SOCIOLOGIA URBANA

A vida urbana traz consigo uma série de relações sociais: a convivência diária com indivíduos diferentes, as relações sociais de trabalho na modernidade, o trânsito, a busca pela moradia, entre outras questões. Elas fazem do meio urbano um meio de grande riqueza para os estudiosos da Sociologia. A ciência social busca compreender esses processos, suas dificuldades e a influência exercida na vida dos indivíduos.
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Em meados de 1860, a Inglaterra registrou uma população urbana maior que a população rural. Foi a primeira vez na história que esse processo ocorreu, influenciado pelas alterações relativas à Revolução Industrial. Devemos entender como ocorreu esse processo: uma fábrica atrai trabalhadores interessados no salário, esses funcionários vão buscar uma moradia próxima ao local de trabalho, esse grande contingente de pessoas se deslocando para uma região, faz esse espaço necessitar de serviços variados, como: mercados, escolas, bancos, lojas e demais setores. Uma grande quantidade de indústrias surgindo em determinado ambiente é garantia de elevado aumento populacional naquela região.

Uma das primeiras preocupações dos sociólogos que se dispuseram a estudar as cidades foi a ambiguidade existente entre viver em um local com milhões de pessoas, de variadas formações culturais e ao mesmo tempo se sentir sozinho e solitário. Essa percepção tão comum na contemporaneidade, já permeava o pensamento de sociólogos no início do século, que buscavam entender os efeitos da vida em cidades para a ampliação de vínculos sociais.

OS PIONEIROS

Ainda no século XIX, no auge da expansão das grandes cidades europeias, alguns pensadores já buscavam entender o processo, com destaque para Ferdinand Tönnies e Georg Simmel. Tönnies observou que as mudanças sociais eram irremediáveis e para explicar a sua teoria utilizou dois conceitos. O primeiro chamado de Gemeinschaft, que são os vínculos sociais estáveis, duradouros e cotidianos, o segundo chamado de Gesellschaft, que são os vínculos temporários, efêmeros e que se esvaem rapidamente.

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Tönnies diz em sua obra que os Gemeinschaft estão diminuindo em elevadas proporções e os vínculos temporários ganhando maior potência na atualidade, devido à convivência em uma sociedade mais individualista e que tem maior preocupação com a função direta que um indivíduo pode te oferecer. Por exemplo, você sai de casa e vai até um mercado realizar uma compra, seu contato com a vendedora vai se restringir à atividade profissional que ela está realizando, não se preocupando com os demais aspectos de sua vida social.

A preocupação de Georg Simmel não era tão distante da apresentada por Tönnies, no entanto, a abordagem realizada no importante ensaio “A metrópole e a vida mental” exerceu uma influência ainda maior nos estudos posteriores sobre o meio urbano.

Simmel trabalhava com a ideia que a grande variedade de estímulos constantes que um cidadão transpassa em seu cotidiano, como atravessar a rua, olhar para o semáforo, ouvir o vendedor, olhar os carros e demais visualizações presentes nas grandes cidades, faz que os moradores dos grandes centros urbanos assumam uma postura de indiferença frente a sua vivência social. O autor vai trabalhar com o pensamento que os indivíduos se desconectam da realidade em que vivem, para poderem sobreviver.

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Isso acaba por gerar uma maior apatia, menor carga emocional e consequentemente menor envolvimento afetivo com o próximo. Simmel vai chamar esse processo de “Reserva Urbana”, uma espécie de estratégia para a conturbada vida social. O trabalho dele ganha grande notoriedade se formos estudar os autores atuais, que tratam dos fenômenos sociais decorrentes da globalização, mostrando que o afastamento social já podia ser observado em momentos anteriores.

Tönnies e Simmel foram autores essenciais para o desenvolvimento da Sociologia Urbana, influenciando correntes de pensamento que mais tarde iriam ser as mais relevantes nesse contexto, como a Escola de Chicago.

ESCOLA DE CHICAGO

A universidade de Chicago, nos EUA, foi pioneira ao realizar estudos sobre as alterações da vida urbana nas sociedades, no início do século XX, estudiosos da universidade de Chicago estavam preocupados em entender os efeitos da modificação da vida para os indivíduos, esse grupo de pesquisadores ficou conhecido como a Escola de Chicago, com destaque para Robert Park e Louis Wirth.

NOVA SOCIOLOGIA URBANA

Os estudos realizados pela escola de Chicago geraram repercussão à temática urbana, possibilitando a evolução de uma ciência própria da cidade, que veio a ser chamada de Urbanismo. A partir dos anos 1970, diversos autores começaram a observar a cidade como espaço de conflitos e disputas sociais, um viés de origem Marxista.

Nessa perspectiva, a cidade é fruto de contestações, onde além de questões psicológicas da vida urbana, ocorrem enfrentamentos por interesses diversificados, envolvendo questões financeiras.

O sociólogo espanhol, Manuel Castells, trata da relação formada entre o capitalismo e a formação das grandes cidades, visto que para as grandes indústrias funcionarem é necessária uma estruturação em seu entorno. Essa estrutura inicialmente era fornecida pelos próprios proprietários das fábricas, mas ao passar do tempo a função foi tomada pelo Estado, a qual visa dar condições para a reprodução do sistema capitalista. O Estado assume essa função por estar interligado ao capital oriundo dos donos dos meios de produção.

SEGREGAÇÃO

Quando pensamos que as cidades ao longo do processo de formação se tornaram ambientes de disputa, podemos observar que diversos grupos tornaram-se destacados desse processo. Dentro de uma mesma cidade, não é difícil visualizar violentas discrepâncias nas condições de moradia e acesso a meios sociais. O estado como provedor de infraestrutura acaba por privilegiar determinados grupos e ambientes.

Os grupos com menor poder financeiro são obrigados a viver em áreas afastadas, por não possuírem condições financeiras de morarem próximos ao centro social, financeiro e cultural da cidade. A escolha do local de moradia deixa de ser uma possibilidade de opção, já que alguns grupos não possuem acesso a determinadas áreas.

Essa segregação forçada faz as desigualdades se acentuarem ainda mais, já que os moradores de locais mais afastados terão maiores dificuldades em consumir os benefícios educacionais da cidade, além de diminuir a possibilidade de redes de ligação, onde houvesse contato entre pessoas de classes sociais distintas. Os condomínios fechados, permeados e dominados por moradores de alto poder aquisitivo, também perpetuam essa visão de cidade sem contato entre classes.

Além das dificuldades relativas à moradia, soma-se a essa questão as péssimas condições de acesso ao transporte público e a possibilidade de locomoção. Nos últimos anos, um curioso processo ocorre em diversas cidades do mundo, a gentrificação.

Na definição do sociólogo Anthony Giddens, gentrificação seria o “processo de remoção urbana na qual prédios antigos e decadentes são renovados por pessoas afluentes que se mudaram para a área.

O processo de gentrificação altera a dinâmica de determinada região da cidade, normalmente são bairros centrais, com localização privilegiada, mas que por muito tempo foram abandonados pelo capital, e com o passar dos anos, voltam a despertar interesse imobiliário. Essa região se valoriza financeiramente, o que acarreta um encarecimento do custo de vida local, fazendo a população que lá vivia não ter condições de manter-se.

A gentrificação está associada ao processo de especulação imobiliária, que escolhe determinados locais para receberem maiores investimentos públicos e privados. A consequência é o aumento do valor dos imóveis naquela região, gerando assim, maior lucro na venda de imóveis.

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