vontade divina, liga o mundo concreto ao sobrenatural.

Podemos, então, concordar que a religião, enquanto um sistema que institui uma relação com o Divino, que liga a humanidade e a divindade, acaba por se transformar numa instituição que regula o modo como o homem utiliza o sagrado para se aproximar (ou não) do Divino. A religião, muitas vezes, é vista como uma das formas mais fortes de controle social, já que torna muitas vezes as ações individuais como ações prudenciais, visto que a ideia da existência de um ser superior a nós nos faz seguir regras que foram deixadas em manuais, ensinamentos ou revelações justificadas pela fé.

A ESCOLA OU AS INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS

VISÃO OTIMISTA

A escola é uma organização privada ou pública que tem como objetivo “transmitir” conhecimento formal, as normas de comportamento e a herança cultural. Existem ainda sociólogos que repudiam a ideia de que a escola deve transmitir o conhecimento através de sistemas de disciplinas e normas específicas; mas, por vezes, facilitar o ambiente escolar para a construção e desconstrução do pensamento e dos ensinamentos, como forma de incentivo ao espírito crítico do jovem indivíduo.

Já a educação em si trata-se de um processo pelo qual os adultos transmitem de maneira formal ou informal seus padrões de comportamento, valores e herança cultural. Essas práticas institucionalizadas e interiorizadas na sociedade criam largos conjuntos de ações repetitivas e não calculadas, vistas como “normais”. Sendo assim perpetuadas, ao longo do tempo, dentro dessas escalas maiores de tempo, elas acabam sofrendo às vezes algu- mas alterações em termos de valores e comportamento, como, por exemplo, aspectos culturais. Porém, quando sofrem alterações, elas são lentas e difíceis.

Aquele que não se adequa a esses esquemas de valores enraizados pelas instituições sofre não só com a coerção, como diria Durkheim, mas com os estereótipos, a exclusão, em alguns casos, e a vulnerabilidade, muitas vezes sofrendo algum tipo de punição social negativa.

VISÃO PESSIMISTA

Em contraposição a essa primeira concepção, defende-se a ideia de que a escola é um aparelho ideológico do Estado. Sua função é a reprodução da sociedade como ela é. A educação entendida como mantenedora da sociedade. A escola com a capacidade de perpetuar o sistema. Nessa concepção, a escola não possui de forma alguma autonomia, sendo determinada, de maneira absoluta, pela classe dominante da sociedade.

A terceira concepção resgata a positividade das anteriores, procurando superar tanto a fragilidade inocente do otimismo exacerbado quanto o pessimismo imobilizante. Ela se situa indicando o valor que a escola deve ter sem cair nos extremos do pessimismo e do otimismo ingênuos.

A escola é vista como uma instituição social de natureza contraditória, inserida numa sociedade desigual. A escola possui possibilidades de mudança tanto quanto de manutenção da sociedade onde ela se insere. A educação, dessa maneira, é vista como tendo uma função conservadora e inovadora ao mesmo tempo. Se, na primeira concepção, a escola é totalmente independente da sociedade e, na segunda, ela é totalmente dependente daquela, nesta terceira, ela é vista na sua relação com a sociedade onde está inserida como uma via de mão dupla. A educação e os educadores têm uma autonomia relativa. Esta terceira concepção é conhecida como otimista crítica.

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